quarta-feira, 1 de junho de 2011

Movimento de Proteção aos Personagens de Ficção

Watch Out! Este post está furioso.



Cada vez mais eu penso que, se a pessoa não é George Martin, J.K Rollings ou Marcel Proust (tudo bem, agora apelei), deveria seriamente comprometer-se a escrever apenas trilogia ou, no máximo, uma saga com quatro livros. Nada de lucrar às custas do nosso coração. Personagens e histórias que amo eu vejo se derreterem e virarem uma gosma sem graça na tentativa dos autores de estenderem seus sucessos de venda.  

Foi me sentindo assim que fechei a útlima página do 11º livro da série Sookie Stackhouse, que deu origem à série de TV True Blood (outra que está se desmanchando).  Charlaine Harris tem heroínas interessantes, nonsense e engraçadas (só mulheres brutas, segundo a Rita), em hístórias divertidas e bem escritas. As séries Lily Bard Shakespeare e Aurora Teagarten duraram cinco e oito livros, respectivamente. Foram ótimas, acabaram antes de se tornarem amebas. A série Harper Connely eu não li, mas durou apenas quatro volumes. Então. A pergunta fica: por que Sookie, a personagem mais legal de todas, junto com Eric e Pam, tem de se estender em uma choradeira sem fim, conseguindo obscurecer até os livros anteriores?

Sim, porque o final é fundamental. Não é tudo, mas é essencial à construçao de uma história. Píer Paolo Pasolini já dizia que a edição final da vida de uma pessoa é a morte. Somente ali pode-se fazer um apanhado da sua vida. Um filme também apresenta todas as suas possibilidades ao fim - que pode nos deixar abobados de felicidade por estarmos no cinema, incorformados com o descuido dos realizadores, indiferentes com o que vimos...  Assim também com as séries. Uma sequência ruim - principalmente se for a última - pode obscurecer nosso entusiasmo com o que lemos anteriormente. Da mesma forma, um final incrível consegue amplificar toda a experiência que tivemos com o livro (Hello, Harry Potter).

Outro perigo que pode ocorrer é ultrapassar-se a linha tênue entre o bizarro e o grosseiro sem graça. Na tentativa de criar novas situações, há o sério risco de se perder na própria falta de noção. Em Sookie 11 esse descuido aparece em alguns momentos - eu o senti também na terceira temporada de True Blood (e a foto abaixo diz muito a respeito). Situações absolutamente desnecessárias são colocadas como ousadia. E aqui não se trata de falar do que é politicamente correto, mas do que é humanamente digerível.

Dead Reckoning é boring boring. Sookie se lamenta muito (hum?), Eric está meloso (????), Pam se apaixona e adquire um coração (putz) e Bill volta para a parada. Um personagem com muitas facetas é interessante e surpreendente; um personagem mal construído é outra coisa. Harris, minha querida (eu realmente estou beligerante), uma trama com reviravoltas é uma coisa, manipulação é outra. Please, please, please, não transforme a Sookie numa personagem normal. Ew.

Bom, nem tudo são protestos e indignação. Uma surpresa foi encontrar Lily e Jack, de Shakespeare, em Bon Temps. Meio forçado, mas legal anyway. Eles haviam aparecido em um livro anterior, mas não juntei o nome à pessoa (começão de mosca númeo 285).

Algumas frases de Sookie que se salvaram nesse episódio da sua saga...

"... I don't think God would ever want you to let yourself be beaten to death." Though I was not at all sure what God would want. I probably meant, I think it would have been dumb as hell to let yourself be killed. (p. 61).

The tableau was a poster of what conservataive humans feared most: the corrupt vampire seducing the youth of America, inducting them into orgies of bisexuality and bloodsucking. (p. 77).

Did you have a magic word to open it?
"Abracadabra," I said. "Please and thank you." (135).

"Sookie?" he murmured.
"Bill, thank god you're awake."
"You're unclothed."
Trust a man to mention that first. (p. 226)





6 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Olá, Adriana! Vez ou outra dou uma espiada no seu blog e acabo nunca me manifestando. Primeiramente, quero dizer que adoro a proposta desse espaço, suas palavras, seu jeitinho de escrever... Lembro-me com carinho das aulas que tive com você na UnB durante o seu mestrado =) E lembro-me mais ainda de como sempre me identifiquei bastante contigo em suas colocações sobre a sétima arte e as outras artes, em geral. Ao ler agora sobre a saga da Sookie, não pude deixar de concordar com sua indignação. Parece que estamos numa terrível fase de "trilogias" (e por trilogias quero dizer continuações intermináveis). Ou autores parecem não querer dar um fim digno aos seus personagens e suas histórias. Prolongam, arrastam e, finalmente, esgotam suas narrativas, aniquilando a integridade da obra inicial e reduzindo a quase nada tudo que um dia foi uma boa idéia. Penso na frase que diz que "a importância da posteridade recompensa a brevidade da vida" e, nesse caso, poderia ser "a brevidade da obra". Beijos grandes, Dani.

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  3. www.asviagensdeamelie.blogspot.com2 de junho de 2011 00:01

    Dani!!! Que coisa boa ver você aqui! Saudade! Com muito carinho eu lembro das nossas conversas na época da aula, sua presença muito especial na minha defesa de mestrado e, agora, neste espaço de que gosto tanto.

    Tudo tem seu tempo, né? Em todos os aspectos da vida. Esse prolongamento sem fim da obra é realmente uma perda. A remcompensa se esvai, com certeza.

    Carinho grande e obrigada por aparecer! Bjo, Dri..

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  4. =)
    Momento contraditório: gostaria muitíssimo de te indicar um livro que "coincidentemente" também teve várias continuações... Chama-se "A Viajante do Tempo" da saga "Outlander". A autora chama-se Diana Gabaldon. Sabe aqueles livros absolutamente devoráveis? Juro que esse livro faz diferença! Jamais gastaria seu espaço e seu tempo pra recomendar um livro esquecível. Fica a dica pra vc guardar com carinho (e, por favor, me dê um feedback se algum dia vier a lê-lo). Beijão!

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  5. www.asviagensdeamelie.blogspot.com2 de junho de 2011 22:02

    Hey, Dani!

    Adoro séries novas! Já pesquisei no site da Cultura, vou ler o primeiro e te conto. Parece muito bom.

    Uma de que eu gosto muito é Mortal Instruments - City of Bones, City of Ashes, City of Glass e City of Fallen Angels, até agora. Essa é uma série que havia acabado no terceiro livro, mas a autora não quis encerrar o sucesso... agora é torcer para ela não por tudo a perder, rs.

    Bjo grande! Drix.

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  6. Puxa, tá anotado! Vou atrás... :D

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