quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Paris Trance - Amélie em casa.

Love someone, love their possessions.
Paris Trance, p. 57.



Há alguns meses, cheguei a Paris pela segunda vez. Era uma viagem muito esperada, depois de cinco anos de ter estado na cidade para a qual, a meu ver, nenhum clichê é suficiente. Para a atmosfera mais mágica e incrível que já presenciei na minha vida, não poderia levar um livro qualquer.

Aí veio a ideia de chegar a Paris com o livro que li na viagem anterior. Mas a dúvida foi grande, era muita responsabilidade escolher o livro para a volta mais esperada do século, mais esperada ainda que a sequência de Antes do Amanhecer e Antes do Pôr-do-Sol (já foi filmada! Sabia????  Antes da Meia Noite... de nove em nove anos, a felicidade :). Será que ia dar certo partir para essa viagem com um livro repetido? Deu. E muito certo.

A história adquiriu uma outra dimensão para mim nesse momento diferente, o que não a tornou uma repetição. Mas, por outro lado, foi bom reencontrar ideias e imagens de que lembrava. Uma delas parece boba, mas é uma das identificações que tenho com o protagonista, Luke:

'You have beautiful posture', said Luke. 'And the ability to sip. I admire that. I gulp.' (p. 47).

Paris Trance foi o segundo livro de Geoff que li. Ele é um dos meus autores favoritos ever depois de o ter conhecido em The Colour of The Memory, um livro que amo com muito carinho. E sobre o que é ele, alguém pode perguntar? Bom, as críticas literárias o descrevem como uma ode à geração jovem dos anos 80. "We're not lost... we're virtually extinct". Mas como eu sou também do contra na identificação com as coisas, para mim ele nos diz como, ao contarmos uma história, fatos e impressões sem misturam na memória de quem vivenciou o que contamos. 

So it's fallen to me to tell his story, or at least the part of it with which I am familiar. Our story, in fact, for by recounting this part of my friend's life I am trying to account for my own, for my need to believe that while something in Luke tugged him away froma llthat he most loved, fromall that made him happiest, it is his life - and not mine - which is exemplary, admirable, even enviable. (p. 01).


Esta foi edição que
viajou comigo há 5 anos
Essa percepção destaca Dyer para mim em seus romances - ele escreveu também livros não ficcionais, dos quais But Beautiful é o que pretendo ler primeiro (tenho todos... não li nenhum). Nas histórias que Geoff Dyer conta, a identidade do narrador nunca é muito clara... e jamais se explicita de início. Em alguns livros podemos identificá-lo, em outros ele permanece incógnito. Em todos, no entanto, ele nos apresenta mais as sensações das vivências que os fatos que dela podem decorrer.

Em Paris Trance o narrador é Alex, como descobrimos no decorrer do livro. E, aqui, novamente, eu peguei uma trilha diferente das críticas, que, novamente.2, o classificam como uma história sobre "the lost generation". Para mim, ele é um olhar honesto e belo sobre como a felicidade pode ser insuportável. E muito, muito mais ameaçadora que aquilo que chamamos de infelicidade.
You cannot store up happiness. The past is useless. You can dwell on it but not in it. What good does it to anyone , kwnowing that they once sat with friends in a car and called out the name ot cinemas and films, that they ate lunch in a town whose name they have forgotten? (p. 173).
Words have nothing to do with happiness, they can only frame it. (p. 205).

o livro diário de viagem
Quando cheguei a Paris anteriormente, já havia terminado o livro. O caminhar de Luke pela cidade já se havia diluído em mim com tantas outras cidades e lugares que conheci numa viagem muito especial. Quando voltei para o meu quadrado, ao folhear o livro, vi o quanto ele trazia de Paris que gostaria de haver feito, junto com o personagem. E por isso a escolha recaiu sobre ele como O livro para essa viagem.

Lavanda do jardim da Shakespeare and Co.
 Logo no (re)inicio, vi que havia acertado. O seu ritmo e humor encontraram os meus próprios e, junto com a atmosfera de Paris, a viagem foi melancólica e doce. Ele acabou por se tornar meu diário de andanças, com as despesas, os pensamentos, os lugares, as comidas... com os recortes de uma caminhada que, se externamente linda, foi incrivelmente intensa no coração. 

There are all sorts os propensities in people; we tend to look only at the positive side - their potential for success, for happiness - but there are other kinds of negativa potential: the potential for wasting the talents we are given, for blighting our prospects of happiness. (p. 243).

A história andava comigo pelas ruas surreais - eu as vivenciei assim - da cidade. Sentou-se comigo no banco na margem esquerda do Sena, observando a Notre Damme e fazendo um pic nic. Dormiu comigo nos parques, na grama perto da Torre Eiffel (que eu amo ao ponto da cafonice). Ficou comigo nos trens de metrô e observou com atenção as pessoas ao redor. Foi à Shakespeare and Co. e admiriou seus companheiros livros, enquanto eu olhava a paisagem pela janela. Encantou-se absurdamente com o Musée D'Orsay.




E, como boa companhia, não esteve somente ao meu lado, mas também me indicou caminhos pelos quais não passaria se não fosse por ele. 

Tulleries já me atraía pelo livro, e o jardim se tornou um dos meus locais favoritos na primeira viagem. Mas, agora, eu o olhei com mais atenção e tempo... principalmente a estátua preferida de Luke. Lá eu estive noite também, do lado de fora (o jardim fecha ao escurecer), quando  ele consegue ficar mais mágico. 

He walked home, stopping, as he often did, in the Tuilleries, which was only a few minutes from his faucet-dripping apartment. (...) It was filled with sculptures from a time when, relatively speaking, it was easy to maufacture statues of exceptional power. (...) Luke's favorite, though, was of a centaur bearing a woman. He did not know which biblical or mythical characters were depicted but the statues' power was scarcely diminished by his ignorance. The theme in these sculptures was always the same: rapture, punishment, suffering. Passion. (p. 05).

Alguns dias depois de passar pelas ruas estreitas do Marrais, eu encontrei, nas palavras de Luke, a loja de roupas sob um letreiro de Boulangerie que havia me chamado atenção, quando vagava pelas ruas. 

They were walking with their arms around each other. Across the river were the broken walls of of old houses that were being torn down. They crossed over into the Marais, passed the corner shop where the old handpainted sign - 'Boulangerie' - had been preserved even though it was now an expensive clothes shop called Le Garage.  Their sholders bumped when they walked, sometimes. (p. 51).

Na falta de imagens do 29 bus...

Completar o percurso da linha de ônibus n. 29 era um desejo também. Mas me decepcionei quando vi que os carros hoje não têm mais a sacada que o tornava tão especial, eu desci do ônibus antes do seu ponto final. Essa mudança + o pior CC com que meu olfato já se deparou + a bolha que estourou no pé foram fatores que contribuíram para que eu não tirasse sequer uma foto da  29 bus. Fica para a próxima (o eterno mantra do turista guloso). 

Crucially, he discovered the 29 bus which ran from the Gare Saint Lazare to Montempoivre. Thoug impressive, the route itself - past the Operá and the Pompidou Centre, through the Marais and round the Bastille - was less important than the design of the bus: a small balcony meant that a handfull of passangers could stand at the back and watch the life of the city unfurl like a film.  (p. 11).


Uma frustração que tinha era não haver passado pela praça da Bastilha - eu desci do 29 antes de ele chegar ali -, um local por que Luke e amigos circulam com frequência e que minha formação em história não se conformava em deixar de lá. No último dia, vagando sem rumo determinado, esbarrei no marco à queda da Bastilha. O sorriso foi grande e eu pulei de alegria com a coincidência, bem ali, na rua.

Desta vez, apesar de planejar muito, ler o Pariscope todos os dias e me deparar por sorte com as salas mais tradicionais do Quartier Latin, não consegui ir ao cinema em Paris. O livro é repleto de referências maravilhosas aos movies e trago aqui duas das mais curtas... A última foi exatamente o que senti. 
When he grew tired of walking he went to the cinema. (Ah, cinema, solace of the lonely young men and women of all great cities.) He saw a film a day, sometimes two. He became a connoisseur of the non- time that preceded the films themselves..." (p. 04).
The most efficient way to have used this money would have been to enrol in one of the many courses in French conversation and grammar but Luke persuaded himself he could absorb the language passively, by osmosis, wothout effort, by reading the French subtitles oa American films. (p. 9). 
'This is the best city in the world for films-''Correct.''-and there are still not enough films on.''Also correct.''In fact it's useless for films.' (p.106).


Na cidade cinematográfica das luzes ofuscantes, na atmosfera mágica que podemos encontrar nos cinemas, Paris se consolidou ainda mais como um personagem de histórias encantadas para mim, na companhia das imagens em palavras de Dyer. 

That's a Bingo!!!

Paris Trance divide com Amélie
sua sobremesa favorita no
Café Deux Moulins






terça-feira, 11 de setembro de 2012

Prejudices Shmices... uma história longa.



Algumas histórias na nossa vida são longas e nos acompanham sempre. Não têm fim... novos e emocionantes capítulos aparecem continuamente. 

O meu relacionamento com os livros e suas histórias é uma narrativa constante em mim.

O seu início não é tão preciso quanto a primeira página de um livro. São vários inícios, talvez. Um deles foi A Anjinha Terezinha (1974), que li na escola aos dez anos. O Caso da Borboleta Atíria (1951) foi outro começo... assim como os livros da Coleção Vaga-Lume. A Bolsa Amarela (1976). foi uma revolução, que começou com um treco no livro didático e se estendeu para todos os livros de Lygia Bojunga. Fora da escola, havia os livros perdidos pela casa. Assim, cheguei a Eu, Cristiane F... (1978) aos 12 anos e o li em menos de dois dias. E assim vieram muitos e diferentes livros, autores, mundos e histórias.

Minha mãe sempre leu muito e em algumas viagens suas eu mergulhei também. Uma delas foi Rosamunde Pilcher, de quem li e reli todos os livros - à Cornualha eu cheguei com Kal, que compartilha a afeição pelas histórias de Rosinha (rsrsrs) comigo. Uma viagem de alma que levou o corpo junto...

Mas um capítulo dessa história é mais longo que todos os outros e, apesar de não ser aquele mais divulgado ou reconhecido, é o mais constante também. Aqui eu me refiro a Nora Roberts, autora de mais de duzentos livros - dos quais eu li quase, mas quase mesmo, todos. Alguns amigos sorriem como a Monalisa quando se referem a essa companhia de longa data... mas já se acostumaram com essa amiga que lê de tudo e em tudo encontra um pouco de si. 

Um dia desses, ao ler um comentário no amazon.com sobre um dos livros de NR, uma leitora comentou que, quando sai uma nova história da autora, ela separa um dia para lê-la. É um dia de descanso, em que ela deita no sofá, abre um vinho, desliga o telefone e mergulha em um mundo bem vindo.

Antes de escrever o post eu abri o vinho... mas, como escrevia ao mesmo tempo em que via a final do USOpen, quebrei a taça e derramei o último pouco de Chianti que restava...

Bom, Nora Roberts eu acompanho desde a época em que meus livros eu comprava na banca de revista - a partir dos 11 anos, fui leitora constante e devoradora não só do que encontrava pela casa, mas também e sobretudo dos romances da Halerquim e Sillouete. 

Então.

Gosto muito dessa capa.
Algumas autoras permaneceram comigo dessa época, como Barbara Delinsky, que, em seus livros de capa dura (hardcover), como são chamados, seguiu por histórias que focavam de forma mais psicológica o relacionamento humano - familiar, principalmente, mais que o romântico. Mas Nora Roberts é presença forte, e dela quero falar aqui hoje.

Este post se originou de uma maluquice que aconteceu comigo numa semana em julho em que, bastante aborrecida com a vida, peguei os livros de Roberts que havia deixado escapar - alguns lançamentos, inclusive - e li 10 de seus romances em sete dias. Foi assim  mesmo. Ao final, além de escrever para a própria autora contando um  pouco do nosso relacionamento de anos (rsrsrs), achei que nada mais justo que uma viagem tão longa aparecesse aqui. 

A semana insana começou quando vi que já havia sido lançado o segundo livro da saga Inn BoonsBoro, The Last Boyfriend. Aqui, antes de continuar, vale uma explicação: o ano editorial de Roberts é dividido entre os livros que fazem parte de suas sagas ou trilogias (os meus preferidos, by the way) e uma novel, romances com suspense - ela lança um desses por ano. Sério. Assim, a média é de três histórias inéditas por ano.

 As sagas e trilogias eu li todas e são, para mim, as mais interessantes, apesar de seguirem um roteiro fixo: cada livro do trio debruça-se sobre a história específica de um dos personagens de um círculo próximo - três amigas, irmãos, irmãs... enfim, pessoas próximas que, um dia, resolvem se apaixonar em sequência, como os livros da trilogia. Muda o parentesco entre os personagens, suas profissões, o lugar onde vivem, a cor do cabelo, dos olhos (embora algumas combinações sejam constantes, como cabelos pretos e olhos cinza, cabelos castanhos e olhos azuis... enfim), os perigos que os envolvem... mas toda  a dinâmica é muito parecida. Dentre o trio masculino, sempre há aquele mais lesado e raivoso - geralmente ele é o destaque do último livro da trilogia e briga terrivelmente com sua cara metade... O que, aliás, não prejudica em nada a história - pelo menos eu acho, porque, como disse, li todos. Além do mais, essa, digamos assim, permanência de estilo ajudou bastante quando comecei a ler os livros de Nora Roberts em inglês, com a chegada da Livraria Cultura e seus pockets inéditos no Brasil a preços maravilhosos: como tudo era muito igual, aos poucos consegui melhorar a minha leitura até o ponto em que, hoje, leio quase que exclusivamente em inglês.

Mas o que Inn BoonsBoro me trouxe, na verdade, foi  uma curiosidade que nunca havia tido, em todos esses anos, e que desencadeou a Imersão Roberts Insana, como essa semana em julho passou a se chamar, rs. 

Por algum motivo, procurei por Norinha (para fazer par com Rosinha...) no Google e cheguei à sua página na wiki. Ali começou a maluquice: depois de saber um pouco da sua história, que se encontra com a de suas personagens, descobri que a história de sua última trilogia se mistura bastante com a sua vida atual. Roberts, em 2009, foi responsável, junto com seu segundo marido - que conheceu quando ele, carpinteiro, construiu algumas prateleiras para seus livros (eu já vi essa trama antes...) - pela reforma de um hotel histórico, da família dele, destruída pelo fogo. Tudo isso na cidade de Boonsboro, Maryland. Por esse link descobri que sua última trilogia conta a história dessa reforma gigantesca, de mais de 3 milhões de dólares. Os personagens são fictícios, mas os ambientes que habitam são os de Roberts. A livraria da protagonista do primeiro livro. Turn the Page, pertence a seu marido. A pousada tem site próprio, e vale a pena dar uma olhada nos quartos com nomes de casais famosos da literatura - quartos que, by the way, são personagens da trilogia também. 

Uma delícia descobrir tudo isso e um pouco mais da vida de Eleanor Marie Robertson, que, com suas histórias todas parecidas, mas que sempre trouxeram algo a mais para mim, esteve sempre muito presente nas minhas preferências e interesses. Irlanda, gastronomia, literatura, viagens... as relações complicadas com o passado, a superação de histórias difíceis, a adequação pelo amor... As bruxas, os vampiros (sim, NR tem um livro com vamps), as fadas, os fantasmas... as fazendas de cavalos, as profissões arriscadas, os escritores fofos, as livrarias incríveis em cidades minúsculas, as cidades... Assim vamos viajando pelos improváveis e ao mesmo tempo tão palpáveis castelos criados por Roberts.

Todo esse tempo com ela e bastou uma página na wikipédia para me fazer reconhecer quanto dela trago no meu dia a dia. Bom, já havia admitido uma parte dessa importância ao me identificar tão incrivelmente com um de seus livros - o quarto de uma saga, que comprei num aeroporto sem ter lido os anteriores e do qual não soltei até a última página, numa história que conseguiu ser bem parecida com a minha. Não é incrível? É. E mostra como encontramos identificações de alma onde muitos vêem apenas uma escritora prolífica e medíocre. 

Prejudices schmices.

Muitos dos livros mais antigos
de NR são reeditados contanntemente
Então, a minha saga semanal começou com The Last Boyfriend, n. 2 na trilogia InnBoonsboro. De lá, cheguei à wiki, onde vi o título do primeiro livro que Roberts publicou, pela Sillouette, uma concorrente da Harlequim. Assim, encontrei Irish Thoroughbred e suas continuações, Irish Rebel e Irish Rose - histórias bem diferentes das atuais, em que os mocinhos eram quase bandidos e as heroínas não sabiam bem o que fazer com elas mesmas - a diferença começa a ocorrer no terceiro, com figuras um pouco mais dimensionais. Mas, desde o início, estava presente em seus livros a Irlanda, assim como os personagens que continuam - o vínculo emocional com a história continua com as histórias em série, ao mesmo tempo que novas tramas se desenvolvem. O leitor permanece e o autor prospera : ) 

A Will and a Way eu encontrei por acaso, procurando por Time and Again, o primeiro número um de Robert na lista de bestsellers do New York Times - que eu, por acaso, ainda não li. A Will... é uma história mais curta e bastante ruinzinha, mas isso não me impediu de chegar à última página. Nele, o protagonista escritor conta um pouco do que Roberts pensa sobre o herói:

The truth was, Michael liked Logan—the reluctant but steady heroism, the humor and the flaws. He’d made Logan human and fallible and reluctant because Michael had always imagined the best heroes were just that. (p.21).

The Witness é o mais recente, o lançamento do ano de 2012. Eu gostei muito dele. Com o passar dos anos e das histórias, Nora Roberts tem tentado, a meu ver, tornar seus personagens menos unilaterais do que eles eram nos primeiros romances. Tenta não ser tão drástica e dramática. O sexo ela tem tentado relativizar também - o que é uma pena, a meu ver. Mas como eu acho que é difícil se afastar muito do que nos atrai, a protagonista feminina de The Witness tem uma personalidade extrema, de que gostei muito e que tornou o livro mais interessante do que alguns outros anteriores. 

“I believe there are people who think the rules, or the law, shouldn’t apply to their particular situation because they’re poor or they’re rich, they’resad or sick or sorry. Or whatever justification most fits their individual makeup and circumstance.”“I can’t argue with that.”“But the court system often gives credence to that attitude by making deals to those who’ve broken the rules and the law for just those reasons.”“I can’t argue that, either, but the law, and the system, have to breathe some.”“I don’t understand.” (P. 75).
Brooks watched her as she spoke, as she perfected the pattern on the dish. “I bet that’s word for word.”“Paraphrasing can impart a different tenor, even a different meaning.” (P. 99).

Spellbound, mais antigo, é horrível e insuportável de ler, mesmo que se passe na Irlanda e seja sobre magia. Mas foi o que disse acima... quando o exagero é too much, a história se perde. Mas fica aqui registrado que esse foi um dos poucos que não consegui ler de forma contínua - pulei as páginas até o ponto final aliviante.

Carnal Innocence, como muitos dos livros da Roberts, eu já esqueci sobre o que é... Bom, sempre dá para ler novamente, certo? Ah, lembrei. Esqueci porque é ruim demais também. Outra exceção à regra. Os personagens são irritantes, a cidade em que vivem é tosca, além de insuportavelmente pantanosa e quente (um inferno na terra para mim, mesmo que em print). Esquecimento garantido ao fechar o livro.

Chasing Fire, o lançamento de 2011, eu também não havia lido. Ele entra na linha das profissões inusitadas, no caso, os fire jumping, um esquadrão de combate a incêndios nos Estados Unidos. Eu adorei o treinamento, as peculiaridades... o que me desagrada um pouco ainda, no entanto, são as tramas de suspense e assassinato, porque os vilões são muito toscos e isso não mudou ainda... uma sugestão: volta o sexo selvagem, saem os vilões de máfia russa e os assassinos locais toscos : )


Deliberately she turned back to the stove.―I apologize for intruding. He spoke stiffly now, and without the big-toothed smile. ―I‘ll praythe anger leaves your heart.―I like my anger right where it is Marg shot back as Latterly backed out the door. ―Lynn,those vegetables aren‘t going to prep themselves.―No, ma‘am.On a sigh, Marg turned around. ―I‘m sorry, honey. I‘m not mad at you.―I know. I wish I had the courage to talk like that to people—to say exactly what I think and mean.―No, you don‘t. You‘re fine just the way you are. I just didn‘t like the sanctimonious prick. (p. 97).


Sweet Revenge eu achei que não havia lido, mas havia - como Carnal Innocence. Li novamente por ser divertido, embora não um dos meus favoritos.

E por falar neles, agora que os dez da insanidade foram listados, seguem alguns que permaneceram mais tempo comigo e dos quais consigo lembrar... assim é a vida de leitora fiel de uma das autoras mais profícuas da atualidade que, no entanto, não consegue agradar a todos. 

That's ok, though.

Chesapeake Bay Saga

In Shame Trilogy

Gallagers of Ardmore Trilogy



Key Trilogy, divertidíssima

The Circle Trilogy, a dos vampiros :)

A primeira que li, ainda em português
Esta Kal dividiu entre mim, ela e Carla... cada uma era um livro : )

PS: Como não poderia deixar de ser, um post sobre Nora Roberts pede uma continuação... A autora escreveu sobre alguns pseudôminos. O mais permanente e bem sucedido foi J.D. Robb, na série In Death. Eu li alguns, mas, como são muitos, parei pela metade. Penso em retomar pelos dois últimos publicados...afinal, nada de muito novo deve ter acontecido, embora queira muito saber o que tem acontecido com Eve e Roake : )

PS2: O site 4shared apresenta para download todos os livros de Nora Roberts. O link que coloco aqui traz os livros em inglês. Enjoy!

PS3: Ah o que encontro nas pesquisas de imagens para os posts... http://bodicerippers-shauni.blogspot.com.br/





quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Spin-off: ver em http://pt.wikipedia.org/wiki/Spin-off


   Depois dos filmes, vêm os livros de julho que ainda não apareceram aqui. Eu havia  parado numa grande decepção com uma das séries de Richelle Mead. 

    Assim, continuei o mês com uma outra série que havia pisado um pouco na bola, mas da qual nem ouso desistir: The Mortal Instruments foi concebida por sua autora, Cassandra Clare, inicialmente como uma trilogia, todos já lançados no Brasil: Cidade dos Ossos, Cidade das Cinzas, Cidade de Vidro. Então, num dia não muito feliz para seus leitores, ela resolveu estender a série para seis livros - talvez pela previsão de adaptação da história para o cinema (depois de muita confusão, o cast já está completo). O quarto, super esperado, foi completamente ugh. Uma história tão legal, um final decente, personagens bacanas... e a pessoa resolve por tudo em risco. Resolveu coloca Jace em risco! Pense... Assim, City of Fallen Angels, além da capa pereba, não me convenceu muito sobre a ideia de dar continuidade à trilogia - uma das minhas preferidas até hoje. 

You know men. We have delicate egos.
 I wouldn't describe Jace's ego as delicate.
No, Jace's is sort of the antiaircraft artillery tank of male  egos, ― Simon admitted.(p.  273).

   O Contrário aconteceu, neste ano, com a série spin-off da mesma autora, Infernal Devices. O primeiro livro, Clockwork Angel, foi muti bom, mas o segundo, de 2012, foi excelente e superou todas as minhas expectativas. Conseguiu elevar a série, para mim, a um outro patamar, e mal posso esperar pela sua conclusão (se é que existe such a thing). A partir dela, cheguei ao quinto capítulo de Mortal instruments meio descrente do que iria encontrar. 



    ― Simon?

    ― Yeah?

    ― Can you tell me a story?

    He blinked.

    ― What kind of story?
    ― Something where the good guys win and the bad guys lose. And stay dead.
    ― So, like a fairy tale? ― he said. He racked his brain. He knew only the Disney versions of fairy tales, and the first image that came to mind was Ariel in her seashell bra. He had a crush on her when he was eight. Not that this seemed like the time to mention it.
― No. ― The word was an exhaled breath. ― We study fairy tales in school. A lot of that magic is real but, anyway. No, I want something I haven't heard yet.
― Okay. I've got a good one. ― Simon stroked Isabelle„s hair, feeling her lashes flutter against his neck as she closed her eyes. ― A long time ago, in a galaxy far, far away… (Pp. 88/89).

   ― Oh, please, ― said Simon. ― All I did was tell you the entire plot of Star Wars. 
― I don't think I remember that, ― said Isabelle, taking a cookie from the plate on the table.
― Oh, yeah? Who was Luke Skywalker's best childhood friend? 
― Biggs Darklighter, ― Isabelle said immediately, and then hit the table with the flat of her hand. ― That is so cheating! Still, ― she grinned at him around her cookie.
― Ah, ― said Magnus. ― Nerd love. It is a beautiful thing, while also being an object of mockery and hilarity for those of us who are more sophisticated. (P. 116). 

   Bom, excelente não é, mas City of Lost Souls deixou o ugh do livro anterior de lado e voltou a, pelo menos, fazer algum sentido para mim - mesmo que por meio de uma apelação, eu acho. Esse livro é mais romântico que os demais, fugindo um pouco da linha que Clare seguia nos três primeiros livros. Não gostei muito, mas não foi nada que comprometesse, porque a questão central é muito legal e consegue preencher um gap que havia ficado - mesmo que, como disse acima, envolva uma certa forçação de barra. Agora vamos para o sexto livro com mais entusiasmo... que medo.

There is a crack in everything
That‟s how the light gets in.
Leonard Cohen (p. 121).

Capas com rostos... ugh.
  Para  Richelle Mead eu retornei com o segundo livro de uma série spin-off de Vampire Academy, Bloodlines. Viram que spin-off já apareceu aqui duas vezes hoje. É assim na TV, nos livros... Joey foi um spin-off de Friends; Frasier, de Cheers... e assim vai. Quando dá certo, é uma alegria ter um mundo de que gostamos e em que vivemos de volta. Mas quando dá errado, jaisus... 
 Bloodlines, por enquanto, tem sido bacana. Está nos livros iniciais - eu li o segundo, Golden Lily -, o que, na linguagem de Mead, significa histórias não muito fortes ainda. O heartbreak deve vir agora no terceiro ou quarto livros, depende de quantos volumes será a série. Parece calculista? Bom, é a observação do que aconteceu até agora. Quem sabe ela consegue surpreender (sério, estou com os dedos cruzados).

  Os protagonistas são dois personagens legais, secundários em Vampire Academy: Adrian e Sydney. Eles são bocudos, divertidos e bastante problemáticos, o que dá um enredo bom. Além da oportunidade de espiar Dimitri e o que ele anda fazendo por ai : ) 
Há um link no imdb.com sobre a adaptação para o cinema, mas ele está sem atualizações já há algum tempo.

 O terceiro livro, que encerra este post - os demais do mês de julho terão um capítulo separado para eles - foi o mais incrível de todo o ano. De verdade. Um presente especial de um amigo que, sem saber, salvou o terceiro capítulo da minha tese. De verdade. 
   Não haveria, a princípio, como falar do que Hope: A Tragedy, de Shalom Auslander (pense se o nome do autor já não é bizarro), tem de especial sem contar a surpresa que surge logo nas primeiras páginas - eu a desconhecia e tive um treco quando li. Por isso resolvi não trazê-la aqui. Se alguém quiser muito saber, me pergunta - para alguns amigos eu já contei, não resisti, rs. Mas tentarei não dar muita bandeira aqui. 

    I have been the blessed beneficiary of sixty years of humanity’s guilt and remorse, Mr. Kugel. (...) These are true details, I assure you, but I know to emphasize them; I’m not a fool;  I know of guilt myself.    My sister died beside me. My Mother died, my friends. I survived. That’s not easy either. Perhaps it’s true that I’m seeking to have it both ways; (...) but I use the Holocaust to subsist, to get what I need: shelter, food, a place to work. P. 244.

    Kugel, americano judeu, muda-se para o campo com a esposa, o filho e a mãe. Encrencado para pagar as prestações da casa nova, a sua vida não anda muito tranquila. A esposa cobra a presença da sogra, que, por sua vez, inferniza a vida do inquilino pagante. O filho é uma alegria, depois de sobreviver a uma doença grave. A casa deveria ser uma mudança de ares na vida do casal.
A figura, Shalom Auslander
     Mas o negócio é que a casa fede. E muito. E ao procurar a origem do mal cheiro, ele se depara com alguns anos de história que não querem largar do seu pé. 

     A herança do holocausto e como ela pode prejudicar e amarrar as novas gerações de judeus, que ficam eternamente conectados a algo que se permite transcender - afinal, esquecer seria desonrar as vítimas e o peso do acontecimento, certo? - é colocada por Auslander com um humor  genial - que, eu acho, advém do cansaço de carregar algo com que não se identifica mais. Não digo que não se deva olhar para o que aconteceu... mas é olhar, de fato, e não carregar uma história que pode, assim, ser um peso morto e fétido por gerações e gerações. A mãe de Kugel é uma figura que traz esse peso irracional: 
    It’s all disappearing, Mother sobbed.

   Lucky you, Kugel thought. He could go for some of that forgetting stuff about now. Forget her, forget Father, forget it all, just for a day, a weekend. Heaven is a place with no memory, no history, no past; sure, some warm memories would be sacrificed along with the bad, but all in all, an improvement. A step in the right directionlessness. (p. 195).

   Eu me agarrei ao livro e não consegui largá-lo ainda, mesmo depois de terminado. O que ele me trouxe continua, ressurge no pensamento diante de várias situações diferentes. Lembra como nos há amarras que não queremos, mas que permanecem. Lembra também como nos livrarmos delas nem sempre é tão simples. Mas a ficção, para variar, coloca a questão de frente, e com um autor como o Auslander, não nos deixa virar as costas para ela. E algumas vezes ele o faz de forma assustadora:

  He refused to respond to her, 
to encourage her.
Six million he kills, thought Kugel,
and this one gets away.
I shouldn't hve thought that, he thought.
At least I didn't say it.
But you thought it.
That's not as bad.
It's bad enough.

(p. 111).




                                                                   

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Os filmes de junho, julho e agosto... atraso pouco é bobagem.


Desde junho não atualizo os filmes que vi no cinema. Tenho percebido que, quando ocorre um atraso assim, algo de que esperava gostar muito acabou por me decepcionar. Foi assim com o último Harry Potter... Olhando agora o ponto em que parei, percebo que a última incursão de Johnny Depp e Tim Burton no cinema me afastaram do Viagens um tempo.

Dark Shadows (Sombras da Noite. Tim Burton, UK, 2012), adaptação da série de TV dos anos 60, tinha tudo, tudo, mas tudo mesmo para ser incrível. Johnny Depp como o super anacrônico vampiro, Eva Green como a bruxa apaixonada, Michelle Pfeifer como a chefe de família, Chloë Moretz, uma das atrizes juvenis mais talentosas hoje, como a adolescente rebelde... tudo isso com Tim Burton na direção? Garantia total... ou pelo menos eu esperava.

O início do filme é divertidíssimo, coerente, tudo o que o filme poderia ser. Mas, do primeiro terço em diante, a história degringola e perde totalmente a razão de ser para mim, tornando-se sem ritmo e, horrores dos horrores, totalmente desinteressante. Um desperdício dessa natureza não podia ter me afetado pouco, e o atraso de quase dois meses mostra isso. 

Madagascar 3: Os Procurados (Madagascar 3: Europe's Most Wanted) também não me entusiasmou muito - vai ver que em junho eu andasse com o pé atrás no cinema, rs. É divertido, mas não genial como os anteriores. A Música do circo do cantada pelo Marty (Afro circo, afro circo, de bolinha, de bolinha, de bolina, Aaaaaaaaafro!) foi o que permaneceu comigo, e posso dizer que por isso só o filme valeu.

O último filme do mês de junho foi uma viagem doce. Salmon Fishing in the Yemen (Amor Impossível. Lasse Hallström, Uk, 2011) me chamou a atenção sobretudo por trazer Ewan McGregor, um ator de que gosto muito e que some com bastante frequência. Eu o havia visto mais recentemente em Perfect Sense, um dos filmes que mais me abalaram este ano, e segui ao cinema sem esperar muito. 

Hallström já foi um dos meus diretores favoritos com Minha Vida de Cachorro (Mitt Liv Som Hund. Suécia, 1985), um filme doce e genial que eu amava aos 16 anos.Acompanhei Hallström por algum tempo e, apesar de achar que ele continua um bom diretor, seus filmes foram se diluindo na grandiosidade do que eu sentia com seu filme de 85. Amor Impossível não é diferente; podia ser mais... no entanto, mesmo assim, eu o assisti todo o tempo com um sorriso no rosto - exceto quando me irritava com o peso desnecessário da personagem de Kristin Scott Thomas, que, ao surgir para implementar uma tensão e comédia no filme, conseguiu, ao contrário, mesmo que por poucos momentos, tirar o sorriso do meu rosto e a leveza do meu coração. 

Julho começou com outra continuação esperada: Era do Gelo 4 (Ice Age: Continental Drift), que não perde o impulso dos anteriores e diverte e emociona ainda. A avó de Sid e um pouco da sua história trazem força a um personagem figuraça, mas que se torna cada vez mais querido. Ri demais, emocionei muito e espero pelo quinto, rs. 

Lembrei agora de outro motivo de atraso no post. Dark Shadows foi uma decepção... mas não muito se comparado ao que aconteceu comigo ao assistir a Para Roma com Amor (To Rome With Love. Woody Allen, US/Itália/Espanha), o mais novo passeio turístico de Woody Allen. Até aqui, tudo estava correndo bem. Match Point (UK, 2005) foi interessante; Vicky Cristina Barcelona (Espanha, 2008) além de genial  e intenso, uniu Penelope Cruz e Javier Bardem; Midnight in Paris (França, 2011), apesar de muitos problemas com certas caricaturas, é uma delícia e contou, para mim, muito do que Paris representa para o imaginário das pessoas. Nesse ínterim, veio Tudo Pode dar Certo (2009), um dos seus filmes de que mais gostei recentemente - os personagens são geniais, a história é muito bem construída e eu ria tanto que tive de morder o casaco para não ser expulsa do cinema. Aí, depois de tudo isso, entro em Roma e, apesar de rir do que considero esquetes, saí do filme numa grande decepção e com a sensação de que ou Woody Allen está envelhecendo além da conta ou ele está se tornando, que os deuses do Olimpo o impeçam, preguiçoso.

Depois do fiasco, a que assisti duas vezes, retornei a um filme a que havia assistido em casa, mas queria muito ver no cinema: Apenas uma Noite (Last Night. Massy Tadjedin, UU/França, 2010) demorou a chegar aqui, e por isso eu o alcancei na TV antes, mas é um filme de cinema. Sua delicadeza e intensidade, construídas em um roteiro honesto, atuações na medida e uma trilha linda, merecem o escuro e a imersão do cinema. Ele me tocou tanto, me trouxe tanto e continua comigo em toda conversa que tenho tido sobre relacionamentos. Um amor instantâneo com o filme dessa diretora iraniana, que quero conhecer melhor.

O último filme de julho foi o super esperado O Espetacular Homem Aranha (The Amazing Spider Man. Marc Webb, US, 2012). Quando houve notícias do filme, eu, como muita, mas muita gente, me perguntei qual seria a necessidade de refilmar um personagem que já havia sido bem adaptado para o cinema. Bom, eu devia ter lembrado de Batman e desconfiado de que coisas novas e muito, muito boas podem surgir do que já conhecemos. Adorei o novo Homem Aranha, como ele foi personificado de forma mais bizarra por Andrew Garfield e as cenas que me chamaram a atenção, em vez de desqualificarem as adaptações anteriores, conseguiram dar a elas novo e mais forte sentido. Make sense???

Agosto começou justamente com ele, citado acima:  The Dark Night Rises (Batman: O Cavalheiro das Trevas Ressurge. Christopher Nolan, US, 2012). O que mais tenho ouvido nas conversas sobre ele é como não consegue superar o filme de 2008, com Heath Ledger como o Coringa. Bom, eu não esperava superação... na verdade, tinha pouquíssimas expectativas, mesmo - e talvez por isso - com toda a festa em torno da produção. Mas o filme me surpreendeu com um ritmo tenso, que vai num crescendo até chegar a um final que nos faz querer saltar da cadeira e vestir a capa do morcego nós mesmos... pense.

O começo do filme foi de tristeza para mim. O atentado em Aurora, na pré-estreia do filme nos Estados Unidos, não saía da minha cabeça e do coração. Nos primeiros 40 minutos de projeção, ficava todo o tempo a imaginar em que momento um psicopata sem amor pela vida teria entrado num cinema lotado e atirado para todos os cantos, matando e ferindo várias pessoas, além de armar sua casa com bombas. Cheguei a pensar que não conseguiria assistir ao filme e acho realmente que o teria visto diferentemente. Sobretudo pela tensão extrema que ele constrói e que não consegue, em nenhum momento, acalmar o coração. Mas assim é a história do Cavalheiro das Trevas, e a isso o filme é bastante fiel.

Como tenho escrito aqui, a ficção me ajuda imensamente a me posicionar nesse mundo e tentar compreendê-lo, justamente ele que se torna cada vez menos incompreensível. Quando do atentado em Aurora, eu só pensava em Precisamos Falar sobre Kevin, livro de Lyonel Shriver de que já falei aqui no Viagens. O livro não traz explicações, como eu acho que não conseguimos dar diante de um absurdo tão gigante... mas situa o imenso vazio que a vida pode representar. Eu sempre o recomendo, apesar de geralmente as pessoas me dizerem que ele é muito pesado. Wells, mais pesado do que vimos nos jornais? Impossível.

E este post atrasado e apressado nos comentários se encerra com o filme que vi no último fim de semana. Mês de férias, várias estreias esperadas. Valente (Brave. Mark Andrews, Brenda Chapman. US, 2012) eu esperei bastante, e ele conseguiu me surpreender. Uma história em torno de personagem feminina que não gira me torno do amor romântico, mas, sim, de outro argumento essencial: o relacionamento mãe e filha e o crescimento para a vida adulta, com o direito pelas próprias escolhas. A mudança do foco da história aparece também na passagem para outros cenários, como a Escócia da época dos clãs. 



PS: No computer, um surto tomou conta de mim. Eu sempre penso que meus preconceitos conseguem se diluir no quanto gosto de coisas tão diferentes e nem sempre "adequadas" em idade e localização. O racional vai contra o que sinto, mas sempre encontro algo que reforça a minha identificação com histórias e produções dirigidas e diferentes públicos e idades. Eu gosto disso... me faz sentir que consigo me movimentar em diferentes espaços.  Mas sempre fico receosa por achar que, dessa vez, acabei por ir longe demais, rs. 

Em menos de 7 dias, divididos em julho e agosto, eu vi as duas temporadas de uma série australiana direcionada a crianças e adolescentes: Dance Academy, produção de 2010, tem o formato de muitas séries que vemos (minha sobrinha vê, rs) no Boomerangue, Nickelodeon, Disney. Com episódios diários, elas são apresentadas inéditas por algumas semanas, para depois serem repetidas incansavelmente até a próxima temporada. 

I'm in love with Dance Academy. Adoro dança, e a série tem muita - com alguma ênfase para, além do clássico, claro, o hip hop, como, creio, uma forma de ter maior alcance. Os personagens, além de fofos, fogem bastante do layout norte-americano a que os acostumamos. A protagonista é confusa e doce, pagadora de mico universal, mas não segura o seriado sozinho - todos eles são muito bons e nada unilaterais. Kat e Sammy são muito bons. Mas todos eles s]ao fortes, crescem e nos conquistam. Fazem com que nos importemos com o que vai acontecer - o que, para Neil Gaiman, é fator essencial a uma história. E aí qual vai nos fazer importar é sempre uma surpresa, pelo menos para mim, rs. O seriado é bem escrito, montado e coreografado.  Eu fiz uma imersão nas duas primeiras temporadas, que, além de me divertir e emocionar, me ajudaram a tomar determinadas decisões. Estou esperando agora pela terceira parte.

Assisti a toda a série pelo youtube. Se interessar, segue o link para a primeira parte do episódio de estreia.  Na segunda temporada, já encontramos episódios legendados em espanhol, o que ajuda no entendimento do inglês australiano. Big smile : )