domingo, 21 de agosto de 2011

"... for always being too much, and never enough"

Ao olhar para os últimos dias, percebo que tudo relacionado ao livro de Kim Sunée até o momento, para mim, foi devagar. Demorei 18 dias para ler Trail of Crumbs: Hunger, Love and The Search for Home. Ao tentar postar os comentários ao livro aqui no Viagens, o texto fez poof e sumiu. Mais três dias e ainda não havia conseguido reescrevê-lo...

O livro me angustiou de uma forma que não sei como consegui chegar ao fim.

Comprei Trail of Crumbs, na Livraria Cultura, pela capa. O primeiro livro que comprei assim foi Vince & Joy, de Lisa Jewell, e até hoje ele é meu livro do coração. Então eu sempre arrisco, porque boas coisas podem vir pela capa. E do título ao campo de lavanda - que amo -, Trail of Crumbs chamou minha atenção. Ficou na estante uns meses até que, sem nada mais para ler, resolvi passar do nome e da capa para o que estava dentro.

Kim Sunée, uma órfã coreana abandonada pela mãe num banco de praça e adoada por um casal de americanos, não consegue encontrar seu lugar no mundo. Para contar da sua inadequação, ela os seus 22 anos, quando conheceu o fundador da L'Occitane, Olivier Baussan, e com ele viveu por cinco anos. A impossibilidade de ser feliz numa vida que todos lhe diziam ser perfeita é uma forma de ilustração para o seu senso de não pertencimento, solidão, abandono e procura pela felicidade.

Até aqui, picture perfect.  Inadequação e busca pelo próprio lugar eu consigo entender, e  com histórias que trazem essa procura eu consigo me identificar muito fortemente. Também não é estranho para mim que Kim não tenha conseguido ser feliz na Provence. Com uma personalidade forte, centralizadora e energética, Olivier é um homem interessante ao extremo, mas muito difícil também. Viver ao seu lado sem ter sua própria identidade e profissão é um risco de simbiose eminente... Ou assim Kim o retrata nas suas memórias.

O que soou estranho para mim e me arrastou durante toda a leitura foi Kim escrever um livro para justificar-se de não haver conseguido viver com Olivier, por não ter aceitado feliz o que ele lhe oferecia. Muito bizarro. Ela apresentas várias justificativas para si mesma, para os pais, para os amigos e, principalmente, para Olivier. Essa é a tristeza do  livro para mim -  consigo perceber agora, depois de dezoito dias de leitura arrastada, um post perdido e três dias tentando recuperá-lo. 

Para se justificar, ela se coloca como mercadoria quebrada, objeto defeituoso, ser humano ausente. Assim, não importa o homem, o lugar, as circunstâncias... ela está fadada, pela sua condição, a ser infeliz e 
solitária. Se ela está irreversivelmente quebrada, o que fazer? Angústia. Ela se define, nas suas palavras: “... what I truly am: a loner, lonesome, and irreversibly heartbroken.” (p. 333). Meu coração não aguenta.

E as contradições desse processo? Inacreditáveis. Com uma delas eu me defrontei quando voltei ao livro para trazer trechos para este post (p. 44): “Marriage was the last thing I was looking for. I didn’t need a ring to escape, just a valid passport.” Novamente, perfect. Mas, durante o livro, numa performance satelite heart, Kim usa os relacionamentos como um passaporte válido. E se viver com alguém durante cinco anos, cuidando de sua filha, sua casa, seus amigos não é casamento...  sei não.

No processo de tanto justificar-se, amizades, amores, família, em relações fortes e intensas, se perderam. O panorama é tão frio e recortado, que fica ininteligível. Em três linhas, ela passa de uma paquera desinteressante para um namoro firme, mas não tem força de síntese para isso. A sensação que tive foi que pulei páginas e páginas de leitura, e algo se perdeu nesse intervalo. O distanciamento que isso provoca prejudica muito nossa identificação com o livro, a história e sua narradora. Uma pena. O campo de lavandas era tão lindo.

Trago alguns trechos do livro, especialmente uma conversa de Kim com seu terapeuta em Paris, de que gosto muito. Como em outros posts, tento trazer citações da história que não comprometam a sua leitura, mas que façam sentido para quem não leu o livro. São pensamentos, diálogos, imagens que fizeram muito sentido para mim. O título é uma citação, e ela se encontra na página 319. 

What can I hope for in a man? To be understood?”
“Neither desirable nor possible.”
“Communication?”
“No real communication possible pure communication, anyway.”
“Than what? This is just one big misunderstanding, then?”
“Il n’y a pas de malentendus, que des malentendants.” There are no misunderstandings, just misunderstanders.
I am tired of these word games. “All I wanted is to be loved, simply, for what I am and not for what he thinks I should be. What is the price I have to pay – solitude?” He doesn’t answer, so I push harder. “I don’t want to be a part of it, I’m retreating from the world.”
“No, you must live in the world. It’s not a question of isolating yourself, but to know what is tolerable for you… when to say yes and when to say no. Or no and yes… like coming and going…they’re one and the same.” (p. 249).

And I’ll never forgive myself for not knowing what I want, why I don’t want what he wants to give me – love and a place in the world I don’t have to fight for, an identity that isn’t mine. (p. 250). 

Love, Flora told me so many times, is what keep us with the living(p. 303).

… the marks and traces are what make us beautiful. (p. 357).


No matter how intelligent a separation can be, there are still traces of the failed relationship – rejection, destruction of the ego, raging jealousy. (p. 368).




No cinema, dois filmes que assistir mais pelas circunstâncias que por eles mesmos e que me divertiram bastante.

Cheguei a Quero Matar Meu Chefe (Horrible Bosses. Seth Gordon, US, 2011) por uma falta de opção de filmes a que assistir no dia. Estava com a minha mãe e ela aceitou o risco. Carambola, como eu ri. Mama séria soltou duas risadas, o que foi um atestado de super comédia ao filme. Adorei os atores em papéis inusitados, diferentes do seu usual: Jennifer Aniston como uma chefe tarada e  mau caráter; Colin Farrel gordo e careca (alguns nem o reconhecem de imediato). Essa brincadeira com as referências do próprio cinema é legal, divertida. E de Jason Bateman eu gosto muito, e o tempo dele para comédia, com aquela expressão impassível, é muito bom. 
Filhos de João: Admirável Mundo Novo Baiano (Henrique Dantas, Brasil, 2009) foi uma escolha da querida Mariana, com quem fui ao cinema. Desde a primeira cena até a metade do filme, fiquei bastante preocupada com o que via. Um documentário anacrônico, com cenas referenciais meio lost in space e muitos, mas muitos  mesmo, depoimentos sobre o grupo Novos Baianos.  As falas, como a de Tom Zé (sempre muito divertido) eram importantes e muito boas, mas sempre me surpreende que, num documentário, se acredite que apenas elas sejam suficientes - a menos que a entrevista seja a forma do documentário. Edifício Master é incrível, e é todo em depoimentos, mas essa é a proposta e a base do filme de Eduardo Coutinho, que não sustentou, para mim, o filme de Henrique Dantas. Mas thanks God nada é o que pensamos, e da segunda metade em diante, com registros de época e um foco no modo de vida dos Novos Baianos (um ideal e uma prática muito doce, forte, bacana e emocionante), o filme se tornou uma delícia, e dele saí com Besta é Tu na cabeça e na voz, feliz da vida.


Aqui no Viagens, eu trago mais as minhas impressões. Mas Mariana, em seu blog Escritos do Ócio, escreveu uma crítica bastante bacana sobre o filme, vale conferir: http://escritosdoocio.com.br/2011/08/os-novos-baianos-em-filme-e-lembrancas-da-salvador-dos-anos-70/


Sobre a ausência de Baby do Brasil no documentário, há um esclarecimento no site da cantora: http://babydobrasil.webnode.com.br/news/baby%20explica%20sua%20aus%C3%AAncia%20no%20documentario%20%22filhos%20de%20jo%C3%A3o%20-%20admiravel%20mundo%20novo%20baiano%22/ 






Este post, uma rescrita totalmente diferente daquele que se perdeu em algum lugar do virtual, aparece aqui com uma grande ajuda: num domingo feliz, mas cansativo, sentei no novo café perto de casa: Ernesto Cafés Especiais, na 115 sul. Um lugar fofo, com uma janelona ao fundo, com vista para uma enorme mangueira. Café bom, chás especiais orgânicos numa seleção me interessou muito, apesar da pouca variedade de chás pretos e, o mais legal de tudo, temporizador para a infusão do chá na mesa (wow). Gosto dos bolos caseiros, mais fáceis que as tortas. 


PS: Hoje, 30.8.11,  resolvei editar uma parte deste post. Eu havia escrito sobre como a proprietária de Ernesto Cafés Especiais era o meu idela de dona de café... esse quadro mudou em visitas posteriores ao café. Creio ser somente uma questão de experiência - o café não tem dois meses... Agora é esperar e ver se a sua qualidade não cai no decorrer do tempo. Espero que não.



domingo, 7 de agosto de 2011

A culpa é de Potter.

Um mês e três dias sem aparecer no Viagens... Sempre que pensava em escrever, aparecia uma preguiçaaaa, uma falta do que dizer, uma vontade de fazer outras coisas que não escrever.

Achei estranho, porque adoro este blog. Ele me ajuda a pensar no que vi, ouvi, li. Ajuda a me posicionar perante as coisas, a refletir sobre a vida. A escrita tem esse poder, força e vantagem. Mas, ao me perguntar das razões de não querer estar aqui, a resposta veio clara: Harry Potter.

Por isso, passo logo a ele para tirar a pedra do caminho e seguir conversando sobre o que li e vi em julho.

Eu tremia de ansiedade antes de entrar no cinema para ver Harry Potter e As Relíquias da Morte Parte II (Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2. David Yates, UK/US, 2011). Na fila para comprar pipoca, no Cinemark às 11h da manhã do dia 15 de julho (não conseguir ir à pré-estreia), ao conversar com as pessoas e ver tanta gente diferente, de idades distintas, com a mesma ansiedade e sorriso no rosto, eu emocionei. Comprei a pipoca, entrei correndo na sala, sentei o mais longe possível das pessoas - o que não foi muito fácil numa sessão de estreia. Estavam comigo, ainda presentes, as sensações da primeira parte do último filme do Harry Potter. Esperava, então, muito muito muito dessa conclusão.

Já falei aqui da armadilha que podem ser as expectativas. Ugh. O melhor é entrar num filme sem esperar nada. Mas com Harry Potter não deu. Eu amei tanto o sétimo livro, li o epílogo vezes seguidas quando terminei o livro... Esperava o mundo desse filme, e o que recebi foi uma embalagem muito bonita - algumas cenas são fantásticas visualmente - para uma história que não tem nem um centésimo da intensidade que vivenciei na leitura.

Aqui, uma polêmica pode aparecer quanto às adaptações literárias para cinema. E por mais que se justifique dizer que um filme dificilmente alcança a força do livro, eu não esperava que isso acontecesse logo no final de HP, não depois da primeira parte. Emocionei durante o filme, chorei, claro, mas, ao final do dia, já havia esquecido que tinha assistido ao último filme de Harry Potter. E foi aí que comecei a perceber como o filme havia se distanciado do livro de uma forma imperdoável. 

Não acreditava, então, no que havia sido deixado de fora do enquadramento da tela de cinema. A fala mais importante de HP, ao final da luta com Voldemort, caput. Cortada da versão cinematográfica. Dumbledore na estação de trem, numa cena que amo tanto que escolhi para iniciar minha tese, caput. Ginny e Harry, para variar, nos filmes, têm um relacionamento digno do maior iceberg do planeta. Mortes importantes e perdas doloridas, caput. Epílogo emocionante, divertido, melancólico, caput. Ficou raso e desnecessário esse fim. E assim vai, uma lista imensa...

Quero anunciar novamente: ficção é um assunto sério para mim. Compartilhar a vida com as narrativas, passear pelos diferentes mundos que ela nos traz, afeiçoar-me aos personagens e suas  andanças pela trama não me permite o distanciamento que alguns consideram óbvio à ficção. É apenas um livro-filme-música não funciona para mim. E, afinal de contas, é Harry Potter, people! Dava para ter mais cuidado com o último filme. 

Mais um roteirista para a lista negra, para fazer companhia a Melissa Rosenberg (Twilight Sata): Steve Kloves, o roteirista apressado e insensível deste último HP.

Ok, depois dos protestos, vamos aos livros.

Seguindo com o mundo dos weres criado por Patrícia Briggs, e graças à generosidade da Rita querida que me emprestou os livros, passei para a série spin-off de Mercy Thompson: Alpha & Omega. Atualmente com dois livros - Hunting Ground e Cry Wolf entramos numa narrativa mais melancólica e menos engraçada que os livros de Mercy. Charles é um personagem de que gosto muito,  e tenho gostado dos livros. Agora é esperar sair o terceiro.


Depois que terminei os livros da Briggs, deu um vazio existencial. Não conseguia escolher o que ler. Iniciei The Left Hand of Darkness, de Ursula K. Le Guin, um livro que conheci em outro livro, The Jane Austen Book Club, de  Karen Joy Fowler (Outra péssima adaptação para o cinema de um livro fofo e divertido: O Clube de Leitura de Jane Austen - The Jane Austen Book Club -, de Robin Swicord, US, 2007, exagerou no drama e estragou a história). O legal no livro é um dos personagens convencendo uma super fan de Jane Austen a ler ficção científica... daí  aparece Le Guin. Depois, tentei ler Night Train to Lisbon, de Pascal Mercier. Estou no começo, gostando muito, mas não era o que eu queria ainda.

     

Um dia, de bobeira na Fnac, esbarrei com a única série de Charlaine Harris (dos livros de Sookie Stackhouse, que deu origem à série de TV True Blood) que ainda não havia lido. Já tinha visto os livros de Harper Connelly nas estantes, mas pensei que talvez fossem muito bobos. Isso mostra o tanto que eu sei...

Peguei o primeiro e não larguei até chegar ao quarto e último livro da série. Grave Sight, Grave Surprise, Iced Cold Grave e Grave Secret me fizeram pensar novamente como uma série mais curta é um presente.  Os personagens se apresentam e nos conquistam sem ficarem para sempre no limbo de uma trama que se estende indefinidamente. Harper e Tolliver são personagens ótimos, densos, divertidos, super blasé e trazem consigo uma história de infância que me comove.

Os títulos com uma palavra repetida são a marca de Charlaine Harris, e tenho de confessar que o Grave me afastou um pouco dessa série. Mas o vazio existencial de uma história leve e interessante me fez superar essa ideia inicial. Aqui, uma curiosidade: conversando com uma moça na Livraria Cultura um dia, ela me disse que nunca havia lido os livros da Sookie porque todos eles traziam Dead no título, e isso havia lhe dado uma péssima impressão... 

Alguns trechos de Harper e Tolliver (todos falando sobre os livros e filmes na nossa vida... adoro):  


   


Of course, to the police, this was important evidence. The fact that Diane couldn't see that only proved what I'd suspected about her when I'd met her: Diane Morgenstern was no rocket scientist. I was willing to bet that she never read crime fiction, either. If she had, she'd have known that any such revelation would make the police suspicious.
All the incident really proved was that Diane was out of touch with popular culture, in the reading-and-television-watching category." (p.23, Grave Surprise).

Art took his place before the microphones. It's just strange seeing someone you know on television, not that it's an experience I've had often. The fact that the person who was just in the room with you is now on-camera, for the moment an icon, is weird and unsettling. It's as if they've become translated by the screen into another being—someone less flawed and more knowledgeable, someone smoother and smarter. (p. 27, Grave Surprise).

He handed me the movie section instead, and I began scanning the ads. We liked space movies and action movies. We liked movies with happy families. If they got threatened with danger, we liked them to get out of it more or less intact, maybe shooting a couple of bad guys in the process. We didn't like movies about miserable people who became more miserable, no matter how brilliant they were. We didn't like chick flicks. We didn't like foreign movies. I didn't want to go to the movies to learn a damn thing about human nature or the state of the world. I knew as much as I wanted to know about both those things. There was a movie that fit our profile, which wasn't too surprising, I guess.
I put on a knit cap and my jacket and my dark glasses, and Tolliver bundled up, too. We got the doorman to call a cab instead of bringing our car around. We actually got a silent cab driver, my favorite kind. He could drive well, too, and he got us to the multiplex in time to buy our tickets and walk right in.
I love going to big multiplexes. I love the anonymity, and all the possibilities. I loved the teenagers who kept it clean, in their bright matching shirts and silly hats. Tolliver had had a night job in such a place in Texarkana, and he used to slip me in so I could hide in the darkened theater for a while, forgetting what waited for me at our home.
When the previews started running, I was as content as I could be. We sat together in the dark, passing the popcorn (no butter, light on the salt) back and forth. We watched our pretty-pathologist-in-danger movie quite happily, knowing that everything would be okay in the end (more or less). We poked each other in the ribs when she was having a lot of trouble determining the cause of death of a very handsome guy. "You could have told her in a second," Tolliver said, in a whisper only someone as close as I could have deciphered. The theater wasn't empty, but there was plenty of room at this weekday afternoon showing. No one was talking out loud, and no child was crying, so it was a good experience(p 46, Grave Surprise).


No cinema, além do Potter, a que assisti duas vezes, outros filmes bons para as férias: 

Meia Noite em Paris - pela segunda vez, no conforto do Kinoplex Platinum. 
   
O Ursinho Pooh (Winnie the Pooh. Stephen J. Anderson, Don Hall, US, 2011). O começo é tão super fofo... mas, Jaisus, no decorrer do filme as coisas degringolaram. Eu adorava o Pooh, mas saí do cinema achando tudo muito retardado. O pequeno de três amou; a minha linda de sete declarou que aquilo tudo estava muito infantil para ela...rs. Eu concordo. 




segunda-feira, 4 de julho de 2011

Ainda em junho e um pouco de julho... Enraptured.

Antes de chegar ao sexto capítulo -  e o último publicado até agora - das histórias de Mercy Thompson, chegou de encomenda o último livro de Cecelia Ahern, uma autora de que gostava muito e que se encontra em um post anterior aqui no Viagens - Literatura Cute (01.04.2011).

Girl in The Mirror é um livro pequeno, com dois contos - o primeiro dá título ao livro; o segundo é The Memory Maker. Veio numa apresentação muito fofa, em capa dura. Mas o conteúdo é surpreendentemente estranho. Eu me aproximei de Ahern pelas suas histórias doces, divertidas e que se passam na Irlanda. Podia contar com ela como uma companhia legal para viagens... mas, como também já disse aqui, seus últimos livros têm sido mais bizarros que interessantes, com uma "moral da história" muito certinha e sem contradições. E sem muito espaço para a imaginação, embora trabalhe com a fantasia em todos eles. 

Quando terminei a primeira história, fechei o livro e pensei no que havia lido. Girl in The Mirror pareceu para mim um conto de terror - lembrou-me um pouco A Chave Mestra, com Kate Hudson (Iain Softley, US/Alemanha, 2005), um filme que me me apavorou bastante. Não me pergunte se isso é bom, acho que não. Mas sinto assim por não associar o nome à pessoa, sabe como? Se fosse um conto de Neil Gailman talvez fizesse mais sentido, mas em Cecelia Ahern ficou estranho para mim. Essa minha reação diz muito do que são as expectativas... mas é difícil não mantê-las com um autor querido. Ainda preciso conversar melhor com essa nova Ahern.

Depois desse curto intervalo, fui novamente para Tri-Cities encontrar com Mercy Thompson, agora no sexto livro de sua série, River Marked, de Patricia Briggs. Não é por teimosia que continuo a defender séries mais curtas. Este último livro não compromete a história, mas não me entusiasmou como os primeiros. Ou, talvez, ler uma série mais longa de forma tão seguida realmente não seja para mim. Começo a perceber mais vícios do que prazeres na escrita, e os personagens não são mais tão interessantes para mim. Preciso andar em outras paisagens...

Algumas conversas de Mercy com seus vamps e weres friends sobre filmes são muito divertidas. Max Schreck como a scared old monster fez todo sentido. Adoro quando a ficção conversa com ela mesma. Esse, aliás, é um dos aspectos que mais me atraem na chamada "literatura pop" - names schnames... - de hoje.


“I liked Lost in Space ,” Stefan said.
“The movie or the TV series?”
“The movie? Right. I had forgotten about the movie,” he said soberly. “It was better that way.”
“Sometimes ignorance really is bliss.” (p. 16, no arquivo que li no computador).

Warren’s pick for our feature film turned out to be Shadow of the Vampire, a fictional movie about the  making of Nosferatu . Someone had done a lot of research into the legends about the old film and played with them. At one point, watching Stefan’s intent face, I said, in a stage whisper, “You know, you are a vampire. You aren’t supposed to be scared of them.”
“Anyone,” said Stefan with conviction, “who ever met Max Schreck would be scared of vampires for the rest of their lives. And they’ve got him dead to rights.”
(...)
“The movie has it right? Max Schreck really was a vampire?” Warren asked. Max Schreck was the name of the man who played the vampire in Nosferatu. 
Stefan nodded. “Schreck wasn’t his real name, but he used it for a century or two, so it will do. Scary old monster. Really scary, really old. He decided he wanted to be on film, and none of the other vampires felt like challenging him over it.” (p. 17).

Outras paisagens, cool. Mas ainda não foi dessa vez... On The Prowl é um livro de contos que contém o início de outra série de Patrícia Briggs, Alpha & Omega. Situada no mesmo mundo de Mercy, aqui Briggs nos coloca mais próximos do pack de werewolves em que Mercy foi criada. Por enquanto, com personagens que sinto mais intensos, estou gostando muito. Ainda no começo do primeiro livro da série em si - Cry Wolf -, estou feliz. Mas preciso ler outras coisas antes de continuar, senão não respondo por mim, rs. 

Outros autores participam de On The Prowl. Além de Briggs, Eileen Wilks traz o conto Inhuman, com personagens que se encontram no quarto livro da sua série Lupi. Buing Trouble é a história de Karen Chance. mais bobinha. Mona Lisa Betwining também apresenta personagens presentes em outros livros da autora, Sunny, mas o conto é muito bobo - li em fastfoward. Todas as últimas três autoras eram desconhecidas para mim antes desse livro. Rita, como sempre com um olhar certeiro com os livros, leu somente a história de Patricia Briggs, deixando as outras de lado. Eu não utilizei o meu direito de fechar o livro antes do fim... e veja no que deu. Mas não devemos chorar sobre as páginas viradas, rs.

Tenho encontrado alguns personagens de sagas e séries em contos que expliquem seus antecedentes ou sejam um complemento para a trama. Parece ser uma prática comum em autores da chamada urban fantasy hoje, uma forma de  mostrar outros aspectos das histórias e personagens. Charlaine Harris, dos livros de Sookie Stackehouse, tem muitos contos que completam as aventuras de Sookie. Esses contos curtos chamam muitos leitores para as séries. Bom, esse é um chute, mas parece uma estratégia de marketing eficiente. Cheguei a uma das minhas séries favoritas hoje, Morganville Vampires, com um conto da coletânea Many Blood Returns - em que está presente também Charlaine Harris. É uma forma de desenvolver os personagens e trazê-los de uma forma diferente da que se encontram nos seus livros próprios.

No cinema, antes que junho acabasse, resolvi dar uma chance a Piratas do Caribe: Navegando em Águas Perigosas (Pirates of the Caribbean: On Stranger Tides. Rob Marshall, US, 2011). Tanto eu quanto Marcela, que adoramos Jack Sparrow, saímos antes do fim. Aliás, eu já havia utilizado o meu direito de ir embora - como diz Nick Hornby - no segundo filme da série, e nem ao menos entrei no terceiro. Mas com tantos cinemas fechados na cidade e com poucas opções, decidi que valia a pena tentar. E valeu, só não fiquei até o final. E sem arrependimentos.

Meia Noite em Paris (Midnight in Paris. Woody Allen, Espanha/US, 2011) é uma delícia de viagem desde o início, com um panorama da cidade em um passeio sem pretensões. Um prólogo para as outras viagens que o personagem de Owen Wilson faz enquanto em Paris. O que me ocorreu durante o filme é o quanto essa cidade extremamente cinematográfica, que parece um produto da imaginação até que nela chegamos pela primeira vez, proporciona várias viagens para quem nela se encontra. Uma das maiores é a que nos proporciona a cultura e todos os artistas que nela estiverem e a imortalizaram. 

Outro pensamento: não há intelectualismo ou pretensão de um conhecimento que se diga legítimo e completo que consiga compreender a experiência da cultura e da arte de uma pessoa e a relação mágica com elas. Uma magia que me empolgou, apesar de o filme me trazer um desconforto algumas vezes. Eu o traduzo, para meu conforto (preciso dele às vezes...) como uma falha na direção. Mas acho que é impossível alguém não se deixar seduzir por uma história tão bacana, mesmo que esse alguém seja Woody Allen.

Até agora, meu alter ego de Allen preferido é mesmo Scarllet Johanson. Sei que há controvérsias, e que Owen Wilson realmente se esmerou (só de escutar a voz dele, no início do trailer, ainda com a tela escura, já sabia se tratar do Woody Allen), mas podia ter pesado um pouco menos a caricatura. Nada que tenho me deixado menos feliz com o filme, though.

No mesmo dia, numa outra experiência diferente para mim, assisti a Nanook, O Esquimó (Nanook of The North. Robert Flaherty, US/França, 1922). Parte da programação de Cine Concertos, no CCBB, o filme foi exibido ao ar livro, com orquestração ao vivo. Adooooooooooooooro cinema ao ar livre. Para mim, é outra criação do cinema. Só a havia experenciado em filmes, e estar ali, numa noite fria e estrelada, com meu vino e cobertor, foi um fechamento encantado para um dia de filmes mágicos.

Nanook é um documentário surreal se pensarmos na época em que ocorreram as filmagens - 1913. A história é forte, a vida dos esquimós apresentada no que me pareceu uma forma honesta. E a música tirou, como se espera dela, todo o estranhamento que entrar naquele mundo mudo e preto e branco ´poderia causar. Não me senti muito longe dos primeiros espectadores de cinema. Amei.

Por fim, e já em julho, filme de domingo com a minha pequena. Marcela e eu fomos assistir a Os Pinguins do Papai (Mr. Popper's Penquins. Mark Water, US, 2011). Acostumei-me com um Jim Carrey mais interessante e menos caricato, e encontrá-lo como no início da carreira foi um pouco desconfortável, tive de acessar outras imagens que tinha dele. Mas ri muito em algumas partes do filme, tanto que Marcelita me cutucou várias vezes para parar de rir - ela morre de vergonha quando eu rio alto, mas não aguentei. 

Este post ficou gigante... Muita coisa atrasada para contar. Mas ainda não terminou.

Ao ver Giverny em Midnight in Paris, uma música do seriado Grey's Anatomy me veio à cabeça. A música estava lá, mas o nome ou um trecho da letra não apareceram na minha memória. Em época de internet, nada de esperar 20 anos para saber a final do Australian Open (fatos reais de uma pessoa que não lia ou lê jornal...). Encontrei um site com todas as músicas do seriado por temporadas - http://greysoundtracks.free.fr/ - e, após uma busca insana pelas temporadas (exagero, na segunda temporada que acessei já encontrei a música. Mas foram 30 episódios pesquisados), encontrei Rapture, de Laura Veirs. Melancólica e poética, eu a trago aqui. Enjoy!



With photographs
And magnetic tape
We capture
Pretty animals in cages
Pretty flowers in vases
Enraptured

And doesn’t the tree
Write great poetry?
Doing itself so well

Do you blame monet?
His gardens in giverny
He captured
And lovely basho
His plunking ponds and toads
Enraptured

The fate of kurt cobain
Junk coursing through his veins
And young virginia woolf
Death came and hung her coat

Love of color, sound and words
Is it a blessing or a curse?
Enraptured

domingo, 19 de junho de 2011

Amélie na lua...

Falando em viagens de Amélie, a pessoa viajou à lua...Tirou férias e sumiu do mapa. Paris? Rio de Janeiro? Katmandu? Nope.


Nova série de lobisomens-vampiros-fadas-shapeshifters. Depois de algum tempo sem nenhuma série nova, ao pegar os livros de Mercy Thompson, eu me senti em férias. Não postei os livros à medida que os li porque não qeruia quebrar a diversão... e pensar sobre ela seria uma pausa que eu não qeuria fazer, rs. 


Saudade de ler uma série legal. Feliz que só, estou agora no quinto livro da série, esperando o empréstimo do sexto e último a ser lançado (Thanks, Rita, mais uma vez!!!). Continuo a não gostar de rostos nas capas dos livros, mas as tatuagens de Mercy eu adoro. Queria todas e mais algumas.

Para iniciar a história do seu começo, Mercy Thompson Novels é uma série de Patricia Briggs. Os cinco livros que li até agora são: Moon Called, Blood Bound, Iron Kissed, Bone Crossed e Silver Borne. A protagonista, Mercy, é um personagem forte que nos leva pela narrativa. Como costumo ver nas séries que têm mais de quatro livros, os dois primeiro são quase uma introdução, uma apresentação do mundo em que nos encontramos naquele momento. No terceiro livro, uma super bomba, que define e intensifica a história. Agora é aguardar os demais livros, rezando, torcendo, pedindo aos céus que Patricia Briggs não distorça Mercy e seus supe-friends - weres, vamps, fairies.  

Inadequação. Personagens que estão longe de serem perfeitos - e por isso se tornam mais interessantes -, que encaram os seus desafios. Melancolia. Assim é um pouco a  história de Mercedes Athena Thompson, a walker coyote que cresceu num pack de werewolves. Um pouco parecida com a Rose de Vampire Academy, outras vezes se aproximando da Sookie, eu fico imaginando a Briggs tomando chá com Richelle Mead e Charlaine Harris (VA e Sookie, respectivamente) e tramando plots surreais. As três séries se aproximaram em mim, e das três gosto muito.


“He’s not like the other vampires,” I tried to explain. Even though Stefan was the only vampire I’d ever met, I knew how they were supposed to act. I went to movies like everyone else. (p.150, Moon Called).

Uncle Mike looked like a tavern owner ought to. As if he’d reached into my mind and pulled out all the tavern owners in all the books and movies and stories I’d ever experienced, and then distilled them to produce the perfect caricature. (p. 146, Iron Kissed).

Mas antes das férias, o primeiro livro de junho foi também um empréstimo (dessa vez, da Pati querida!). Travessuras da Menina Má, de Mario Vargas Llosa, foi um livro bastante diferente dos que tenho lido. Uma crônica do século XX e suas revoluções, palco de uma história de amor visceral, neurótica, triste e também divertida. Fiquei presa nele, na trama, e na história bem escrita de Llosa. Um bônus do livro: a reflexão sobre o trabalho do tradutor foi uma conversa boa com A Tarefa do Tradutor, artigo de Walter Benjamin, de 1926.

... uma coisinha à-toa, apenas um intérprete; alguém que, como gostava de nos definir Salomón Toledano, só é quando não é, um hominídeo que existe quando deixa de ser o que é para que, através dele, passem melhor as coisas que os outros pensam e dizem. (p. 113).

Tinha adquirido a habilidade, comum a todo bom intérprete, de conhecer as equivalências entre as palavras sem entender necessariamente seus conteúdos (segundo Salmonón Toledano, entender era contraproducente), e continuei aperfeiçoando o russo... (p.115).

Seria aquela a mesma catedral que foi cenário de tantos séculos da história da França, a mesma que inspirou o romance de Victor Hugo que me deixou tão exaltado quando o li, ainda menino, em Miraflores, na casa da tia Alberta? Era a mesma e também outra, incorporando mitologias e fatos mais recentes. Belíssima, dava impressão de estabilidade e permanência, de ter escapado da usura do tempo. (p. 221).

No meio da "férias", tempo para ir ao cinema, claro.


X Men: Primeira Classe (X Men: First Class. Matthew Vaughn, US, 2011) e Blue Valentine (Namorados para Sempre. Derek Cianfrance, US, 2010) eu vi no mesmo domingo, numa sessão dupla no cinemark. 

O primeiro não me disse muito. Gosto demais das chamadas prequels, pré-sequencias que se referem, explicam ou indicam fatos futuros. Elas brincam com as referências de personagens e situações que já conhecemos, e esse reconhecimento costuma torná-las interessantes. Uma das primeiras que prequências que li foram as relativas a As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley. A Casa da Floresta e A Senhora do Lago foram companhias inseparáveis numa viagem que fiz à praia. Escritas 14 e 18 anos após As Brumas, os livros contam a história de personagens que já se encontram adultos nos livros sobre Arthur. 

Às vezes, faço essa inversão de tempo ao ler um livro mais adiantado de uma série, antes de ler o que o precede. Pode fazer uma bagunça com a história, mas também cria uma dinâmica divertida. 

Mas, para mim, First Class  foi frio, mais factual do que narrativo. Apresenta as histórias, mas não as conta. Não me empolguei, e assim segui para o segundo filme, imediatamente a seguir, com mais expectativas...


Blue Valentine não partiu meu coração, não me deixou em estado de choque ou suspensão, mas me disse muito. Uma das coisas que pensei, em meio a uma história muito dolorida, é em como os relacionamentos podem envolver uma desigualdade tal que não há possibilidade de permanência. Essa discrepância pode se formar no modo e nos motivos de o relacionamento existir e ter começado. As expectativas que se têm, o amor de cada um, a conveniência... Trilhas que levam a várias possibilidades, uma delas sendo o ódio e  a perda do respeito pelo outro. Não disse? Triste. 

Numa excursão da escola, com as crianças da pós-graduação, fomos assistir a Somewhere (Um Lugar Qualquer - por falar no trabalho do tradutor... -, de Sofia Coppola, Us, 2010), um filme que, como Blue Valentine, demorou demais a chegar nos cinemas aqui. Tinha também muita expectativa com ele, e assim como o filme anterior, ele as frustou e superou igualmente. Os dois filmes foram bastante diferentes do que eu imaginava. Trouxeram surpresas e me fizeram pensar como trailers, críticas e comentários não conseguem abarcar a nossa experiência no e do cinema. Thanks God.

A conversa com a turma querida depois do filme foi legal também. Ajuda a formar outras imagens do filme e a caminha nele de uma forma mais abrangente. Para mim, que vou ao cinema geralmente sozinha, assistir a um filme em meio a uma quase multidão, rs, foi uma surpresa boa também. 







PS: Depois de conversar com uma amiga querida por email hoje, a respeito deste post, resolvi acrescentar uma parte da nossa conversa. Ela me dizia que não havia gostado de Blue Valentine e que, para ela, algumas cenas de sexo haviam sido desnecessárias. Eu havia esquecido desse aspecto, como o filme mostra, pelo sexo, o lugar em que se encontram os personagens, as suas defesas, expectativas, boicotes, ódios...  O trecho seguinte traz alguns spoilers, não muito sérios, mas referências à trama do filme.


O sexo em Blue Valentine eu achei essencial, porque nele conseguimos ver como as relações estão doentes. Na hora em que o namorado a engravida, dá para ver como ela se subestima e em como a violência é o que ela conhece - pela relação insuportável dos pais dela. Quando ela encontra o personagem de Ryan Gosling, a coisa muda, ele se preocupa em faze-la feliz. É aí que ela pensa que gosta dele, pela diferença que ele representa. Mas não gosta, porque a parada dela é outra mesma, o padrão dela ainda é de  violência e ela não consegue perceber. Daí o sexo doentio na parte do motel. Muito triste... mas faz sentido.






quinta-feira, 2 de junho de 2011

Sessão Tripla + bonus track



A day in paradise.





Assim eu me sinto quando passo a tarde no cinema. Ou  o dia todo, no meu caso, já que acordei quase às 11 horas... Numa semana boba, meio sem graça, hoje resolvi me manter no cinema. A diferença quando saio é de impressionar. Além, claro, de haver contado com companhias queridas durante o útlimo filme e o jantar!

Não Me Abandone Jamais (Never Let Me Go. Mark Romanek, UK/US) partiu meu coração. O filme é uma adaptação do livro do mesmo nome de Kasuo Ishiguro (dele estou lendo The Remains of the Day, que também chegou aos cinemas).

Inacreditável. Era só isso que me vinha à cabeça. Desde o início já sabia que a experiência ia ser punk. Lembro agora de como me senti no começo de As Horas (The Hours. Stephen Daldry, Us/UK, 2002). Na primeira cena, com a carga de Virginia Woolf a seu Leonard, eu já estava em lágrimas. O filme me tocou tão fortemente que dei uma desculpa para os amigos que estavam comigo e fui sentar em outro lugar da sala, sozinha. Era muita coisa para compartilhar.

Assim me senti hoje, mas, como já fui só, mudei de lugar apenas para me distanciar do senhor que fungava na fileira atrás da minha...
Invrível a extensão de uma história que não se explica demais. Que abarca o mundo sem falar muito. Nas entrelinhas de cada ação, na expressão de cada personagem, a vida se apresentava. A esperança, a incerteza, o amor, a amizade, a submissão, a crueldade, o abandono, a falta de ética. A humanidade.

Intenso, belo, triste. Carey Mulligan está de arrepiar. A atriz que representa sua personagem quando criança é impressionantemente parecida com ela, e não só fisicamente.

O filme todo é de arrepiar. A manipulação do tempo e dos espaços... uma surpresa. Ao final,  tive de me esconder no banheiro, porque não parava de chorar. E não só porque o filme é absurdamente triste, mas porque, mesmo numa trama tão surreal, eu o senti muito próximo. A ficção (científica!) em poesia, abarcando a vida.

Thanks God pela banalidade do segundo filme. Quando parei de chorar e entrei no filme seguinte, pensei que não ia conseguir ficar na história. Mas aos poucos a trama bem conduzida de O Poder e a Lei (The Lincoln Lawyer. Brad Furman, US, 2011) foi levando embora a minha melancolia e me colocando em outro mundo bastante diferente do anterior.

Também contrariamente a Never Let Me Go, O Poder e a Lei foi bastante previsível para mim. Já no início da confusão já sabia o que ia acontecer. A falta de surpresa não me atrapalhou, e segui para o terceiro filme - agora acompanhada de uma amiga querida - mais tranquila.

Good. Sem a folga no meio eu teria desmoronado. Um Novo Despertar (The Beaver. Jodie Foster, US, 2011) não havia me interessado muito, exceto por ser dirigido por Jodie Foster. Mel Gibson não anda muito popular para mim também, rs. Por isso o preconceito é uma companhia complicada para convidar ao cinema. Sem ele, pude ver no filme um retrato muito honesto sobre a depressão, e como é insuportável às vezes, para uma pessoa, ficar consigo mesma, quem dirá com os outros.

No decorrer da história, achei que o filme podia ser muito condescendente e apressado, mas me enganei novamente. E Mel Gibson está incrivelmente bem. Preconceito...rs.



O bonus deste post é o filme que vi ontem na TV a Cabo. Jack e Chloe (Jusqu'a Toi. Jennifer Devoldère,Canadá/ França, 2009) é fofo. Fofo fofo fofo. Desliguei a televisão com corações flutuando ao meu redor.

Uma história contada com cuidado e delicadeza. Gosto muito de Justin Bartha e acho Mélanie Laurent uma atriz linda e forte. Sua Shosanna de Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds. Quentin Tarantino, US/Alemanha, 2009) está em muitas das cenas de que mais gostei no filme (fora o "it'a a Bingo", claro).

Chloe apaixona-se por Jack por acreditar que ele ama o mesmo livro que ela. Veio-me à cabeça o que Robert Johson diz em We, quando analisa o mito do amor romântico por meio da história de Tristão e Isolda (e ela etá esta semana no Degraus de Amélie...). A maior praga da humanidade para o autor, o mito do amor romântico, levaria as pessoas a procurarem um tipo de relacionamento irrealizável. Afinal, um dos seus aspectos é justamente a impossiblidade de sua concretização. Assim, ao procurar o que idealizamos sem olhar realmente o que está à nossa frente, não nos apaixonaríamos pela pessoa, mas pela imagem que projetamos para além dela. Muito psicologismo? Pode ser.



Para mim faz sentido, porque a projeção parece ser uma das atividades favoritas no nosso cotidiano hoje. Projetam-se os sonhos, desejos, frustrações, expectativas, traumas... E aí vira tudo uma confusão. O filme explicita essa confusão e a traz de forma honesta.

Esta, hoje, é a minha palavra. Honestidade ao contar uma história é um atributo precioso para qualquer narrador. Eu a valorizo muito e fico bastante feliz quando a encontro no cinema, mesmo que me parta o coração.