segunda-feira, 7 de novembro de 2011

I ached with the weight of my hope.


O mês de outubro foi de tranquilidade, preguiça, muito sono e uma viagem por vários livros até engatar nos últimos volumes de três séries de que gosto muito. Por Night Train to Lisbon, de Pascal Mercier (amo esse nome, Pascal...) e We Need to Talk About Kevin, de Lionel Shriver (a mesma autora de The Post-Birthday World, comentado aqui há uns dois posts), eu passei rapidamente. Mudei de um para o outro, sem saber se minha viagem seria com Mundus em Lisboa (o livro, até onde li, está incrível, uma viagem marcada pelos livros - obrigada pela dica, Gio!) ou com Eve e sua tormentosa reflexão a respeito da maternidade, das concessões que fazemos para nos adaptar a um mundo que nem sempre sentimos como nosso, as próprias falhas, a partir da sua relação cm Kevin, seu filho adolescente que, em um atentado à sua escola, matou alunos e professores. Uma coisa eu digo: se alguém pode escrever bem essa história, sem preguiça ou descaso, é Shriver. Eu o retomei agora em novembro, assim que terminar eu o trarei novamente para o Viagens. Aguardem as cenas do próximo capítulo...

Dos livros em série que li, o mais aguardado era Succubus Revealed, de Richelle Mead, o sexto e último livro da história de Georgina Kincaid. Mead já anunciava o que seria esse final, mas, diferente do que (terrivelmente) fez com Vampire Academy, ela conseguiu fechar bem a história de uma sucubbus que, apesar de ser uma funcionária registrada do Inferno, tenta viver o mais corretamente possível a sua vida, junto aos outros funcionários demoníacos de Seattle - vampiros, duendes, demônios. O demônio chefe de Seattle com o rosto de John Cusack e sua amizade de bebedeiras com o anjo Cartes, um grunge desarrumado e sujo, é uma delícia.
A história é muito bacana, transcorre boa parte numa livraria - mais delicinha ainda! - e o herói total, Seth, é um escritor que diz muito do seu processo de criação, além de um colecionador de camisetas com referências engraçadas da cultura pop.
Adoro quando o autor conversa com o leitor sobre a própria cultura pelos seus personagens e o que eles fazem e gostam. Eu caminho por essas histórias muito feliz. 
Certo que as tramas de Mead são totalmente heartbreaking, o que as torna mais intensas e interessantes. Tudo fica bem quando acaba bem, ok... mas os livros não são somente o final feliz. Que, aliás, eu adoro também. Nada contra nunca!
Não sei se acho bom ou ruim Richelle Mead não ter planejado um spin-off para essa série, com fez com VA. Ela poderia escrever sobre a vida em Seatle depois do furacão Kincaid... mas, anyway, acho bom ela não haver pensado nisso agora, senão seria outra série com fim apressado, descuidado e bobo. E isso de novo não, oh God!
Bite Club, de Rachel Caine, é o 10º livro da série Morganville Vampires. Muito divertida, a série ainda continua legal, apesar de muito longa para a minha tranquilidade de espírito. Afinal, se Charlaine Harris, uma escritora experiente, está conseguindo estragar uma história tão legal quanto a da Sookie Stakehouse (que deu origem à série de TV True Blood, que anda lost in space também), qualquer um pode chegar ao décimo primeiro livro da série e fazer uma baita bagunça. Well, até agora, a história de Claire e seus roommates Shane, Eve e Michael continua interessante e divertida. Tem se mostrado mais intensa, principalmente em Bite Club, com destaque para Shane, um personagem super atormentado que, thanks God, pelo visto não será mal aproveitado ou ignorado. É dele as palavras:
It was like I’d cannibalized parts of myself to stay on my feet, and  now the pain and the emptiness flooded into me and swamped me, and I just wanted to lie down and die. (p. 149).
O décimo primeiro livro já está a caminho. Agora é torcer para o melhor, rs. 

Finalmente, uma série com três livros! E sem rosto na capa...rs. Forever é o último volume de Wolves of Mercy Fall, série de Maggie Stiefvater. Melancólica e poética, a história me conduz por personagens intensos. A opção por várias vozes, a partir do segundo livro, não me deixou muito feliz. Afinal, quem precisa de mais vozes na cabeça...rs. Ok, weird, mas é verdade. Esse radiohead de tanta gente prejudicou um pouco, para mim, a poesia do texto, que é muito bonito. Tirou, também, um pouco da intimidade de caminhar pela tristeza e esperança dos personagens. Mas mesmo assim, é doce e forte. 
A fala de Cole St. Clair (e para que criar personagens se não para lhes dar os nomes mais bizarros...?) me levou a Twilight, à história de Bella e Edward e seu amor obsessivo (sério que eu digitei obsessivo três vezes antes de acertar). Para mim, parecia uma história conversando com a outra e dizendo como se entendem e identificam, mesmo sendo diferentes. Veja aí o que você acha:

The thing I was beginning to figure out about Sam and Grace, the thing about Sam not being able to function without her, was that that sort of love only worked when you were sure both people would always be around for each other. If one half of the equation left, or died, or was slightly less perfect in their love, it became the most tragic, pathetic story invented, laughable in its absurdity. Without Grace, Sam was a joke without a punch line. (p. 115).


Without Grace, I lived a hundred moments other than the one I currently occupied. Every second was filled with someone else’s music or books I’d ever read. (p. 20 - Sam).
 The one thing I couldn’t bring myself to pur away was the sadness of missing Grace. That I kept. I deserved that. I’d earned it. (p.67 - Sam).
One moment I was alone, my morning and my life stretched out in front of me  like frames in a film, each second only slightly different from the last. A miracle of seamless, unnoticed metamorphosis. (p. 67 - Sam).
It seemed like the best weapons in my life had always been the most innocuous: empty plastic bins, a blank CD, an unmarked syringe, my smile in a dark room. (p. 115 - Cole).
“if you stand farther away, maybe,” Rachel said. “I’m sorry, Sam, but I whatch TV. I know how these things go.” (p. 251).

Desânimo total para chegar ao cinema. Não sei se sou eu ou a programação que não ajuda... Olha os filmes em cartaz e nada me atraía muito. Nesta semana, as coisas melhoraram, Melancolia finalmente (!!!) entrou em cartaz e logo novas salas abrirão no Casa Park. Dias melhores virão...
Assim, ao cinema cheguei somente pelas crianças, e valeu muito. Com os dois cara-pálidas, uma menina de 7, um pitoco de 3, fomos ver Smurfs, de novo, com a Mari. Pedro ainda não havia assistido o filme, e eu estou para ver uma criatura rir tanto. Uma delícia de felicidade! Eu, que não havia gostado nada do filme da primeira vez, passei a vê-lo de forma diferente. As gargalhadas queridas do Pepê deram outra sentido para o que eu via. Sem a Mari dessa vez, nós três vimos Gigantes de Aço (Real Steel. Shawn Levy, US, 2011), um filme meio apelativo sobre a união de pai e filho e, por isso mesmo, super emocionante : ). Hugh Jackman num filme é sempre bom, a história dos robôs é divertida, cheia de adrenalina. Pedro ficou vidrado, preso mais nas cenas entre pai e filho do que nas lutas. Ao final, uma cena incrível para mim: no filme, todos felizes, emocionados, comemorando, Pedro se vira para mim e Marcela e, pequenininho que é, abraçou e beijou nós duas, emocionadíssimo. Depois saiu dançando, feliz. 
Uma cena querida para ficar na lembrança e virar uma história feliz.


O mais importante eu ia esquecendo... Em outubro, nos Estados Unidos, entre as várias novas estreias na televisão, surgiram séries muito legais. Entre elas, uma surpresa especialmente boa:
Big big smile, preparem-se!


Once Upon a Time é uma coisa. Como diria a TT, é de gritar...! A Rainha Malvada da Branca de Neve, sem suportar a felicidade da enteada, lança uma maldição sobre o bosque dos contos de fada. The dark curse, uma maldição terrível, chega para acabar com os finais felizes.

E o que significa isso? Todos os personagens passam a viver no "mundo real", sem lembrarem - com a exceção de alguns poucos - de quem realmente são.  Quem pode pôr fim à maldição (sim, porque toda curse tem seu antídoto...)? A filha da Branca de Neve, claro, que cresceu sem saber quem era e é resgatada desse destino cruel pelo filho que deu para adoção... Belezinha.


Eu li a sinopse com muita desconfiança, mas bastou o episódio piloto para me viciar totalmente e esperar toda semana por um capítulo novo dessa história muito legal, dos criadores de Lost (embora essa seja uma referência contra para mim, depois daquele final surrealmente ruim).

Ficção, realidade, contos de fada... heróis e vilões numa cidade do Maine chamada Storybrooke. Big smile, não disse? 


Não consigo encerrar este post...rs. The never ending post, that is. 


Depois de acrescentar a minha surpresa com Once Upon a Time, liguei a TV para terminar de ver o episódio da semana passada de Grey's Anatomy, série que acompanho desde o início e de que gosto muito. Muitíssimo. 

Um roteiro bem cuidado é sempre uma alegria. Grey's tem uma coerência nesse sentido que me mantém com ela toda semana... além de ser divertidíssima. Mas não foi isso que me levou a trazê-la aqui.
No episódio 808, little Grey atende uma paciente com aneurisma. Ela é escritora e não quer operar porque está terminando o último livro de uma série que escreve há dez anos.
. . .

Então. A escritora tem dores de cabeça horríveis, e como a ficção precisa fazer sentido, mas sempre dá jeitinho de vender o impossível como viável, little Grey a ajuda a digitar o livro. Essa médica ocupadíssima, ainda em residência, começa a ler os livros e a se apaixonar pela história.
Bem-vinda ao clube!


Pouco antes de o aneurisma estourar, a autora dos livros conta o final da história para a sua fiel escudeira. Trata-se de um triângulo amoroso, claro, entre uma moça que viaja no tempo, o seu verdadeiro amor, que é um ladrão safado sem vergonha, e aquele que é o querido das leitoras e ama a heroína profundamente. Mas, claro, não é correspondido de verdade.




Lembram do começo deste post? Sobre como adoro histórias de ficção que trazem a relação de amor, obsessão e fidelidade com os livros e a cultura? 
Encontrar isso na minha série favorita foi, como diria Augusto, the best...


(PS: O título deste post veio de Forever, p. 21)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Lazy Amélie...

A vida é repleta de contradições, eu sei. Mas, às vezes, elas entram em choque entre si... O que me faz estar aqui no Viagens de Amélie é justamente o que, por outras vezes, me afasta dele... A intensidade com que uma história me toca.

Quando fui assistir a Pronta para Amar (A Little Bit of Heaven, Nicole Kassel, US, 2011 - e o que falar da tradução do título para o pt???) já sabia um pouco da história da personagem de Kate Hudson (Yoko Hudson, que quase me fez não chegar ao filme...) e sua jornada contra um câncer terminal. Não pus muita fé no filme, porque o trailer é realmente péssimo, e o poster tampouco ajuda muito. 

Mas o filme é de arrasar.

Se ele é bom ou não, nem sei dizer. Para mim, ele foi um espelho. Gostei muito de como a doença foi um pouco desmistificada e retratada de outras formas. Mas, sobretudo, me vi muito nas reações de Marley - sua tentativa de ser forte diante de um diagnóstico ruim; seus medos; sua vontade de ficar sozinha ao mesmo tempo em que espera o apoio do universo e mais um pouco, rs. Sua frustração com quem está próximo - aqueles que acabam realmente arcando com  dificuldades que não são deles e, por isso mesmo, os que seguram  mais as pontas e dão realmente um grande apoio. As mudanças de humor, as expectativas desencontradas, o medo de se aproximar demais das pessoas... tudo estava li, e conversou muito profundamente comigo. Essas comédias românticas e suas histórias surpreendentes...

Amei o filme, mas escrever sobre ele não me agradava muito.Mas viu? Nem doeu. E agora o Viagens pode seguir seu curso.

Eu gosto muiiiiiiito de filmes de terror, mas não vou muito ao cinema para vê-los porque esse é o único gênero a que não assisto sozinha. Fui assistir a Apollo 18 - A Missão Proibida (Apollo 18, Gonzalo López-Gallego, US/Canadá, 2011) com a minha pequena, já que a censura permitia. Ela não entendeu nada, porque, além de legendado, ele se propõe a ser um documentário perdido da missão Apollo 18, oficialmente cancelada pela Nasa, mas que teria ocorrido e teria sido desastrosa. Eu gostei do tema e do formato do filme, mas está cada vez mais difícil achar um filme de terror interessante. Mas continuamos tentando...rs.

Crazy, stupid love  eu revi  com duas amigas queridas, Lu e Renatinha, que não mora aqui e nunca haviam ido a um Drive In - e nós aqui em Brasília nem damos tanto valor a ele!

Com as kids, eu vi Manda Chuva - O filme (Don Gato y su Pandilla, Alberto Mar, México/Argentina, 2011), desenho de que eu sempre gostei quando criança, mas que foi uma chatice como filme. Em O Zelador Animal (Zookeeper, Frank Coraci, US, 2011) nós rimos muito, mas o filme é quase infame. Finalmente, Winter, O Golfinho (Dolphin Tale, Charles Martin Smith - nunca vi tanto nome genérico numa pessoa só -, US, 2011) prendeu o olhar das crianças durante quase toda sua duração. Mas, ao final, como estávamos somente nós no cinema, elas saíram correndo pela sala... enquanto eu, que sempre achei filme de golfinho uma cafonice, chorava copiosamente. A ligação de Winter, um golfinho sem cauda, com as pessoas deficientes é grande, e aí emocionou mesmo.

Saí do filme pensando nessa de cafonice... Não tem como fugir de certos filmes. História de patinação no gelo (lembra da patinadora que fica cega e, ao final, na sua apresentação, ela é maravilhoooooooooosa, mas tropeça nas flores?), esquiadora que sofre acidente, fica paraplégica e perde o noivo (desse eu tenho até a trilha sonora com a foto da esquiadora), golfinhos que ajudam crianças que se sentem inadequadas e rejeitada... E o infinito se mostra. Mas todos eles me capturam, e já desistir de lutar contra isso, rs.

Conan, o Bárbaro (Conan The Barbarian, Marcus Nispel, US, 2011) é tão ruim que fica bom. De verdade. Curti demais, diverti e ainda aproveitei para olhar bem para Jason Momoa, o Khal Drogo de Game of Thrones e que acho uma coisa desde North Shore, uma série de TV a que somente eu assisti... E o sangue está jorrando até agora. 

PS: No poster, Momoa parece um Antonio Banderas de cabelo comprido... mas ele é more, muito more...rs.

Larry Crowne - O Amor Está de Volta (Larry Crowne, Tom Hanks, 2011) é um filme com uma idade, autoria e estética muito definidas em mim. Tom Hanks está envelhecendo, e seus filmes o estão acompanhando, andando com ele, o que eu acho legal. Só que apresentam o esperado, e isso tira um pouco da curtição. Mas Larry Crowne é uma história fofinha, e Tom Hanks com Julia Roberts combinam bem.

Minha irmã de coração escreveu um post bonito sobre algo que lhe chamou a atenção no filme - e que teria passado despercebido por mim se não fosse por ela. Thanks, Sis! Vai o link: http://batendoperna.blogspot.com/2011/09/brevidade.html

Cowboys & Aliens (Jon Favreau, US/Índia, 2011) eu curti demais. Fun fun fun! Cowboys e aliens juntos, sério? Muito legal. E ver Harrison Ford nas telas, canastrão querido, é muito bom.  Eu li e concordei que o título poderia não entregar o encontro inusitado, já que a surpresa iria ser surreal! 

Missão Madrinha de Casamento (Bridesmaids, Paul Feig, US, 2011) seria de cair da cadeira se eu não tivesse assistido ao filme sentada no chão. Junto a sis querida e família, fui assistir a esse que foi um filme que esperei muito para ver, no Drive In, numa noite meio fria. No cobertor de pic-nic que trouxemos da Inglaterra, o chão frio não incomodou muito, e assim pudemos rir um tanto que não poderíamos numa sala fechada. 

Li muito a respeito do filme antes de assistir a ele, e esperava realmente demais. A expectativa não é uma companhia muito boa para entrar conosco no cinema, e ela realmente estragou um pouco a minha experiência com Bridesmaids, que é engraçadésimo e divertido, mas não é tudo que esperava pelo li.. Por isso não gosto de saber muito dos filmes antes de conhecê-los. A surpresa, sim, é uma companhia boa, mas um pouco rara hoje em dia. 

Memória:

Ontem, de forma súbita e inesperada, o querido mestre da minha mestra partiu. Deixou toda a admiração que despertou em mim, o carinho de tê-lo conhecido e a tristeza por sabê-lo ausente.


Milton José de Almeida contou, para mim, da memória, da arte, do conhecimento e, sobretudo, do cinema com a intensidade e beleza que colocava nas suas pesquisas. Seu livro, Cinema, Arte da Memória (Campinas: Autores Associados, 2010) é companhia constante nos meus estudos. Um olhar cuidadoso e genial.

Sua pessoa, impressionantemente querida, é agora uma lembrança boa no meu coração.



quarta-feira, 14 de setembro de 2011

The Meaning of Life??? - Parte 2

Depois dos livros que li, alguns em agosto, outros já em setembro, trago aqui os filmes desse mesmo período. Foram poucos, não houve muita oportunidade de ir ao cinema, meu lugar favorito no mundo... Minha casa neste planeta maluco.

Eu gosto muito Terence Malick. The Thin Red Line (Para Além da Linha Vermelha, US, 1998) foi o primeiro filme que vi dele. Eu não acreditava num cineasta que filmava o pensamento, o não-tempo, as emoções e conseguia dizer de uma tragédia de forma tão intensa, contundente honesta e, ainda assim, delicada. O Novo Mundo (The New World, US/UK, 2005) não me atraiu no cinema. Dani, uma amiga e aluna muito querida, alertou para a razão: o trailer do filme indicava uma história de guerra e ação muito bobinha, muito diferente do que era a história de Pocahontas contada por Malick. Eu me apaixonei novamente, e flutuei pelo filme, que me trouxe, além da beleza, uma reflexão muito bonita  a respeito do amor. Days of Heaven, seu grande sucesso, no entanto, eu ainda não vi... um dia chego a ele.

Assim, já esperava The Tree of Life (A Árvore da Vida. Terence Malick, US, 2011) com muita ansiedade. Desejava mergulhar novamente nas imagens de Malick, na narrativa sem linearidade, no pensamento filmado em poesia. Não me decepcionei, mas me decepcionei muito. Ahn?

The Tree of Life, para mim,  foi várias coisas. Nas imagens iniciais, a poesia que esperava. Na história da mãe que perde o filho, a intensidade que sabia estar presente. A apresentação da perda de um filho como uma dor tão absoluta que só a mãe pode entender, enquanto os que estão ao redor tentam contemporizar (que frustração!) é uma lição de como o nosso olhar para o outro pode ser descuidado, principalmente nas situações mais extremas, que não conseguimos explicar.

Nas imagens do Big Bang e a criação do mundo eu chorei muito. Enquanto as outras pessoas no cinema se agitavam e conversavam sem parar diante do que não fazia sentido, as imagens de Malick e a explosão do planeta me trouxeram toda a inevitabilidade que cerca a nossa existência. Livre arbítrio, ok. Mas há, na humanidade, uma força tão forte da tradição, que veio mesmo do início da vida no planeta, que nos transforma em grãos de areia. Nossa jornada pessoal, espiritual, se dá num plano físico e denso. A leveza nem sempre encontra reflexo nesse contexto. 


Diante da imensidão, o sentimento de impotência.

Assim, mergulhei novamente em Malick e suas imagens. O difícil, a decepção, para mim, foi a obviedade de certas cenas e, principalmente, da última imagem. O que mais amo em Terence Malick se perdeu na tentativa de explicar o que ele não precisava, de fazer justamente o contrário do que fez nos seus outros filmes: apresentar os seus sentidos e percepções e nos deixar viajar livremente por eles, construindo nossas próprias percepções. Uma intensidade que se perdeu na explicação excessiva. E não falo daqui da trama - a vida de Jack é apresentada em fragmentos, e de alguns detalhes não tomamos conhecimentos.

Você me pergunta, então, se gostei do filme? Eu amei. E detestei o final. Por isso não consigo dizer simplesmente que gostei. Na expressão do que sinto pelo filme, vários opostos se sobrepõem. Mas quem disse que a contradição não faz parte da nossa vivência neste universo?

No dia seguinte, fui, com a Chris, assistir a Assalto ao Banco Central (Marcos Paulo, Brasil, 2011). Normalmente, essa não seria uma escolha minha. Não gosto do cinema de entretenimento brasileiro - ou pelo menos da maioria do que tenho visto. Alguns diretores, claro, são uma exceção: Jorge Furtado, Laís Bodanzky... Mas prefiro, nas produções nacionais, filmes de mais impacto, que fujam da dramaturgia novelesca que ainda predomina no cinema brasileiro. Uma pena dizer isso, mas me incomoda demais. E na primeira cena de Assalto ao Banco Central já vi que era isso que iria encontrar. Mesmo com a edição interessante na sobreposição de diferentes tempos, os diálogos são insuportáveis. A história é tão legal, mas realmente se perde na pressa e descuido de um roteiro muito raso. E atuações terríveis de atores de que gosto muito.

Resisti a  assistir a Os Smurfs (The Smurfs. Raja Gosnell, US, 2011), mas Marcelita flor não me deixou escapar. Tenho de dizer que me diverti muito! E os atores? Neil Patrick Harris e Sofia Vergara, de que gosto muito, além da participação de figuras do mundo da moda nos Estados Unidos. Tim Gunn eu amo!!! Pena que na versão dublada ele ficou uma figura desagradável...


Planeta dos Macacos: A Origem (Rise of The Planet of The Apes. Rupert Wyatt, US, 2011) foi uma boa surpresa. Está aí uma história construída com cuidado, sem pressa. Um roteiro enxuto, uma produção cuidados, uma boa diversão. É, também, uma boa história sobre como os macacos dominaram o mundo. 

Sutpid, Crazy, Love (Amor a toda Prova. Glen Ficarra, John Regua. US, 2011) eu curti demais. Passeei pelo filme contente e bastante tocada pelas histórias. Percebi como gosto de Steve Carell em papéis mais melancólicos, como o que fez em Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada (Dan In Real Life. Peter Hedges, US, 2007)). A expressão dele, a postura dizem de um homem que perdeu seu lugar no mundo... e não sabe como fazer para se encontrar novamente quando tudo despenca ao seu redor. 
Ryan Gosling eu amo. Amo amo. Amo. A cena do Dirty Dancing foi surreal de tão divertida.

Emma Stone eu não conhecia bem, embora já ouvisse falar muito. Gostei dela nesse filme, e outros estão vindo - um deles é O Espetacular Homem Aranha.


Depois da viagem de férias que foi Crazy, Stupid, Love, todos os filmes que se seguiram até hoje foram infantis. Poli, o fusquinha de polícia (Rasmus A. Sivertsen. Noruega, 2009) é uma animação norueguesa que estava no Festival Internacional de Cinema Infantil - Fici. Escolhemos pelo horário, sem saber muito do filme. Só depois descobri que Marcela pensou ser um filme da boneca Poly... Trata-se de uma estória voltada para a conscientização ambiental. Mas eu não sei o que esses cineastas pensam quando fazem algo tão boboca para as crianças. Wall-E (Andrew Stanton, Us, 2008) traz o problema da exploração excessiva dos recursos do planeta de forma impactante, cuidadosa e muito bem produzida. As crianças - pelo menos as que estavam comigo - sentem a fragilidade de um  roteiro como o de Poli. Assim, gostaram do filme, mas não muito... 

O mais legal para elas foi o que vimos depois. Em Deu a Louca na Chapeuzinho 2 (Hoodwinked Too! Hood vs. Evil. Mike Disa, US, 2011) rimos muito. Diversão total para fechar o domingo.

Ontem, finalmente assisti a O Rei Leão (The Lion King. Roger Allers, Rob Minkoff, US, 1994), que chegou agora aos cinemas em 3D. Só agora, really? É, eu sei, demorou. E Marcela não quis ir comigo, disse que era muito chato. Eu tenho de dar toda a razão para ela. O que foi um sucesso em 1994, hoje não se sustenta mais, principalmente quando comparamos com a complexidade de algumas das animações atuais. Muito violento - muiiiiiiiito -, óbvio, preconceituoso, parece um novelão mexicano. Os personagens são muito rasos, a trama muito moralista, um sufoco ficar no cinema. Mas pelo menos agora posso dizer que vi O Rei Leão...rs.


PS: Hoje, encontrar minha sobrinha de sete anos, ela me perguntou se havia gostado de O Rei Leão. Eu disse como havia detestado e tal e tal. A resposta dela: eu não disse? É muito chato. Primeiro um morre, aí o outro foge, não volta; então vão procurar por ele, acham; ele volta, um outro morre. Argh, fica só nisso... Esse foi o resumo da ópera, rs. 

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

The meaning of life???

Entre agosto e setembro, alguns livros e filmes fizeram parte dos meus dias...No post de hoje, vêm os livros... amanhã, trarei os filmes. Foram poucos. mas a preguiça e a gripe não ganharam totalmente a batalha, e consegui, antes dessa semana de molho total, chegar ao cinema algumas vezes...rs.

Primeiro os livros. 

A melhor história de todo o meu mês de agosto foi como Bloodlines, de Richelle Mead, chegou às minhas mãos numa sexta, apenas três dias após seu lançamento nos Estados Unidos, dia 23/08. Bloodlines é o primeiro livro de uma série que segue Vampire Academy, da mesma autora. VA é uma das minhas séries preferidas, com personagens muito legais e, claro, com Dimitri. Suspiro...rs. O último livro de VA, Last Sacrifice, foi uma decepção muito grande para mim. O final foi apressado e a escrita relaxada, em comparação aos outros volumes da série. 

Quando soube que um spin-off seria lançado ainda este ano, entendi o final da história de Rose e Dimitri. Bastante reticente, com vários plots em aberto, o final de Last Sacrifice apontava já para Bloodlines, em que o mundo é o mesmo de VA, mas com foco em outros personagens - antes secundários, eles agora são os protagonistas de novas tramas com os Moroi, Dhampirs e Strigoi.

Mari, minha sobrinha amada, voltou dos US exatamente um dia após o lançamento de Bloodlines. Comprou o livro com desconto, trouxe com carinho e eu quase não acreditei quando o vi nas minhas mãos! 

Não me decepcionei. A história que, no início, parecia realmente muito high schooler - um retrocesso quando comparado com a intensidade que Vampire Academy atingiu a partir do seu quarto livro -, as cem últimas páginas foram muito bacanas. Sim, tudo bem, a trama é conduzida de uma forma que já dá para vislumbrar as confusões que virão. Mas a última frase do livro foi realmente uma surpresa...e me deixou ansiosa pelo próximo livro. Ahhhh, e a saga continua, rs.  Assim como continuam as capas horríveis...

Sempre que chego ao fim do livro de uma série - gostando dela ou não -, aparece um vazio. Acostumo com aquele mundo, que se apresenta em várias histórias, e fica difícil encontrar um outro universo em que me encontre. Mas dessa vez já tinha um novo mundo em vista, e nele entrei de cabeça.

O primeiro capítulo de One Day, de David Nicholls, é uma delícia. Adoro diálogos nonsense - sempre me lembro da conversa no dinner em After de Dark, de Haruki Murakami. E o início do livro me trouxe a surpresa e o entusiasmo com uma escrita tão divertida... que se perdeu quando Nicholls provavelmente perdeu a memória do que escrevia e deu um final absurdamente - desculpe - cafona a uma história tão bacana.

Emma e Dexter se conhecem aos vinte e poucos anos, não sabem muito bem se gostam um do outro, mas não conseguem evitar de permanecerem em contato por vinte anos, mesmo que suas vidas e visão de mundo sejam tão diferentes. 

O que me impressionou muito foi com o relato das pequenas coisas que pensamos e com que nos debatemos quando estamos com alguém de que gostamos muito, muitíssimo (essa é de Os Mulheres Negras, rs), mas com quem nem sempre concordamos ou não sabemos como agir - por esperar demais, por querer demais, por gostar demais e por não saber se somos adequados para tudo aquilo. Os detalhes são incríveis... e por isso não me conformo muito com a idiotice - sorry again - do fechamento da trama. Muita redenção onde não havia necessidade.

Vale lembrar que a adaptação de One Day está chegando aos cinemas, com Anne Hathaway. By the way, já com ela na cabeça quando imaginava Emma, achei incrível como as duas - personagem em escrita e atriz - combinam.

Seguem algumas frases de Emma e Dex, curtinhas para não estragar as surpresas do livro - a referência a Betty Blue, um filme da adolescência e do coração, foi muito legal: 



(Dex) "What’s wrong with travelling?”
(Emma) “Avoiding reality more like.’"
(Dex) "I think reality is over-rated," he said in the hope that this might come across as dark and charismatic". (p.4).


…and the pleasure gained from nostalgia is slight and futile. (p. 426).

...It’s to remind you that life isn’t all gelati and spadrilles. Life can’t always be like the opening of Betty Blue. (26).

Letters, like compilation tapes, were really vehicles for unexpressed emotions… (p. 22).

Ainda bastante sentimental depois de One Day, e inconformada ao extremo, decidi ler um livro que, à primeira vista, não iria me tocar tanto, mas também não iria me enfurecer, rs. Assim, voltei a ler The Beach House, de Jane Green, que havia começado há um tempo, mas só havia chegado às primeiras páginas.

E foi isso mesmo. Uma história bonitinha, toda orquestrada para mostrar como a vida nos mostra que podemos estar perdidos nas nossas escolhas e como não é fácil encarar algumas verdades sobre o que queremos e somos. Mas tudo muito, muito papel de parede... então os personagens, que são muito bons, mas trilham essa estrada arrumada demais, não me tocaram tanto. 

Danny, o personagem casado que briga com a própria homossexualidade, me sensibilizou mais. Acho que Green teve mais cuidado em trazê-lo para o seu livro, e suas dúvidas, dores, dilemas fizeram sentido para mim. Ás vezes penso como somos rápidos em julgar várias situações - a proximidade com amigos que passaram pelo que Daniel passa no livro pode evitar esse julgamento. Mas nem todos temos por perto pessoas maravilhosas que nos ensinam como a vida não é uma linha reta - e por isso só The Beach House foi uma viagem boa.


O terceiro livro de setembro seguiu o caminho mais emotivo e sentimental de descoberta. The Post-Birthday World foi outro livro que comecei a ler e parei  ao primeiro sinal de angústia excessiva. Como já estava na trilha de personagens sofridos, resolvi seguir por ele. Outro incentivo foi Kal, minha irmã do coração, ter lido Dupla Falta, da mesma autora, e a promessa de me emprestar o livro. Resolvi, então, conhecer melhor Lionel Shriver, a mesma autora de  Precisamos Falar Sobre o Kevin, que chegará logo ao cinema - eu estou ansiosa para assistir ao filme. 

Sendo assim, decidi não escapar mais da história de Irina e o desdobramento do seu destino a partir de uma escolha específica - beijar ou não um amigo famoso e intenso que tem em comum com seu namoradoquasemarido. Para minha felicidade e surpresa, o duplo destino não é apresentado de forma fácil. Ele é tão bem construído e nos lembra, a todo momento, que apesar de nossas escolhas serem fundamentais, algumas coisas realmente permanecem as mesmas - há uma pista no livro a respeito dessa percepção, e a partir dela já pude perceber que as respostas não seriam tão definitivas e lineares como a gente espera. Assim, o final, ao contrário de One Day, não é gratuito ou uma promessa de redenção. Oooops, escrevendo agora lembrei que ontem fui dormir e não li as três últimas páginas. Como vou falar do final, a eu ainda não o li? Pense.

Pausa.

Pronto. Faltava realmente muito pouco, mas valeu esperar eu estar mais acordada. Li, nos comentários dos leitores no site da Amazon, que o final era bastante dúbio... mas não me pareceu assim. Acho que o mais importante nas diferentes escolhas de Irina não é a que ela fez, mas como ela não poderia evitar, fosse qual fosse o caminho que seguisse, realmente fazer essas escolhas e encarar de frente como o seu casamento, aparentemente tranquilo e satisfatório, realmente não era nada disso. 

O livro é intenso, os pensamentos de Irina não são casuais. Assim, é uma viagem  forte e uma conversa honesta com o nosso coração. E agora eu não quero outra coisa.

The word love was required to cover such a range of emotions that it almost meant nothing at all. Since the love we distil for each beloved confirms to such a specific, rarefied recipe, with various soupçons of resentment, pity or lust, and sometimes even pinches of dislike, you really needed as many different words for the feeling as there were people whom you cared for in you life.
(...)
... it was equally possible that by at last embracing (someone )in his entirety, by no longer battling the many shortcomings she would fix, by no longer being enfuriated by the numerous regards in which he failed an ideal, she had given him up. (pp. 477/478).

So this was peace - which, according to their resident conflict studies expert, "beat the alternative". No one broke into rowdy song or raised a voice. (p. 336).

"I hate to sound thick as a post, since I know the story's for nippers. But what it mean?"
"The idea is that you don't have only one destiny. Younger and younger, kids are pressed to decide what they want to do with their lives, as if everything hinges on one decision. But whichever direction you go, there are going to be upsides and downsides. You're dealing with a set of trade-offs, and not one perfect course in comparison to which all the others are crap." (p. 351)

Usually one rues the fact that a desire has gonne ungratified. Yet maybe the commodity more precious than its fulfilment was desire itself. This kind of thinking was subversively un-American: the Wertern economy thrived of the insistent, serial satisfaction of cravings. Still, perhaps the whole tumbling cycle of wanting and getting was wrongheaded. Desire was its own reward, and a rarer luxury than you'd think. While it might be possible to squelch a desire, to turn from it, the process didn't seem to work in reverse; that is, you couldn't make youself yearn for something when you plain didn't. It was the wanting that Irina wanted. (p. 147).






Betty Blue (37º2 Le Matin. Jean-Jacques Beineix, França, 1986). Betty Blue foi o meu filme preferido na adolescência. Quer dizer, um deles - não dá para esquecer os filmes do Truffaut, Fome de Viver, Asas da Liberdade, Malpertuis, Blade Runner...rs. 


Foi nessa época que, junto com minhas amigas de segundo grau, que hoje são irmãs amadas, ia aos filmes na Cultura Inglesa e Cine Brasília. Todo fim de semana um filme novo... e que filmes eram. Gosto de pensar que muito do que sou hoje vem dessa época, dos filmes que víamos. No dia de Betty Blue, ao sairmos do cinema, todos juntos, não conseguíamos parar de pensar no filme. A música marcou a todos e a procura da trilha sonora foi grande - eu ainda tenho o vinil, apesar de haver encontrado o CD depois. A citação do filme Emma, em One Day foi, por isso, muito especial.




"Essa canção conta a história de um rapaz e uma moça que se amavam muito, muitíssimo..." idas, de Os Mulheres Negras, é a música que citei acima. Deinha nos apresentou ao grupo de André Abujamra e Maurício Peireira, que conheceu quando morava em Botucatu. Da música que citei não lembro o nome (Deinha, Help!), mas, ao procurá-la no youtube, achei vídeos do retorno de O Mulheres Negras em Curitiba, em 2010. O que seria de mim sem este blog e o que ele me traz? 


Agora que vi que os dois vídeos são de referências dos anos 80...