segunda-feira, 18 de abril de 2011

"Dead Man, get your ass down here!"

Haruki Murakami, The Wind-Up Bird Chronicle.


Incrível. Uma viagem que não deu para fazer rapidamente, mas que acelerou nas últimas 200 páginas. Acho que da forma como a história foi pensada e publicada originalmente, em três livros, funcionaria melhor que a edição única. Eu pirei na narrativa. Muito rica, diversa, de acordo com os diferentes personagens - o eixo é Toru Okada, uma figura. Forte, o livro me balançou várias vezes. Entrou nos meus sonhos também, mas ao lê-lo, dá para entender por quê.

 
Trago aqui vários trechos. São citações que me levaram para outros lugares. Assim acontece com muito do que li e já citei aqui, até agora. Embora, por outro lado, muitas citações digam respeito à história e aos personagens em si, e aí fica uma viagem só para quem leu. Mas cito mesmo assim. Nem pensar em limitar uma viagem! Enjoy!

“Oh, what the hell. (...) If something was going to happen, let it happen. If something wanted to happen, let it happen.” (p. 60).
“The passage of time will usually extract the venom from the most things and render them harmless. Then, sooner or later, I forgot about them.” (p. 79).

“So he was an easy-listening freak. It suddenly occurred to me that true believers in hard-driving jazz – Albert Ayler, Don Cherry, Cecil Taylor – could never become owners of cleaning shops in malls across from railroad stations. Or maybe they could. They just wouldn’t be happy cleaners” (pp. 81/82).


“Sometimes, when one is moving silently through such an utterly desolate landscape, an overwhelming hallucination can cause one to feel that oneself, as an individual human being, is slowly unraveling. The surrounding space is so vast that it becomes more and more difficult to keep a balanced grip on one’s own being. I wonder if I am making myself clear? The mind expands to fill the entire landscape, becoming so diffuse in the process that one loses the ability to keep it fastened to the physical self.” (p. 139) – Este é o cinema: An utterly desolate landscape.

“Certain kinds of information are like smoke: they work their way into people’s eyes and minds whether sought out or not, and with no regard to personal preference.” (p.197).

“Results aside, the ability to have complete faith in another human being is one of the finest qualities a person can pocess.” (p. 201).

“Two thirds of the earth surface is ocean, and all we can see of it with the naked eyes is the surface: the skin. We hardly know anything about what’s underneath the skin.” (p. 226).

“The reason that people sing songs for other people is because they want to have the power to arouse empathy, to break free of the narrow shell of the self and share their pain and joy with others. This is not an easy thing to do, of course.” (p. 239).

“One has no choice but to look at one’s reflection in the mirror. Through experience, we come to believe that the image is correct, but it is just a belief.” (p. 282).

“Without a true self, though, a person cannot go on living. It is like the ground we stand on. Without the ground, we can build nothing.” (p. 306).

“It depends on which reality you take and which reality I take.” (p. 318).

“She did not offer any explanations, and I did not ask for them. I simply did as I was told. This reminded me of several so-called art films I had seen in college. Movies like that never explained what was going on. Explanations were rejected as some kind of evil that could only destroy the films’ “reality”. That was one way of thinking, one way to look at things, no doubt, but it felt strange for me, as a real, live human being, to enter such a world.” (p. 380).

“Why “more real”? Trying to explain that logically, in words, would be very, very, very hard, but maybe if you take the path my life has followed as na example and really think about it, you can see that it has had almost nothing about it that you could call “consistency.” (p. 461).
“In there, his silent words lived and breathed as stories.” (p. 527).
“…my head has lot of openings!” (p. 528).
“Even if I could have believed in the communist ideology, I could no longer believe in the people or the system that was responsible for putting that ideology and those principles into practice.” (p. 539).

“I was dying. Like all the other people who live in this world.” (p. 590).

“As they fell, the tears caught the light of the themoon and sparkled like beautiful crystals. Then I noticed that my shadow was crying too, shedding clear, sharp shadow tears. Have you ever seen the shadows of tears, Mr Wind-Up Bird?” (p. 594).


Rachel Caine, Ghost Town.

Nono livro da série Morganville Vampires. Muito legal, divertidíssimo. Este foi menos agitado que os outros, mas o final é bombástico, rs. Espero só que ela não se perca na imensidão... Até agora, tudo tranquilo, cada novo livro acompanha bem o anterior e traz mudanças interessantes. Shane - é dele a frase título deste post - é personagem primo de Jace, de Mortal Instruments. Falando nisso, preciso pegar meu livro, o quarto, que já chegou. Ahhhh.


sexta-feira, 15 de abril de 2011

Upgrade... Uprising... Upemotion.



Quarta, dia 13 de abril de 2011.
Não é por nada, mas os céus estava olhando para mim.
Duvida?
Ok, here we go.


Segundo show do U2 para mim, terceiro em São Paulo. Sabe quando você compra uma passagem para a classe econômica, espera a maior bagaceira e, quando chega no check in, descobre que houve um upgrade para a executiva?

Então, upgrade total na quarta-feira. E up para algo que já havia sido incrível, porque o show do sábado foi surreal.

Todos os ventos a meu favor. Carlota, a Santa Rockeira do povo sem transporte (!!!), conseguiu novamente a van para todos, a um preço ótimo. Paramos ao lado do portão em que eu tinha de entrar. Ingressos trocados com uma amiga, comecei a estranhar quando colocaram a pulseirinha no meu pulso.
  

Cadeira Azul Premium. Ops, alguma coisa tá acontecendo aqui. Quando entrei, vi. Primeira fileira, na grade da cadeira, um lugar vazio. Sentada entre um casal de Minas e uma fã do MUSE que veio de Aracaju, já agradecia a minha sorte.

Quando fui ao banheiro, quase ajoelhei. Brincadeira, você ri, mas não viu a fila do sábado. Só lembrava da Renata. Quase chorei ao entrar num banheiro que, além de perto de onde eu estava, tinha até papel toalha para as mãos. Comprar a cerveja e a ruffles foi fácil também, e aí eu já podia perceber que estava tudo para lá de bem.



Minha pilha aumentou locamente. Em vez de blasé por já ter visto o show, fui ficando mais nervosa, mais ansiosa e incrivelmente mais emocionada. Nada de ficar sentada na minha cadeirinha azul querida. Fiquei em pé na grade, guardando o meu lugar para ver o MUSE e o U2 da minha varanda no Morumbi. E com a proteção da bandeira da Irlanda acima da minha cabeça Hoooooooooray.

Thanks, St. Patrick.


Lei de Murphy ao contrário: havia comprado capa de chuva verde, estava preparada para a chuva no MUSE - o Bono, a meu ver, tem um acordo com  São Pedro e não choveu em nenhum dos três dias na hora do show do U2. Antes e depois, sim, mas na hora, never. Então eu estava preparada. Mas o céu foi clareando, clareando e, no começo da noite, a lua já estava ali, linda. Um efeito especial lindo num show já lotado deles.



Com o MUSE eu quase tive um treco. Entraram com a introdução da turnê do Black Holes and Revelations. O som estava alto, bom, forte. Intenso como eles são. Eles usaram mais o palco, espalhando tudo o que têm de bom no Morumbi, que, finalmente, reagiu à altura. Galera enlouquecida, eu em frangalhos. Fiquei feliz demais. Demais, demais. Daquela grade eu não largava nem a pau.


Agora era esperar o U2. Relógio andando devagar, claro. A cadeira foi lotando, lotando, e eu ali. Só esperando. Era só eu e a minha pilha emotiva, esperando, esperando.


Do show do U2 eu já falei muiiiiiiiiiiiiito antes. Again and again, mesmo já tendo visto, as emoções voltaram, intensas. Agora, mais de perto, elas pioraram um  pouco. O povo estava doido, cantando alto, se despedindo do show. E tudo ao vivo na rádio e na internet - vale acessar o site do U2 para ver os comentário around the world (www.u2.com).



Sim, sim, o Bono estava mais rouquinho - muita gandaia em SP. The Edge deu uma forcinha, a galera também. Esta deu um show, como Bono disse. Uma noite linda, com a lua sempre ali, maravilhosa, testemunhando a felicidade da pessoa.

Ontem eu estava o pó. Hoje, depois de dormir mais que a cama, quis relembrar tudo aqui. Contar mais essa viagem incrível. A questão é que, mesmo registrado, toda essa vivência parece um filme. Um sonho montado em luzes e sons.

Muito, muito feliz.



U2, 360 Graus Tour. São Paulo, Estádio do Morumbi, 13 de abril de 2011.


quarta-feira, 13 de abril de 2011

Sucker Punch

(Zack Snyder, US-Canadá, 2011).



Ontem eu saí do cinema encantada, em estado de suspensão com a delicadeza e complexidade com que Susanne Bier trouxe o emaranhado da violência na vida das pessoas.

Hoje, entrei numa sala de cinema para ver a erotização da violência numa história idiota (desculpa, mas não tem outra palavra - quer dizer, tem, mas é muito pior), disfarçada de inovação narrativa e resistência à opressão. E aqui me veio uma grande confusão, porque alguma coisa não parecia encaixar no  filme diante dos meus olhos.  

Assim, não consegui, naquele momento, entender o que via. A ação é muita, rápida e constante. As imagens são muito bem construídas. Mas inverto o que já falei aqui antes: se a forma é revolucionária, o conteúdo precisaria ser revolucionário também.

Saí do cinema e a confusão se esvaiu. No seu lugar, veio a raiva e uma reação muito forte ao filme e ao que, para mim, é de uma irresponsabilidade extrema. Não há violência suficiente sem que a tornemos atraente? 

Mas isso foi o que senti. E às vezes (só às vezes???) meus sentidos são extremos. Talvez minha reação a Sucker Punch não seria tão intensa se não tivesse assistido a Em Um Mundo Melhor ontem. Bom, a conversa com o cinema é assim, os filmes compõem o nosso sentir, tecem a nossa percepção. Não dá para isolar o que Bier me presenteou ontem e ignorar o murro que Znyder me deu hoje.

PSÇ Vale dizer que o que mais me atraiu no filme foi o título. Lembrou-me Soco na Cara, o filme que Bella decide ver em Lua Nova com os dois moleques a fim dela.  Great.

terça-feira, 12 de abril de 2011

What Time is It In The World?



Muitas coisas aconteceram comigo no sábado, no Show do U2 em São Paulo. Bom, além do show em si, que é um acontecimento incrível, muitos outras maluquices ocorreram em mim. 

Pensei em como deve ser para um artista chegar a um ponto da carreira em que ele pode ter um palco daqueles. Se saísse voando, eu não me espantaria. QUE PALCO. O que era aquilo? E o estádio todo em 360 graus? Eu já sabia que era assim, mas não acreditava. Eu via, mas parecia uma realidade paralela. Foi incrível assim, de verdade.

Não sei o que tem na água que o Bono toma, mas ele é muito muito muito doido. Lindo, querido e maluco. Unir 90 mil pessoas em uma só batida, the best.

O show todo me emocionou muito. Chorar eu já sabia que ia rolar. Mas a extensão da emoção me surpreendeu. A estrutura do show acontece em uma narrativa muito coesa, o que colaborou para a emoção. Tudo muito amarrado, intenso, de novo eu não acreditei. Que diabos era aquilo?

Era o olhar cuidadoso para 90 mil pessoas. Isso é o que crazy Bono consegue. Focar em cada uma das pessoas que pulam loucamente enquanto ele nos encanta.

Eu fui ao show mais entusiasmada com o MUSE que com o U2 em si, que eu já havia visto há cinco anos. MUSE foi incrível, num show de abertura curto claro, meio baixo demais, mas impecável. E super rock'n roll. Perdi a voz ali mesmo.


Voz que se esticou quando o U2 chegou. Entusiasmo que se tornou gigante no decorrer do show que, foi, como diria a TT, de gritar. Gritar de felicidade, espanto, surpresa, emoção e, claro, gritar cada nova música que chegava. 

Luzes no céu, pontes que giram ao redor do palco, telão em forma de torre, o estádio todo iluminado de luzinhas em With or Without, uma referência sensível e forte às crianças que morreram no Rio na semana passada, o palco iluminado por lanternas, Achtung Baby... Bono, The Edge, Adam e Larry, malucos maravilhosos nas montanhas geladas do Morumbi (tava um frrrrrrrrrrrrrio excelente).

Happy Happy Happy.



U2 360 Tour - São Paulo, Estádio do Morumbi, 9 de abril de 2011 (comemoração, no bairro da Liberdade, do nascimento do Budha.)



segunda-feira, 11 de abril de 2011

Cópia Fiel


Walter Benjamin, em sua tese de livre-docência - Origem do Drama Trágico Alemão - refere-se à melancolia inerente à perda do original. A obra de arte original. A língua original. A pessoa original - aqui no sentido de quem seria a pessoa além das aparências. Originais que se perdem na cópia, na tradução, na representação.

Cópia Fiel (Copie Conforme, Abbas Kiarostami, França-Itália-Bélgica, 2010), traz aspectos da tese de Benjamin em filme. Lindo, cativante, sua maior contribuição para mim não vou expor aqui. Mistério não, só preciso pensar nela com mais cuidado e carinho.

A trama inicial como a original em uma narrativa também aparece aqui. A história muda, sem quebra, somente pelos diálogos. E então nos perguntamos o que é verdade e o que é imaginação. O que é original e o que é invenção. Perceber que nada é tão original ou tão cópia me ajudou a viajar pelo filme e a conversar melhor com ele.

Dívida grande com Lúcio, que me chamou a atenção para o filme mesmo sem tê-lo visto. Adorei.

(A postagem é de hoje, mas vi o filme ontem.)

"If you try the best you can, the best you can is good enough"


Devo ter visto Paisagem na Neblina (Topio stin omichli, Theodoro Angelopoulos, Itália-Grécia-França, 1988) em 1988, 1989. Não tinha carro ainda, e todo domingo ia ao cinema mais perto de casa, a pé, na sessão das 18h. Voltava para casa por volta de 20h, pensando no filme. No dia em que vi a poesia de Angelopoulos, não saí pensando, mas flutuando. A paisagem ao meu redor era onírica. O céu estava diferente, o ar tinha outro sentido. O filme havia sido tão intenso que retirara boa parte do meu sentido gravitacional.

Hoje deixei a sala de cinema novamente em suspensão. Meus pés no ar, meu coração próximo de implodir, agradeci aos ceús pelo cinema.

Um filme nunca é só um filme.

No nosso cotidiano, há pequenas coisas que, sabemos, deveríamos fazer, mas deixamos de lado. Ligar para avisar que vamos nos atrasar - para o dentista, para um encontro com amigos, para o trabalho. Pagar o refri que o garçon esqueceu de cobrar. Jogar todo o lixo no seu lugar devido... Enfim, coisas que acontecem frequentemente. Nós podemos deixá-las para lá, como se não fossem importantes. E não seriam mesmo, se o descaso com pequenas coisas também não fosse o descaso com aspectos essenciais da vida.

Micro e macro cosmos. Interior e exterior. A nossa casa e o mundo todo. O eu e a humanidade.

Sempre penso que se conseguirmos nos melhorar um pouquinho já fazemos muito. Se olhássemos para nós mesmos e para quem está ao nosso lado de verdade, com atenção, interesse e amor, penso que já poderíamos cuidar um pouco melhor da vida. Dar mais valor a ela. Sempre tendo em vista, no entanto, que nada e ninguém é perfeito, e nem precisa ser.

Susanne Bier, diretora dinamarquesa que já havia me encantado em Depois do Casamento (Efter brylluppet, Dinamaraca-Suécia-UK-Noruega, 2006),  me deixou em estado de suspensão com  Em Um Mundo Melhor (Haevnen, Dinamarca-Suécia, 2010), Oscar de filme estrangeiro em 2011. Grudei na cadeira, juntei as mãos em prece e quase perdi o coração durante as duas horas do filme. Nada é tão simples e nada é tão obscuro. Saber onde estamos e quem somos é uma tarefa a cumprir neste mundo.

O personagem Anton nos leva por esse caminho. Ele luta pelo que acredita e por quem é, mesmo que isso o coloque contra ele mesmo. Falo dele aqui, mas não é o único, ou mais importante. As pessoas se entrelaçam no filme, suas histórias se tocam e interagem. Susanne Bier expõe o que são, e quão maravilhosas são, com seu olhar delicado e cuidadoso.

Coisas acontecem e parecem nos arrastar numa correnteza sem fim. Se assim sentimos e tentamos lidar com as situações, é um início. Uma ação. Se ignoramos o quanto o que acontece no mundo hoje nos angustia e como as situações nos pesam, esperamos que alguém aja por nós. Que alguém nos solucione. Agredimos para chamar a atenção. Olhamos o outro como uma ameaça, não como outro ser humano. Fechamos a empatia em comportas de aço para não nos responsabilizarmos pelas nossas angústias e nem ajudarmos o outro. Gritamos por atenção ao mesmo tempo em que ignoramos o que está ao nosso redor.

Reconhecer o que está errado e tentar agir corretamente seria a chave. Mas o certo e errado parecem muito difusos no nosso julgamento. Por isso  o olhar atencioso é tão importante.

Atenção que deveria ser ainda maior com relação às crianças. Elas, sufocadas num mundo que não faz sentido, querem corrigi-lo. Buscam segurança onde conseguem encontrá-la. Buscam soluções para o mundo caótico de seus pais, família e escola, sendo que essa não é uma responsabilidade sua. Ainda.

Toda essa confusão de sentimentos, ações e violência Susanne Bier me trouxe, hoje, em delicadeza suprema. Saí do cinema com um pensamento: a delicadeza pode trazer uma intensidade de imagens e expressão que nos abala mais que qualquer outra coisa. Trazer o que é dolorido e ainda assim transmitir uma suprema esperança na vida é transformador. E assim eu saí do cinema hoje, realmente com esperança em um mundo melhor.

Uma viagem intensa, dolorida e bela.



(O título deste texto peguei emprestado de Optmistic, música de Radiohead).


sábado, 2 de abril de 2011

O tiro que inevitavelmente sai pela culatra

A defesa de uma tese como objetivo central de uma história pode ser uma das maiores armadilhas em um roteiro. Essa explicação veio de uma palestra a que assisti, e fez muito sentido para mim. Entendi mais claramente porque alguns filmes, apesar de serem bastante interessantes, pareciam se perder em si mesmos. Com a fixação em uma tese - ou a moral da história -, o roteiro pode deixar de lado a construção mais cuidadosa dos personagens para se fixar nas situações que quer ilustrar - ilustrar, e não narrar.

Enquanto assistia a Animais Unidos Jamais serão Vencidos (Konferenz der Tiere, Reinhard Klooss, Holger Tappe, Alemanha, 2010), essa idéia não me saía da cabeça. E ela me ajudou um pouco a entender minha frustração e impaciência como filme. Os personagens são apenas coadjuvantes para as situações apresentadas. Estas, sim, são as estrelas do filme. Por sua vez, as situações são ilustrações do que se quer defender. Os personagens se apresentaram, para mim, como rasos e sem personalidade. Com eles não me identifiquei, e identificação é uma das chaves para entrar numa narrativa. Em outras palavras, o filme me pareceu mais informativo do que uma história bem contada.

Nos créditos finais, há a indicação de que se trata da adaptação de um livro - Die Konferenz Der Tiere, do alemão Erich Kästner. O livro é de 1949, mas a história é incrivelmente atual. Pensei, já saindo do cinema, com crianças e resto de pipoca, que talvez ela funcionasse melhor na escrita.

A tese defendida é nobre: a exploração indiscriminada da terra pelo ser humano, sem consideração ou respeito pelos outros seres que nela habitam ou por seus recursos naturais. Como disse, atual. E talvez por isso mesmo o filme me tenha incomodado tanto. Chegaram até mim, então, as palavras de um outro professor com quem estudei. E elas fizeram mais sentido para mim ali, descendo a escada.

Segundo ele, se o conteúdo é revolucionário, a forma  tem de, necessariamente, ser revolucionária. Não basta apenas dizer, é preciso saber contar.

Filme Cute

Nada de novo no front... então vai aqui outra lembrança.

Nesta semana, revi um filme a que assisti há um mês, no telecine: Casa Comigo (Leap Year, Anand Tucker, US/Irlanda, 2010). Eu gostei tanto, mas tanto, que quando revi, pensei que deveria falar mais sobre ele. Mas não tem muito o que dizer, rs. Bom, a Irlanda é a Irlanda, rs, e talvez isso seja suficiente. Mas poderia dizer também que estava com saudade de comédias românticas muito engraçadas e realmente queridas... elas estão ficando mais sérias. Valeria ressaltar também que toda vez que penso em filmes com sotaque irlandês, penso na palavra sunday. Já ouviu nos filmes? Suuuuundei. Andei por lá e não ouvi nada parecido.

Leis da Atração (Peter Howitt, Irlanda/UK/Alemanha, 2004) também é bobo que dói, adorei, e também chega até a Irlanda. Mas aí o dia não é mais o domingo, mas a terça. Tuuuusdei. Acho que tenho de voltar à Eire Land para verificar.

Conversando sobre Casa Comigo, Audrey se lembrou de outra comédia romântica legal na Irlanda: Um Romance Inesperado (The Matchmaker, Mark Joffe, Irlanda/UK/US, 1997). Ela não lembrava muito do nome e fui procurar. Pense. É com Janeane Garofalo. JANEANE GAROFALO!!! Quase esqueci que ela existia e amava seus filmes. E sua participação na série de TV The West Wing. Então, claro, com isso, lembrei de outro filme que adorava:

Feito Cães e Gatos (The Truth About Cats & Dogs, Michael Lehmann - hohoho, a long way from True Blood! -, US, 1996). Eu Tinha em VHS, mas deu pânico de tanta coisa em casa e doei todos eles (não posso nem pensar nisso ainda).

Por último, dei de cara com outro filme na TV, ainda nesta semana: A Mulher do Açogueiro (The Butcher's Wife, Terry Hughes, US, 1991 - percebeu que estamos cada vez indo mais longe no flashback?), mais uma comédia romântica muito boba e divertida. Jeff Danies está insano. Aliás, todo mundo é maluco nessa história, muito bom. Outro VHS que se foi em vão.

Falei que essa era o último, né? Mas agora lembrei, e vale muito a pena ler mais um pouco: A Mulher do Açogueiro, pelo título, me leva a outro filme que amo muito, O Marido da Cabelereira (Le mari de la Coiffeuse, Patrice Leconte, França, 1990). Não é comédia romântica. Não é bobo. Não é leve. Mas é querido, doce, trágico e maravilhoso. Cutting Emotion, de acordo com um texto que li no Imdb.com. Com ele e com muito carinho, eu encerro este post de lembranças.


sexta-feira, 1 de abril de 2011

Literatura Cute




Enquanto eu caminho a passo de tartaruga por The Wind-Up Bird Chronicles (estou adorando, mas não consigo andar rápido com o devaneio que ele traz), trago aqui alguns afetos antigos.

O primeiro livro que eu comprei pela capa foi Vince & Joy, da escritora inglesa Lisa Jewell. Uma capa fofa, um livro mais querido ainda. Foi também um dos primeiros pockets que comprei em inglês. Com ele, desencadeou-se em mim a febre de leitura do que é chamado, como vi depois, de Chick Lit e  Pop Lit. Literatura para mulherzinhas e literatura popular... Well, para afirmar e reafirmar, again and again and again, não gosto muito das categorias fechadas. Mesmo que elas digam respeito a aspectos importantes das obras a que se referem,  conseguem sempre deixar muito  de fora - geralmente o mais legal.

Não há denominação que explique o que Vince & Joy é para mim. O mais próximo é dizer que ele é um reduto doce, divertido e apaixonante em um mundo injusto e cruel... Viu porque denominar é complicado? Rs.
Mas agora estou em dúvida, porque não sei se digo que aaaaaamo ou se amaaaava Lisa Jewell. Suas histórias me levaram a viagens muito boas, divertidas e, sim, muito fortes. Imagens que ficaram em mim. Histórias que adoro contar, como a disputa para ver quem comia mais pimentas super fortes... Mas o entusiasmo que sempre me acompanhava ao correr para a livraria para encontrar o mais novo livro dela se perdeu um pouco com After Party, a continuação de seu primeiro livro, e um dos mais queridos, Ralph's Party (Jesse alucinado na bicicleta, gritando I wish that I had Jessie's girl / Where can I find a woman like that, ainda aquece meu coração).


Argh, Ew, calafrios. Depois dele, medo. Será que é o destino de todos nós envelhecermos para uma mente mais moralista, didática, cafona? Terror e pânico. Mas Lisa Jewell não está sozinha nesse caminho horrpilante.

Cecelia Ahern, irlandesa (mais conhecida por PS I Love You) também saiu das histórias mais fofas do planeta para causos horripilantes de moral da história. If You Could See Me Now é tão querido e, tenho de repetir, fofo, que não dá para acreditar que é da mesma autora que The Book of Tomorrow. Eu sinto como se ela tivesse passado do mágico para o bizarro sem dar seta. O pavor foi tão grande que acabei de ver, pesquisando as imagens para este post, que deixei passar um livro seu, Every Year, lançado em 2010. Estou em choque, isso ainda não tinha acontecido. O poder do trauma. No problems, amanhã encomendo... O poder da teimosia. Neste mês, foi lançado na Irlanda seu último livro, The Girl in the Mirror, com duas short stories. Brrrrr.


Bom, mas esse não é o cenário completo. As duas publicaram vários livros que eu amo. De Cecilia Ahern, gosto muito também de Where Rainbows End (todo contado por emails e mensagens do msn) e A Place Called Here, um livro mais sombrio que adorei.

The Truth About Melody Browne é a história mais triste de Lisa Jewell, e eu a li em um dia, deitada no sofá, completamente presa ali. 

Assim, como em uma história de muitas facetas,  continuo a perseguir as novas viagens das duas autoras. E sempre vou acompanhá-las. Só que, como já disse, agora não chego mais saltitando à livraria... 




sábado, 26 de março de 2011

Chegadas e Partidas

(GNT, Quarta-feira, 21h30, reprise no sábado 21h00, domingo 03h30, segunda 00h00, terça`09h15...).

Thanks God pelas reprises... thanks também pelo acaso e pela exaustão que nos coloca em frente à televisão, sem muito rumo. Sem saber muito o que fazer com o meu cansaço e sem querer dormir às sete da noite, eu me plantei no sofá e zapeei pela Sky. Encontrei primeiro um maluco que faz bolos absolutamente geniais nos Estados Unidos. Cake Boss é o show, e eu me diverti muito. Acabou, fiquei meio lost in space e acabei esbarrando na estrela da noite: Chegadas e Partidas, do canal GNT.

Astrid Fontenelle anda pelo aeroporto de Guarulhos, SP, entrevistando pessoas que chegam e partem. Ok, primeiro pensei: cafonice! Depois lembrei de Simplesmente Amor (Love Actually, UK/US, 2003), um filme que amei e vi quatro vezes em uma semana... de verdade. Bom, as cenas do aeroporto (lembra?), no começo e final do filme, me emocionaram muito. Então, resolvi dar uma chance a Astride e ao primeiro episódio desse novo programa.

Agora, preciso dar graças também por ter este espaço. Depois dos créditos finais, fiquei sem saber o que fazia com o aperto no meu coração, e aí resolvi trazê-lo para cá. Foi uma boa surpresa saber que não há pré-produção. Astrid Fontenelle chega tranquila e pede que a pessoa conte por que está ali: quem espera quem; quem parte e para onde; quem fica... No primeiro espisódio, histórias contentes e histórias de cortar o coração, sem sentimentalismo ou sensacionalismo e com muita delicadeza. Meu coração ainda está apertado.

PS: pela segunda vez nesta semana, esbarrei em Sea of Love (Cat Power). Amo muito essa música desde o filme Vítimas de uma Paixão (Sea of Love, US, 1989), com Al Paccino e Ellen Barkin. No filme, há duas versões da música, a última delas com Tom Waits. Poderia falar aqui como era apaixonada por Waits nos anos 1980, mas aí este post viraria uma bola de neve... Bom, é suficiente dizer que a música se estabeleceu em mim, mesmo que dela eu esqueça de vez em quando. Nesta semana ela me cutucou e se fez lembrar duas vezes - uma no episódio 20 da primeira temporada do seriado Pretty Little Liars e outra hoje. Trilha sonora para um dos momentos mais tocantes de Chegadas e Partidas, eu a trago aqui pelo youtube porque, ignorante total, ainda não sei anexar música ao post.

PS2: CARAMBOLA. Fui baixar o video do youtube e resolvi ler a descrição. As fotos que acompanham o video têm uma história muito emotiva, lost love and all. Que coisa, e nem é lua cheia...

Acho que agora vou dormir, é o melhor, né? Imaginem os sonhos, haha.

Enjoy!