segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

... and Lily, the shrilly.





“Do you want to know why I never married?”
“The question wasn’t at the top of my list,” I admitted.
The old woman made me meet her eye. “Listen to me: I never married because I was too easily bored. It’s an awful, self-defeating trait to have. It’s much better to be too easily interested.”
“I see,” I said. But I didn’t. Not then. Not yet.
(Dash & Lily's Book of Dares, p. 154).

Daniel Briand: o cenário para o último post e café da manhã do ano : )

Com os livros, a repetição não foi uma regra...  mas ocorreu, de forma muito bacana.

Uma semana antes do natal, comecei a ler Dash & Lily's Book of Dares, uma escrita conjunta de Rachel Cohn e David Levithan. Os autores escreveram três livros na linha she said, he said - cada capítulo escrito em primeira pessoa, cada autor responsável pelo personagem do seu gênero. Eu li os três neste mês, mais especificamente nos últimos dez dias. O último acabei hoje, imersa em fofiness e boas histórias. 

A Dash & Lily's eu cheguei pelo título. Book of Dares? Não poderia ser ruim, e não foi. Pelo contrário. Tão bom que não consegui parar até chegar ao final, mesmo que contra a minha vontade. Como assim? 
two (Lily)December 21st
I love Christmas.I love everything about it: the lights, the cheer, the big family gatherings, the cookies, the presents piled high around the tree, the goodwill to all. I know it’s technically goodwill to all men, but in my mind, I drop the men because that feels segregationist/elitist/sexist/generally bad ist. Goodwill shouldn’t be just for men. It should also apply to women and children, and all animals, even the yucky ones like subway rats. I’d even extend the goodwill not just to living creatures but to the dearly departed, and if we include them, we might as well include the undead, those supposedly mythic beings like vampires, and if they’re in, then so are elves, fairies, and gnomes. Heck, since we’re already being so generous in our big group hug, why not also embrace those supposedly inanimate objects like dolls and stuffed animals (special shout-out to my Ariel mermaid, who presides over the shabby chic flower power pillow on my bed—love you, girl!). I’m sure Santa would agree. Goodwill to all. (D&L, pp. 17/18).

O livro acontece no espaço de dez dias, iniciando em 21 de dezembro, com o dia marcado em cada capítulo, seja sob o ponto de vista de Dash ou de Lily. Não que eu tivesse medo de não chegar a ver o dia 22, mas li o livro quase de sentada, apesar de querer muto, muito, no terceiro capítulo, parar de ler para continuar numa sincronia com os meus dias.Com essa ideia, teria de esperar uma semana para chegar a Dash e Lily novamente. Não consegui, claro. O que fiz foi reler novamente o livro no dia 21 - achei que seria legal seguir o natal com ele. Sim, não foi a mesma coisa, chega um ponto em que tudo dá tão errado que ou a gente corre adiante ou pára de ler... Eu corri, mesmo com prejuízo da experiência imaginada. 

But Langston repeated, “Lily, you just don’t understand. What you need is someone to keep you occupied. You need a boyfriend.”
Well sure, who doesn’t need a boyfriend? But realistically, those exotic creatures are hard to come by. At least a quality one. (D&L, p. 20).

I shouldn't want the song to end. I Always think of each night as a song. Or each moment as a song. We move from song to song, from lyric to lyric, from chord to chord. There is no ending here. It's an infinite playlist. (N&N, pp. 173/4). 

Os outros dois livros de Cohn e Levithan foram Nick & Norah's Infinite Playlist e Naomi & Ely's No Kiss List. O primeiro deu origem a um dos meus filmes favoritos e um dos mais fofos que vi. Eu o tenho de rever de tempos em tempos. E o livro chegou pela Amazon logo após uma dessas reprises, o que me levou, acho, a rejeitar o livro de início. A alma da história está ali, mas o resto é muito diferente. Uma adaptação que considero boa, mas que gerou duas realidades paralelas com os mesmos personagens. Foi difícil assumir o livro... mas não há como eu me afastar das histórias de Cohn e Levithan: elas são honestas, divertidas e têm uma intensidade emocional que é essencial para mim. 
There are no such things as a soulmate... and who would want there to be? I don't want half of a shared soul. I want my own damn soul. (...) Not soulmates. But close. Because that as far as you should ever get with another person: very, very close. (N&E, p. 174).
Contam das amizades, dos amores, das perdas e dos encontros e desencontros de forma muito fofa. Interligam-se em música e geografia, preferências e personagens. Contam das mudanças que temos de enfrentar - embora se foquem mais no fim da adolescências, quando as transformações são mais evidentes, para mim eles se referem aos dilemas com que nos deparamos toda a vida, se não nos conformamos com a ideia de que a idade adulta é o fim dos conflitos e das descobertas. 

I showed him the Post-it. “You see? They’re from Lily.”
“Who’s Lily?”
“Some girl.”
“Ooh … a girl!”
“Boomer, we’re not in third grade anymore. You don’t say, ‘Ooh … a girl!’ ”
“What? You fucking her?”
“Okay, Boomer, you’re right. I liked ‘Ooh … a girl!’ much more than that. Let’s stick with ‘Ooh … a girl!’ ” (D&L, p. 52).

E, apesar do tom um pouco professoral de alguns pensamentos, especialmente com o útlimo que li, eles conseguem refletir sobre essa vida que vivemos como só a ficção e seus personagens amados conseguem. 

Naomi & Ely's não foi um amor imediato como Dash & Lily, mas me conquistou também. É o mais difícil dos três, o mais angustiado, e me acompanhou no dia especialmente moroso de ontem. Seria o livro mais dolorido também, embora nada, nos três, supere para mim a decepção por que Dash passa em um momento dos seus desafios. E Nick & Norah eu amo anyway, seja em filme ou em palavras. 

The cure. For the Ex's? I'm sorry, Nick. You know. Will you kiss me again? 

O legal de ler os três assim, seguidamente, é a identificação dos elementos e de um banheiro em comum. Assim como em John Green - Levithan e ele têm um livro juntos, o próximo da lista, aliás -, algumas coisas estão sempre lá. E o que poderia ser repetição, torna-se uma conexão bacana entre as histórias. As playlists, as bandas, as músicas... as ruas, os lugares. Uma viagem de que gosto muito.

I was about to give up and leave the store, my belief in the Moleskine defeated, when I felt a tap on my shoulder. I turned around and saw a girl who looked college age, dressed like Hermione Potter. I assumed she was a store employee.
“Are you the girl looking for the Muppet workshop?” she asked.
“I am?” I said. Don’t know why I said it like a question, other than I wasn’t sure I wanted Hermione knowing my business. I’ve always resented Hermione, because I wanted to be her so badly and she never seemed to appreciate as much as I thought she should that she got to be her. She got to live at Hogwarts and be friends with Harry and kiss Ron, which was supposed to happen to me. (D&L, p. 77).

"There's no such thing as ready", she says. "There's only willing" (N&N, p. 62). 

She raised her hand to cut me off. “I am aware of your epistolary flirtation. Which is all well and good—as long as it’s well and good. Before I ask you some questions, perhaps you would like some tea?”
Muito personagem fofo junto.
“That would depend on what kind of tea you were offering.”
“So diffident! Suppose it was Earl Grey.”
I shook my head. “Tastes like pencil shavings.”
“Lady Grey.”
“I don’t drink beverages named after beheaded monarchs. It seems so tacky.”
“Chamomile?”
“Might as well sip butterfly wings.”
“Green tea?”
“You can’t be serious.”
The old woman nodded her approval. “I wasn’t.”
“Because you know when a cow chews grass? And he or she chews and chews and chews? Well, green tea tastes like French-kissing that cow after it’s done chewing all that grass.”
“Would you like some mint tea?”
“Only under duress.”
“English breakfast.”
I clapped my hands. “Now you’re talking!”  (D&L, pp. 150/151).

We always see our worst selves. Our most vulnerable selves. We need someone else to get close enough to tell us we're wrong. Someone we trust. (N&E, p. 177).

Life fails. Songs don't always. (N&N, p. 113).


O começo do mês trouxe uma nova série distópica, Divergent. Até agora são dois os livros de Veronica Roth, com o terceiro e último previsto para 2013. Em um mundo dividido claramente em aptidões, há jovens que não se enquadram em uma facção claramente. Eles são os divergentes, e aí a confusão começa.

Eu gosto muito de distopia, e Divergent não me decepcionou. Não é wow, mas é bacana. Deixei para ler o segundo, Insurgent, perto do lançamento do terceiro, porque a espera pelos novos capítulos de série, apesar de bastante conhecida para mim, cansa às vezes. E se o livro não é insano a ponto de exigir imediatismo, vale a espera. Acho, rs. 
"It's just a simulation, Tris", Four says quietly.He's wrong. The last simulation bled into my life, waking and sleeping. Nightmares, not just featuring the crows but the feelings I had in the simulation - terror and halplessness, which I suspect is what I am really afraid of.(...)Stilll I nod and close my eyes. (p. 251).

A missão Ler Todos os Livros de Nora Roberts continuou em dezembro com os dois primeiros livros (são quatro) da série O'Hurleys - The Last Honest Woman e Dance to Piper. Nenhum dos dois foi marcante para mim, mas o primeiro alcançou o coração de uma pessoa querida. Foi assim que cheguei a essa série, numa forma de chegar mais perto de uma pessoa amada. E sabe-se lá se existe um motivo melhor para chegar a um livro? 


Mark scoffed. “You bookish little pervert.”
“Thank you, sir!” Dash said brightly. 
(D&L, p. 247).
Feliz ano novo!!!
Muitos livros, filmes, amigos, viagens... 

Essa vida engraçada...


PS: Hoje, depois de escrever o post, fui lavar as mãos. E quem encontro? Essa coincidência em sabonete : ) Qual a probabilidade disso acontecer? Btw, Dash & Lily's Book of Dares está previsto para o cinema em 2013. É torcer para a adaptação ser tão querida quanto o livro : )

PSS: Importante para a história de Dash e Lily é The Strand, livraria gigantesca na Broadway, NY. Na entrada, há o anúncio de 18 miles of books... no livro, uma discussão engraçada a respeito dessa soma. O site da livraria já é uma viagem bacana: http://www.strandbooks.com. 








Dash, short for Dashiel...

Quase um mês sem aparecer no Viagens... mas este dezembro foi mais para ver do que para escrever. Assim, antes que 2012 chegue ao fim, e 30 dias após o último post, conto aqui um poucos dos filmes que vi nesse intervalo.

Foi um mês de repetições, este dezembro. Fui dez vezes ao cinema, vi quatro filmes.

Thoooooooooooooooorin!
O Hobbit: Uma Jornada Inesperada (The Hobbit: Un Unexpected Journey. Peter Jackson, US/Nova Zelândia, 2012) não foi o primeiro filme de dezembro, mas foi, com certeza, o mais impactante. Não só pelo filme em si, mas pelo que o rodeou: a espera e a preparação para a pre-estreia foram incríveis também,e fazem parte da história que vi na tela.

E senti no coração, porque a versão HFR - High Frame Rate -, que conheci na terceira vez com O Hobbit, concretizou para mim uma fantasia que não sabia que tinha tão forte em mim. Estar dentro da ação do filme, entrar na Terra Média e ter um coração batendo forte durante três horas de espanto e maravilhamento pelo que vivenciava, foi uma experiência que não achei que fosse viver. A versão HFR teve muitas críticas da imprensa especializada. E só o que eu posso dizer é bullshit. Se aquilo não é cinema - bla bla bla bla -, não sei o que é. Se o cinema não está aí para nos levar para além do que vivemos, ao mesmo tempo em que nos confronta com o que somos, well... 

Já que ainda não cheguei à história, aproveito para dizer também que me divertem e indignam, tudo ao mesmo tempo, os protestos por Peter Jackson ter transformado um livro de menos de 300 páginas em três filmes. As suas opções foram questionadas antes mesmo de o filme ser lançado e sua foto com um money em caixa alta anda pela internet acompanhada de comentários ácidos. Sério? 

Bom, para ir na contramão dessa ideia, tenho que, finalmente, falar do filme em si. Ufa.

O Hobbit é uma história incrivelmente bem contada. Não consigo me afeiçoar a J. R. R. Tolkien como escritor, de verdade. Não consigo alcançar sua narrativa, é como se visse algo decodificado que não conseguisse compreender. Uma pena, porque amo a história. E como eu sei disso? Pelos filmes.

E quem trouxe O Senhor dos Anéis e, agora, O Hobbit para a tela? Peter Jackson, o ganancioso vilão da indústria cinematográfica que, para mim, é um leitor genial. E um tradutor para algo que não compreendia, mas que, em imagens e sons e 48 frames por segundo, criam em mim uma grande admiração e entusiasmo pela história. 

O Hobbit remete ao modo como Jackson narrou O Senhor dos Anéis todo o tempo - e isso cria uma coerência e uma unidade linda de ver e nada fácil de se realizar. O início do filme nos lembra de por que estamos ali. Além de trazer de volta, num instante, o mundo que conhecemos anteriormente. As referências são contínuas, bem construídas e nos colocam definitivamente dentro do filme. 

E isso é potencializado pela versão em HFR, que dá à história um suporte imagético que não tinha visto ainda. Meu coração ficou disparado todo o tempo. 

Peter Jackson já havia dito que há partes importantes na história de Bilbo Baggins que ocorrem em poucas linhas, mas que são ações longas. Daí uma justificativa para os três filmes, além de eles englobarem os Contos Inacabados e não só o que está em O Hobbit. Eu senti percebi isso logo quando comecei a ler o livro - uma última tentativa de chegar a Tolkien pelas suas palavras, e não só pela criação genial de um dos seus leitores mais insanos. Logo no início deu para perceber as inúmeras possibilidades... O que se confirmou quando, ao depois de ver o filme (o livro eu estou lendo a passos de tartaruga, não tem jeito), eu meio que tropecei na parte da tempestade. Se não fosse pelas imagens que vi no cinema, a luta de gigantes de pedra não teria ocorrido para mim - eu realmente preciso de tradução para Tolkien.
Watson em outras aventuras.
All was well, until one day they met a thunderstorm - more than a thunderstorm, a thunder-battle. .You know how terrific a really big thunderstorm can be down in the land and ina river-valley; especially at times when two great thunderstorms meet and clash. More terrible still are thunder and lightining in the mountains at night, when storms come up from East and West and make war. The lightning slinters on the peaks, and rocks shiver, and great crashes split the air and go rolling and tumbling into every cave and hollow; and the darkness is filled with overwhelming noise and sudden light. (The Hobibit, p. 67).
Não me entenda mal. Não digo aqui que os filmes são melhores que o filme... quem sou eu para dizê-lo?  Mas são os filmes que fazem sentido para mim, e parei de brigar com isso, na ideia de que gostaria mesmo da história se lesse o original. A origem nós fazemos também, e, para mim, a Terra Média começou com as imagens de Peter Jackson.

Outra expectativa grande para o filme era Martin Freeman como Bilbo. Eu tinha certeza que nenhuma decepção viria daí, e não poderia estar mais certa. Se todas as certezas pudesse sem assim.

The Hobbit: três vezes em dezembro, uma delas em HFR. 

A Origem dos Guardiões (Rise of The Guardians. Peter Ramsey, US, 2012) ) não foi tão esperado quando O Hobbit, mas foi uma surpresa grande. Com Guillermo del Toro na produção, eu não deveria ter me surpreendido, mas a animação da DreamWorks me cativou definitivamente. A arte é linda, a história é de cortar o coração, os personagens são geniais.

Aqui, novamente, uma reação às críticas: nos comentários no imdb, vários espectadores reclamaram da c caracterização de Papai Noel e no Coelhinho da Páscoa. Sustentaram que eles deveriam ter permanecido como eram. Uhn? E como eles são, senão o que as histórias fazem deles? Eu gostei muito da imagem dos guardiões das crianças como guerreiros insuperáveis. As tatoos do Noel são massa, o Coelhão é uma figura maravilhosa, a Fada dos Dentes é um doce e Sandman é um fofo, extremamente poderoso, como os sonhos. :E eu comprei o brinde do McLanche Feliz dos duendes, que são minions geniais. Os personagens das crianças nos lembram para quem existem os guardiões. E Jack Frost? Heartbreaking.

Diferentemente do que acontece com as animações, a versão original aqui faz muita diferença. A voz do Bicho Papão é de Jude Law, e deixa o personagem bastante assustador e intenso, o que se perdeu na dublagem em português. Eu já vi o filme várias vezes no cinema, mas mal posso esperar pelo DVD, para assistir ao original novamente. Lindo, comovente e divertidíssimo, ele já está na minha ideia dos favoritos.

Rise of The Guardians: quatro vezes no cinema, uma delas na versão legendada.

O primeiro filme do mês foi E Se Vivêssemos Todos Juntos? (Et Si On Vivait Tout Ensemble? Stéphane Robelin, França/Alemanha, 2011), a que queria muito assistir - viver junto com os amigos na velhice é uma ideia que gosto de imaginar para os dias que virão -, mas que enrolei até chegar ao cinema. E amei quando o vi. Eu não sei se consigo dizer de verdade como me sinto ao ver uma história sem concessões e, ao mesmo tempo, delicada e querida. A vida em amizades, discordâncias, amor, dificuldades, perdas. encontros inesperados é contada aqui sem o sentimentalismo usual. Os franceses estão dando lições nesse sentido - é só lembrar de Os Intocáveis. Um filme para ver com a alma, o coração e a lembrança de pessoas amadas. 

Et si on vivait tout ensemble? Duas vezes no cinema.

O último filme do ano até agora (quem sabe consigo dar uma escapada ao cinema daqui a pouco?) é Detona Ralph (Wreck-it Ralph. Rich Moore, US, 2012). Fui à pré-estreia, numa sessão lotadíssima em uma sala sem ar condicionado - no calor de fim de mundo que tem feito nesta cidade. Pensei que ia ser uma experiência horrorosa, mas três crianças amadas e uma amiga querida que ajudou a administrar, numa competência surreal ( : ), a bagunça, somados a um filme muito bacana, foi, na verdade, uma tarde divertidíssima e muito fofa. 

Detona Ralph foi o único filme que vi uma só vez este mês... mas promete repeteco para janeiro!




PS: Um dos presentes mais insanos e incríveis que já ganhei (Paty, sua doida), os DVDs de O Senhor dos Anéis em versão estendida teve um destino feliz dois dias antes da pré-estreia de O Hobbit. Amanda e Melissa, minhas sobrinhas de coração muito queridas, lindas, amadas e, claro, com um bom senso de moda ( : ), vivenciaram comigo uma maratona que estava para acontecer há tempos, em outras circunstâncias, mas que sempre morria na prais: os três filmes de LOTR em versão estendida num dia só. Foram quinze horas no total, café da manhã, almoço e jantar e sorvete, e uma incrível imersão na história antes de chegar à Terra Média again. Incrível e feliz. 

Ficou uma dúvida, no entanto. Li, à época das filmagens, que Hugo Weaving, o Elrond, fez uma piada com Viggo Mortensen à época de O Retorno do Rei: colocou os óculos do Agente Smith durante a gravação de uma das cenas. Conta a lenda que ninguém conseguiu mais trabalhar naquele dia. Mas eu não acho a cena nos extras ou na internet. Alguém teria alguma notícia a respeito?


sábado, 1 de dezembro de 2012

Nos últimos minutos de Novembro...

.... os primeiros filmes do mês.

Amanhecer Parte 2 foi um evento de tal porte que atropelou os filmes e livros que vieram antes dele neste mês. E antes que Dezembro chegue - daqui a pouco -, eu os trago aqui.

Novembro começou com Diário de Um Banana: Dias de Cão (Diary of a Wimpy Kid: Dog Days. David Bowers, US/Canadá, 2012), filme obrigatório com a minha sobrinha. Principalmente por ela e por uma amiga, passei a gostar muito da série. Neste, o mais divertido é sem dúvida Rodrick, personagem que tem crescido muito, uma figura divertidíssima. O cover de Baby, de Justin Bieber, me levou ao riso histérico e à vontade de ver o filme novamente. Só ainda não tive ânimo de chegar aos livros.

Seu fofo!!!!
Frankenweenie (Tim Burton. US, 2012), foi o próximo, e um amor imediato. Bom, na verdade, já cheguei ao cinema gostando demais do filme, numa pré-disposição difícil de não ter quando se trata de Tim Burton, para mim. Bom, eu já me decepcionei com ele, infelizmente... mas não dessa vez - sempre um alívio. O filme é fofo, num ritmo e estética diferentes, que dizem muito por si só. O filme tem sua história num tempo atual, mas toda a estética é dos anos 50. O atraso e conformismo de uma época que se acha tão moderna, mas está cada vez mais retrógrada. Amei.

Argo (Ben Affleck, US, 2012) foi uma surpresa boa. O filme está muito elogiado, mas é aí que tenho mais medo do que vou ver. Há muitas críticas também, mas não saí do filme com elas. Ele é empolgante, inteligente, inacreditável - uma missão secreta divulgada apenas no governo Clinton é a base do filme. E, fora alguns furos pequenos na direção e no uso da trilha sonora, Ben Affleck promete melhores dias como diretor. 

Engraçado, ontem escrevi que sua estreia na direção tinha sido excelente... até me alertarem que, na verdade, ele já havia dirigido outros dois filmes. A minha memória é um horror; eu passei a tolerar Ben Affleck faz bem pouco tempo (não o aguentava, de verdade)... mas, mesmo assim, me espantei com o esquecimento. De The Town (Atração Perigosa, 2010) eu gostei, embora tenha achado banal. Ao pesquisar para este post, interessou-me o seu primeiro curta na direção, ainda quando era estudante (como denuncia, aliás, o título): I Killed My Lesbian Wife, Hung Her on a Meat Hook, and Now I have a Three-Picture Deal at Disney (1993). Gone Baby Gone (Medo da Verdade, 2007) também foi bastante elogiado, mas como ainda é da época em que eu torcia para Affleck se tornar corretor de imóveis, não cheguei nem perto. Agora, talvez, quem sabe... ? 

Geralmente não me entusiasmo muito por shows no cinema - o conceito é legal, mas como shows são meus lugares favoritos no mundo, além de certas cidades (Bonjour, Paris), eles sempre acaba deixando por desejar. Mas como documentários são incríveis. E foi isso que percebi em Queen - Hungarian Rhapsody, filmado em Budapeste, 1986. Inacreditavelmente, eu nunca havia visto uma entrevista com  Fred Mercury, muito diferente e divertido fora dos palcos. Só por isso, já valeu. Mas o show, mesmo com a péssima qualidade da gravação, foi lindo e emocionante. 

No dia da pré-estreia de Amanhecer Parte 2, resolvi assistir a Crepúsculo (Twilight. Catherine Hardwicke, US, 2008) no cinema, numa maratona da saga realizada pelo Cinemark. Fui com minha sobrinha, e como já vimos o filme várias e várias vezes, foi uma falação durante toda a sessão. Fora um moço estranho que saiu no meio do filme, o cinema estava vazio, assim, a conversa pode ir longe. E, por mais que este primeiro seja um dos mais mal feitos da série, ele sempre me traz um sorriso e uma certa melancolia, algo que os outros ficam longe de conseguir. 

As Palavras (The Words. Brian Klugman, Lee Sternthal. US, 2012) é o exemplo do que pode fazer uma história bem contada. O enredo é quase banal, se formos pensar linearmente. Mas o modo como a narrativa é desenvolvida é tão vivo e se assemelha tanto à leitura de um livro (como eu amo quando isso acontece), que eu fui ficando por ali, extremamente feliz de estar no cinema - uma vivência que, por mais rotineira que seja, nunca se torna banal, principalmente diante de filmes bem cuidados como é As Palavras. Numa época em que tenho sentido a pressa sobrepor-se à delicadeza nas produções cinematográficas, esse cuidado com a história é uma boa surpresa.

As séries também foram foco na literatura. Além da bizarrice assustadora dos já citados no post anterior, cheguei a duas outras séries em novembro. 

Black Dawn é o 12º livro de uma série por que tenho muito carinho, Morganville Vampires, de Rachel Caine. Os personagens principais são ótimos e fofos, e são um quarteto, não um triângulo (embora ele ocorra de forma mais secundária, como não pode deixar de ser). Os personagens secundários são bons também e crescem a cada capítulo. Mas por este último eu me arrastei, o que é uma pena. A autora já anunciou que serão 15 volumes, e espero que ela consiga chegar até lá com um mínimo de dignidade -  o que acho bem difícil, infelizmente. 

Uma amiga querida, e a livreira mais amada e amável que conheço, chegou à cidade para uma visita. Ao separar uma série de vampiros para emprestar a ela, eu resolvi ler - ao contar que tinha uma vamp série comigo há uns dois anos sem ler, ela não acreditou. Como assim não leu? Bom, sobre a família Argeneau, saga escrita por Lynsay Sands, eu já havia lido Love Bites, mas não me entusiasmei muito. Não é ruim em si, mas bastante semelhante a muita coisa que já li. Depois do fiasco com alguns livros em novembro (...), eu resolvi  dar uma chance à série - que tenho lido fora de ordem, como gosto de fazer com séries que não são tão importantes (essa inversão no tempo pode ser muito divertida). Bite Me If You Can e Single White Vampire continuam a girar em torno dos membros imortais da família Argeneau e suas almas gêmeas, ainda sem muitas surpresas, mas sem nada terrivelmente infame também. 

E assim, chegamos a Dezembro... Wake me up quando o mundo acabar.




quinta-feira, 29 de novembro de 2012

The arms of bad dreams

Há duas semanas, eu vivia uma mobilização digna de véspera  de Natal: o último Twilight estava em pré-estreia no cinema e era dia de festa. Internet pifada e  uma certa impaciência com os filmes, além da pancada de alguns livros surpreendentemente assustadores, me fizeram contar essa história aqui um pouco atrasada.

Há quatro anos, depois de ler os livros de Stephenie Meyer, eu conheci a sessão da meia noite no Cinemark sozinha. Já havia comprado meu ingresso há uns dias, mas sem muito estardalhaço - poucos amigos haviam lido a série àquela época. Cheguei ao Shopping um pouco antes da sessão e encontrei, para a minha surpresa, a sala lotada. Ali, numa cadeira vaga na primeira fileira entre desconhecidos, presenciei uma das projeções mais divertidas da minha vida. A cada personagem apresentado, gritos entusiasmados me rodeavam. Claro, eu gritei um bocado também – ia perder a diversão? E amei, ao contrário de uma sessão usual, ouvir os comentários, críticas e surpresas ao meu redor. Me senti em casa, num filme mal produzido e com pessoas que nunca havia visto antes.
Para Lua Nova, no ano seguinte, já comprei dois ingressos. Convidei a Paty, dessa vez, também em cima da hora. Chegamos um pouco mais cedo, compramos pipoca e sentamos novamente na frente. Na sala lotada, os gritos foram mais entusiasmados - principalmente quando Ed tira a camisa ao final, rs -, e a gente se divertiu muito, enquanto discutia se este novo filme era melhor que o anterior.
Em Eclipse, já foram oito ingressos e amigos amados de diferentes tribos num mesmo lugar. Chegamos cedo, lanchamos antes, entramos na sala já preparados para a quantidade de pessoas. Separados, vimos aquele que, para mim, foi o pior da saga. No entanto, na saída, já de madrugada,  a discussão a respeito era grande. A festa dos próximos anos estava instalada.
E em Amanhecer Parte 1 ela já era oficial e obrigatória, com 9 pessoas dessa vez, cada vez mais ansiosas para a pré-estreia. Assim que os ingressos eram liberados para pré-venda, eu mandava um SMS para as partes interessadas. Chegamos mais cedo novamente, mas sem pressa, porque, dessa vez, o cinema tinha lugares numerados. Eu sentei numa cadeira à frente, destinada ao acompanhante dos cadeirantes, porque, apesar do planejamento, faltou um lugar. Gosto de ficar na frente, não me importo de assistir ao filme sozinha, e, assim, vi esse capítulo da série quase dentro da tela. Uma belezinha.


Edward harassing Bella... Pense. 
Com esse ritual criado nos últimos anos, a preparação para Amanhecer Parte 2 (Twilight Saga: Breaking Dawn Part 2. Bill Condon, US, 2012), o último filme da saga, não foi pouca. No Cinemark não havia previsão de sessão à meia-noite. Comprei ingressos para outro cinema, e os vendi depois, para manter a tradição da pré-estreia no Cinemark. A sala XD já estava lotada, então sem lugares marcados dessa vez – como a gente se acostuma com o que é bom rápido... Chegamos bem mais cedo dessa vez e, como a fila estava pequena, resolvemos lanchar ali mesmo, num pic nic com espectadores bem diferentes, muitos deles se encontrando apenas uma vez ao ano.
Lugar legal garantido, a ordem era aproveitar essa última oportunidade. Eu me diverti muiiiiiiiiiiito, e acho que não fui a única.  Na sessão mais divertida ever, no entanto, o filme foi o que menos entusiasmou.
Aos dez minutos de Breaking Dawn Part 2 veio uma vontade visceral de sair da sala. Uma das partes mais importantes do livro e esperadas no filme, o despertar de Bella como vampira, passou num piscar de olhos. Quando eu vi que este, como os anteriores, ia ser uma vergonha de adaptação para o cinema, meu coração encolheu, minha irritação foi grande e passei a me conformar mais uma vez, como nos anos anteriores, que Crepúsculo no cinema simplesmente não era para ser. Desde o primeiro filme.
Não digo que a gente não se divirta – principalmente na sessão histeria : ) -, mas a história dos livros não está ali.


São tantas coisas, acho que daria para escrever um livro sobre o que encontro de ruim nos filmes. Mas o principal fator, para mim, é que os responsáveis pela adaptação não embarcaram nos livros.
A história de amor em Crepúsculo envolve muita cafonice. It is cheesy, vamos dizer assim. Essencialmente. Mas também é intensa, doce, comovente... se não fosse, não alcançaria tantas pessoas da forma como o fez. As pessoas embarcaram no livros por diferentes razões.... e, para mim, nenhuma delas se encontram nos filmes. Os livros de Stephenie Meyer foram bastante criticados e ridicularizados... mas não poderia ter sido assim com quem se comprometeu a levar ao cinema uma história cara a muitos. Sem abraçar a cafonice, não é possível contar a história. E a pretensão dos envolvidos nos filmes foi bastante grande para que isso acontecesse. Uma exceção são alguns atores envolvidos depois do primeiro filmes. Michael Sheen, um ator excelente, não teve medo ou vergonha de dar voz e rosto a Aro, e o fez muito bem. Expandiu o personagem sem receios – como deve fazer, a meu ver, um ator comprometido. Os vampiros convidados ao final também se dedicaram de uma forma maior,  como também receberam uma interpretação mais próxima do que são no livro.
Saudade de Lee Pace em Pushing Daisies :)
O que é secundário na história, no entanto, nunca foi um problema. O empecilho maior foi levar para as telas o que seria o amor de Bella e Edward.

Melissa Rosenberg é uma roteirista perfeita em Dexter. A ironia, a falta de condescendência com os personagens, os diálogos afiados... great. O que eu não entendo é como ela chegou a Crepúsculo e estabeleceu residência numa história que não a alcança, a meu ver. Desde o início, nas entrevistas, o assunto principal era com havia sido necessário cortar os diálogos mais cafonas... Ficou evidente, para mim, que ela não suporta a história e tentou muda-la de acordo com o que acha mais plausível.  E embora toda adaptação cinematográfica de um livro seja, sim, uma interpretação, o comprometimento com a história e os personagens principais não pode e não deve estar ausente. Pois foi justamente isso que Rosenberg primeiro deixou de lado nos seus roteiros. E, depois de fazê-lo, mudou os personagens sem maiores pudores, colocando-os em situações que podem parecer interessantes em termos de ação, mas que contradizem explicitamente a história dos livros.
É assim quando Edward entra em confronto físico com a família em Denali, por exemplo. Ou quando, diante de uma Bella angustiada e apavorada com o futuro, propõe um banho básico e começa tirar a sua roupa - tá de brincadeira. Ou, ainda, quando faz cara de apavorado ao levar os choques de Kate para ajudar Bella a expandir o seu escudo. Edward é essencialmente um mártir, ama um sofrimento, e Rosenberg ou Pattinson podem achar ridículo isso – eu também acho -, mas é quem ele é. Sempre, sem exceção. A cena dele nervoso com a incapacidade de projeção da Bella pode ser divertida, mas contradiz muito quem conhecemos nos livros. E essa contradição desnecessária me afasta do que vejo na tela e me frustra.
Não ajudou em nada a escalação de um protagonista que não entende o que está interpretando. Veja, eu gosto de Robert Pattinson e torço por ele, mas tenho vontade de dizer poucas e boas quando ele esculhamba com a história ou com o seu personagem. Não gosta do que faz? Na boa, parte para outra e abre espaço para quem consiga se comprometer. Porque, por mais que pareça bobo, há pessoas out there que gostam da história e querem vê-la bem produzida na tela.
Outra questão são os efeitos nada especiais. Eu teria vergonha de ter o meu nome na equipe, sinceramente. O robozinho Renesmé é um horror. O rosto que é partido ao meio e mostra a borracha que se parte é digno dos mais amados filmes B, mas não cabe aqui. Bella correndo com a tela por detrás, em evidente justaposição, ia causar horror até a Georges Meliès. Hoje se consegue colocar Brad Pitt com 16 anos na tela de forma convincente, mas não se consegue tirar a sombra de barba de Pattinson e os outros vampiros? Brincadeira de novo. No primeiro filme, eles tinham a desculpa, esfarrapada aliás, do baixo orçamento. Mas agora? No way.
Assim que, quando cheguei a casa, às três horas da manhã de quinta-feira, não consegui dormir. Escrevi as conversas que tivemos ao final do filme no imdb.com, para tentar elaborar melhor o que havia visto. Sim, eu levo as histórias bastante a sério e dou, para elas, um lugar de destaque nos meus dias. Por isso é tão difícil ver algo de que gosto tratado com tanto descaso. Eu sei que há defeitos, eu não os renego. Assumo o que me incomoda nos livros de Meyer e abraço o que faz sentido para mim. Porque a ficção precisa fazer sentido... É esse sentido que nos leva a nos importar com os personagens, a esperar o que acontecerá com eles. E ver esse sentido ser jogado na lata do lixo por razão nenhuma é triste. Uma frustração eu estou feliz de haver chegado ao fim, pelo menos por enquanto.


Além das perucas, uma pesquisa básica para os
índios brasileiros não aparecerem a la Pocahontas...
Alguns fatos que, além do essencial exposto acima, me incomodam bastante nas adaptações da saga no cinema:
. A maquiagem é bizarra até o quarto livro. Quando Carlisle aparece a primeira vez, é inacreditavelmente ridículo. Sério, people? E a peruca de Jasper e Rosalie em New Moon não existe. Sério? Peruca ruim? Ugh.
. Importante para entender Bella e como ela não pensa nela é o modo como ela assume os cuidados com Charlie quando se muda. Que ela assume a casa, cozinha para Charlie, não é apenas um detalhe. Kristen Stewart disse em uma entrevista como gostaria que isso tivesse sido colocado no filme. Tá, e por que não foi? Ugh again. Do mesmo modo, outros personagens ficam totalmente desconfigurados... Edward, para mim, é o pior deles.


O melhor era ficar escondida.
. O brilho suado do primeiro filme retorna no último. Apesar de eu gostar muito como Bill Condon, que, na direção dos últimos dois capítulos, se preocupou, diferentemente dos outros, em criar um vínculo com o primeiro filme da série – o uso da trilha sonora é bonito nesse sentido -, ele não precisava se apegar logo ao que este tem de pior – sweaty Bella para combinar com sweaty Edward. Fala sério, eu só percebi que ela brilhava na terceira vez em que vi o filme.
. A última trilha sonora é bastante fraca, principalmente se comparada com as demais. Lua Nova tem uma das melhores, mesmo que bastante mal utilizada – Anya Marina e Muse aparecerem em segundos é um desperdício gigante. Mas, como disse antes, há momentos: Flightless Bird no casamento e A Thousand Years  ao final cria um vínculo que se mostra, no entanto, ausente na maior parte dos filmes.


. Uma das falas mais bizarras é quando Bella refere-se ao seu suposto superpoder de autocontrole num diálogo perdido e sem sentido... uma explicação que, para quem não leu o livro, é importante e toma boa parte do pensamento da personagem. Quando Bella e Edward voltam de sua primeira caçada, essa fala caberia perfeitamente e tiraria a expressão de idiota de Bella aos comentários de Ed sobre como ela consegue se controlar. Um momento estranho que faria sentido com uma frase. Esse foi um exemplo, mas são muitas as situações bizarras que teriam uma solução simples para fazerem sentido. 


... e assim vai. E há muito ainda, mas a verdade é que eu cansei de pensar nos filmes da Saga e em como eles são ruins. Aliviada que eles chegaram ao fim, eu, no entanto, espero que, daqui a uns anos, eles sejam readaptados de uma forma melhor e mais honesta. Quem sabe? Agora é torcer para The Mortal Instruments, adaptação dos livros de Cassandra Clare, não ir para o ralo cinematográfico também...
 Depois do sucesso de Fifty Shades, alguns novos livros vêm com uma etiqueta brilhante em que se lê: If you liked Fifty Shades, you will love... Ao chegar a alguns desses livros, pensei o seguinte:
A curiosidade pode até não matar o gato, mas deixa arranhões indesejáveis.
Outra coisa de que lembrei foi de uma vez em que resolvi experimentar cerveja de gengibre em Londres. Quando abri o sanduíche que havia comprado, ele vinha com muito, mas muito gengibre. O resultado foi um efeito dragão. A boca parecia pegar fogo. Ainda meio atordoada com a overdose, um amigo me disse: Dri, acho legal que você sempre procure experimentar o que não conhece, mas às vezes você se dá realmente mal...
Tudo isso para contar que eu me dei definitivamente mal ao chegar a alguns dos livros que tentam capitalizar no sucesso de Fifty Shades. Já havia lido a série Crossfire, de que falei no post anterior, e não estava muito entusiasmada para seguir essa trilha. Mas curiosidade é meu segundo nome, e assim, cheguei a algumas indicações da Amazon.
A minha vontade foi sair correndo, gritando, abando os braços, apavorada. 

On Dublin Street, de Samantha Young, não causou maiores danos ou trouxe grande surpresas. É uma história bastante usual, que tem o diferencial de se passar em Edimburgo, Escócia. Nele, gostei das várias referências a YA books, principalmente os distópicos. A série em dois capítulos de Sylvain Reynard, Gabriel’s Inferno e Gabriel’s Rapture, é mais complicada. A autora fez do protagonista uma junção literal de Edward Cullen e Christian Grey, o que, no mínimo, traz uma confusão e confirma para mim como a literalidade é sempre um problema. Com a jornada ficando mais complicada, cheguei a Sadie Mathews e sua série After Dark, da qual só li o primeiro livro, Fire After Dark. Os personagens são tão ruins, as situações a La Fifty tão forçadas e rasas que nem a minha curiosidade insana deve me levar ao segundo capítulo - e a tentativa de ir além na situação do dom se tornando sub é catastrófica de tão ruim. Mas o tiro de misericórdia que me fez duvidar da própria sanidade foram os livros de Vina Jackson (dois autores sob o mesmo pseudônimo), Eight Days Yellow e Eight Days Blue. Apesar das duas estrelas na Amazon dadas ao primeiro livro, eu gostei do início. Os personagens têm seu contexto bem apresentado... eu estava me entusiasmando com a história quando a vaca foi par ao brejo total.
Fifty Shades, apesar do rebuliço que tem causado, é uma história de amor bastante tradicional – e por isso mesmo o sucesso. Ela, apesar do erotismo explícito, adequa-se aos leitores de classe média com bastante tranquilidade. Pode causar uma discussão aqui, um espanto ali, ou trazer aspectos realmente desafiadores, como foi para mim, mas é uma história adequada, vamos dizer assim. Permite discussões, mas não é essencialmente transgressora. Ao apresentar situações mais extremas, a série Eight Days também não transgride, como acho que seria a sua intenção... mas agride. E muito.  Sua perversidade não é aquela das histórias que nos fazem sair da comodidade, mas sim de uma maldade sem sentido – e a ficção precisa fazer sentido, principalmente quando pretende transgredir. Quando fechei o segundo livro, queria apenas tirar aqueles personagens imbecis e as imagens horrorosas da cabeça. Um horror.

Vou esperar um tempo para ler Sleeping Beauty Trilogy, escrita por Anne Rice sob pseudônimo em 1983 - ela me foi recomendada pela Ritowski, guru de indicação de livros, após conversarmos sobre o terror que foram os livros na semana passada. Com o sucesso de Fifty Shades,  a série de Rice retorna ao foco. Mas com as imagens que tenho na cabeça agora, é melhor ler outras coisas. Pollyana, por exemplo. 


 PS1: Quando conversamos sobre adaptações de livros para o cinema, geralmente a frase "mas o livro é sempre melhor que o filme" faz sua aparição obrigatória. Eu gostaria de discordar, mas o que vemos no cinema geralmente nos faz concordar. Mas algumas surpresas acontecem uma vez ou outra. Uma delas, e a de que gosto mais, é a versão de Orgulho e Preconceito dirigida por Joe Wright. Quando Darcy pede Liz em casamento, numa construção maravilhosa envolvida pela chuva, não estão ali literais as palavras de Jane Austen literalmente, mas a história que ela conta aparece perfeita em imagens. Mas eu desconfio que Joe Wright seja um grande leitor... e assim consegue contar do livro em imagens e sons de uma forma muito bonita. 

PS2: Hoje fui assistir a Amanhecer Parte 2 pela sexta vez... então. Em casa sessão, vou com um amigo e é uma diversão, apesar do filme cansar bastante. Hoje fui com minha sobrinha de 8 anos, que via pela segunda vez. Os comentários dela foram ótimos. E se uma criança consegue ver todo o ridículo de um filme e expressar como ficou desapontada, como as pessoas que o fazem não conseguem perceber o que não funciona? Ao final, saímos do cinema com ela puxando minha mãe apressada, enquanto, na tela, corriam os créditos ao som de The Forgotten - o título deste post, aliás, vem da música de Green Day. 


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

The Love we think we deserve


And all the books you've read have been read by other people. And all the songs you've loved have been heard by other people. And that girl that's pretty to you is pretty to other people. And you know that if you looked at these facts when you were happy, you would feel great because you are describing "unity."
(The Perks of Being a Wallflower, p. 72).


Depois de um mês agitado, no finalzinho de outubro houve ainda alguns livros e filmes que fizeram parte dos meus dias. Aqui estão eles.

Depois de ter gostado muito do filme As Vantagens de Ser Invisível, cheguei ao livro de Stephen Chbosky - no dia seguinte, aliás. Algumas histórias demoram a desgrudar da alma, e foi assim com ele. Dessa forma, o livro veio como forma de conversar mais e melhor com o que vi no cinema. 

The Perks of Being a Wallflower foi bem adaptado ao cinema, e isso eu percebi logo de início. Na verdade, o filme consegue trazer a história de Charlie, Sam e Patrick com uma maior delicadeza que as palavras de Chbosky. O livro tem um peso que o filme retira, deixando apenas a força da história.  As cartas de Charlie em palavras - por elas nós o conhecemos - chegaram a cansar um pouco, na verdade. O livro é muito bom, não me entenda mal, há diálogos fantásticos. Mas o filme conseguiu superar, a meu ver, o que o livro trouxe de over. O que surge como inocência, por exemplo, nem sempre soa assim para mim - o filme conseguiu, a meu ver, trazer essa inocência com uma força incrível que o livro traz em peso. Talvez isso ocorra por um perigo que se apresenta quando contamos uma história: a ansiedade de defender uma tese. Quer-se mostrar algo e, em vez de se intrincar no que isso significa, o que prevalece é o tom professoral de defender um ponto. Sempre um desperdício do que poderia ser uma  boa história.

Ou talvez não seja somente a narrativa, mas sim eu gostado tanto da forma como o filme conta a história.... não há como voltar atrás e ler o livro primeiro. Essa é sempre uma escolha que faz parte do encontro com as diferentes formas de narrar: o que ver, o que ler, como ler... a ordem, o dia, o lugar... O que somos, conhecemos, do que gostamos, tudo faz parte. Esse des-vínculo é impossível. Então, pensar no que seria não serve muito de nada - mas a questão sempre fica. 

De qualquer forma, a história é linda e se aproxima do que li nos livros de John Green. É um olhar para a adolescência, a vida, o ser humano muito querido, e eu fico bastante feliz de ver como as histórias têm conseguido se aproximar do que encontramos no viver - e como trazem a importância dos livros, filmes e músicas em como nos situamos no mundo. Tudo de forma intensa, doce e, sempre um presente, honesta.
Bill smiled and continued asking me questions. Slowly, he got to "problems at home." And I told him about the boy who makes mix tapes hitting my sister because my sister only told me not to tell mom or dad about it, so I figured I could tell Bill. He got this very serious look on his face after I told him, and he said something to me I don't think I will forget this semester or ever.
"Charlie, we accept the love we think we deserve."

I just stood there, quiet. Bill patted my shoulder and gave me a new book to read. He told me everything was going to be okay. (Pp. 19/20). 
Then, everyone asked what my last gift was, and I told them it was a poem I read a long time ago. It was a poem that Michael made a copy of for me. And I have read it a thousand times since because I don't know who wrote it. I don't know if it was ever in a book or a class. And I don't know how old the person was. But I know that I want to know him or her. I want to know that this person is okay.
So, everyone asked me to stand up and read the poem. And I wasn't shy because we were trying to act like grown-ups, and we drank brandy. And I was warm. I'm still a little warm, but I have to tell you this. So, I stood up, and just before I read this poem, I asked everyone if they knew who wrote it to please tell me.

When I was done reading the poem, everyone was quiet. A very sad quiet. But the amazing thing was that it wasn't a bad sad at all. It was just something that made everyone look around at each other and know that they were there. Sam and Patrick looked at me. And I looked at them. And I think they knew. Not anything specific really. They just knew. And I think that's all you can ever ask from a friend. (Pp. 49/50). 

Anyway, Mary Elizabeth and I went to see a movie downtown. It was what they call an "art" movie. Mary Elizabeth said it won an award at some big film festival in Europe, and she thought that was impressive. As we waited for the movie to start, she said what a shame it was that so many people would go to see a stupid Hollywood movie, but there were only a few people in this theater. Then, she talked about how she couldn't wait to get out of here and go to college where people appreciate things like that.

Then the movie started. It was in a foreign language and had subtitles, which was fun because I had never read a movie before. The movie itself was very interesting, but I didn't think it was very good because I didn't really feel different when it was over.

But Mary Elizabeth felt different. She kept saying it was an "articulate" film. So "articulate." And I guess it was. The thing is, I didn't know what it said even if it said it very well. (P. 93).


I just wish that God or my parents or Sam or my sister or someone would just tell me what's wrong with me. Just tell me how to be different in a way that makes sense. To make this all go away. And disappear. I know that's wrong because it's my responsibility, and I know that things get worse before they get better because that's what my psychiatrist says, but this is a worse that feels too big. (P. 106).

Depois de Wallflower, eu resolvi mudar um pouco de paisagem. E como precisava dar um impulso para o início da dieta ( : ), resolvi ler os dois primeiros livros de uma série que, conforme li e achei que correspondia ao que vi, resolveu capitalizar em cima do Fifty Shades. Ao ler este último, eu perdi 3 quilos... quem sabe conseguia novamente?

Consegui, mesmo que os livros de Sylvia Day, Bared to You e Reflected in You, da série Crossfire (o terceiro será lançado em maio de 2013),, não cheguem perto da visceralidade dos livros de E.L. James. 

Para não deixar dúvidas sobre a inspiração... 
Capitalizar em cima de um sucesso parece algo apenas comercial, e pode ser que predominantemente seja. No entanto, eu penso que traz algo que é essencial: a discussão sobre o que nos toca e o que achamos. Leitores e espectadores constroem muito das histórias que leem e veem em conversas, quando dizem se suas impressões e sentimentos a respeito. Os escritores fazem isso também, nas obras que aparecem na esteira dos grandes fenômenos. Assim foi com Twilight... e Fifty Shades, originalmente uma fanfic do primeiro, está trazendo outras histórias consigo. E nelas, algumas questões são discutidas com mais atenção, outras surgem e algumas coisas criticadas anteriormente aparecem de forma diferente.

Day apresenta o seu perturbado e sofrido herói milionário, Gideon Cross, em um relacionamento com a também perturbada e sofrida - e não tão pobre assim - Eva. Os personagens secundários aparecem com maior importância, e são igualmente sobreviventes de agressões na infância e adolescência.

O que quebra violentamente, para mim, todo o valor que teria essa tentativa de intensificar e tornar mais realistas seus personagens foi  o que disse também quanto a Wallflower: a defesa de uma tese pode prejudicar o que, se diferente, poderia ser uma história bastante bacana. 

Outro prejuízo é a prevalência das situações ao desenvolvimento dos personagens. Absurdos acontecem só porque a autora deve tê-los achado interessantes como trama. Mas aí o que Gideon poderia ser, por exemplo, se perde numa bizarrice que faz o personagem perder todo seu sentido. Outro exemplo é Eva: uma personagem feminina que é apresentada em contraposição a Ana, de Fifty: mais forte, sexualmente experiente, independente... mas que se perde nas teses de Day. 

Porque uma coisa é certa: a ficção precisa fazer sentido. Esse sentido não diz respeito somente a uma narrativa tradicional, num final que explique, em ações que se justifiquem. Nem sempre compreendemos o que faz sentido... Não é disso a que me refiro.  Esse sentido relaciona-se, mais, a uma percepção de vivacidade, de que há vida na história e seus personagens. Quando Day tenta colocar situações excitantes e extremas, muitas vezes ela perde seus personagens de vista. E isso é uma pena, porque há possibilidades muito interessantes ali. 

No cinema, o último filme do mês foi Skyfall (007 - Operação Skyfall. Sam Mendes, Uk/US, 2012). Eu amo de verdade Daniel Craig como 007. E neste último, em que detalhes do personagem aparecem em um dos meus cenários favoritos, isso ficou mais claro. Achei incrível que nenhuma das surpresas do filmes tenham escapado nas reportagens que li. O que reafirma como é bom quando chegamos no cinema e nos surpreendemos...! 




PS1: Com a estreia de Breaking Dawn Part 2, foi lançado um vídeo do Green Day com uma das músicas da trilha sonora. Eu tenho de confessar que, apesar de tudo de bom que já ouvi a respeito de GD, e mesmo sabendo do seu destaque na música há bastante tempo, eu nunca me atraí muito por conhecê-los. Mas a semana passada poderia ser chamada de Green Day Week na história dos meus dias.

No segundo livro da série Crossfire, Eva e Gideon vão a um show de rock. Eva não sabe, claro, mas  a banda é sua conhecida - o vocalista foi uma pessoa importante para ela. Numa cena particularmente bizarra, há uma música e a letra é transcrita no livro. Eu sei lá por que, ao lê-la, eu pensei no Green Day. Vai entender - bom, eu acho até que entendo. Alguma referências nós assimilamos e reconhecemos, mesmo que não conscientemente. Assim, para adiantar fim do causo, depois, ao pesquisar sobre GD, eu vi que há semelhanças mesmo com o que li. 

No dia seguinte, surgiu o vídeo acima, e a minha sensação aumentou. No mesmo dia, eu li que Rachel Evan Wood havia casado com Jamie Bell, ator de Billy Elliot. Eles voltaram a namorar depois de terem ficado juntos após a gravação de um vídeo (que é lindo) para (advinha???) o Green Day há sete anos e ela o haver abandonado por Marilyn Manson.

Assim que GD apareceu com força nos meus dias na semana passada, e eu não sou de virar as costas para isso. Busquei outras músicas, vi um show no youtube e posso dizer que estou no caminho de gostar bastante deles : )