O que é esse amor que nos ama?
Se considerarmos que o cinema é uma linguagem, é plausível dizer que há cineastas que falam uma língua mais próxima da nossa alma... de anseios de que nem sempre somos consciente.
Assim, na minha admiração pelos filmes anteriores de Malick, eu assisti a A Árvore da Vida (The Tree of Life, 2011) no cinema. Escolhi com cuidado a sala, o meu lugar, e me apresentei para a viagem que viria. Não me decepcionei - embora ouça críticas muito negativas a ele e tenha presenciado o desconforto das pessoas ao meu redor na sala de projeção, enquanto eu me emocionava muito. Mas Malick não pode errar para mim, eu acho.
Foi inesperadamente que cheguei a Amor Pleno (No original mais belo To The Wonder, 2012) na última sexta-feira. A manhã havia sido incrível e surrealmente feliz. À tarde, sem planejar, cheguei ao cinema sem planejar e foi com alegria que vi To the wonder em cartaz. Eu havia lido sobre ele na internet ao acordar.... e foi uma coincidência boa encontrá-lo no cinema justamente naquele dia.
Expectativas são um veneno mortal no cinema. Sem exageros, imagine (:). Mas, como disse, Malick fala comigo muito de perto. Eu amei amei amei Amor Pleno. Como nos filmes anteriores, o que vemos não são fatos, mas os pensamentos, sonhos, emoções dos personagens. A história é contada assim. Nesse caso, o amor é contado assim... É lindo e genial. Mas pode ser frustrante, se chegarmos ao cinema esperando uma explicação que não virá nunca.
Na página do filme no imdb.com, um dos comentários se intitula: Explain nothing, show everything. Então. Malick não explica nada e mostra tudo. Inclusive aquilo de que não somos conscientes. O mundo todo está presente ali, no tema do amor e dos relacionamentos... mas é preciso deixar o racional de lado um pouco e sonhar juntamente com o que vemos. Que é lindo e dolorido e tão verdadeiro que me fez chorar. Como todos os filmes de Terrence Malick conseguem.
Há mais de dois meses eu não chegava ao Viagens (bad, bad blogger!). Muita coisa para ler e escrever não deixou muito espaço em mim para contar dos filmes e livros que vi. Mas Malick me trouxe de volta, e é com encantamento que conto de Amor Pleno. Wonderful.
Desde maio, os filmes vistos foram:
A Gremlins (1984) eu assisti no último dia do Vivo Open Air. Foi uma super diversão e uma surpresa. Eu já havia visto alguns trechos, mas não esperava um filme tão bom, e quase trinta anos depois. Os gremlins do mal cantando com os sete anões no cinema é uma das melhores cenas que já vi no cinema :)
O Grande Gatsby (The Great Gatzby, 2013) foi um espanto. Embora Baz Lurhman tenha trazido muito de Moulin Rouge no seu novo filme, ele ainda conseguiu surpreender. E trazer com intensidade a dor de amar sozinho, como definiu uma amiga. Encantamento em grande estilo.
Antes da Meia-Noite (Before Midnight, 2013) cortou meu coração em mil pedaços. Eu tenho um carinho muito grande pela série criada por Richard Linklater. O primeiro filme, Antes do Amanhecer (Before Sunrise, 1995) conquistou os público aos poucos, e quando a sua continuação, não prevista inicialmente, foi anunciada nove anos após, cheguei a Antes do Por-do-Sol (Before Sunset, 2004) com muita expectativa. E não me decepcionei. A história de Jesse e Celine, agora roteirizada também pelos atores July Delphy e Ethan Halk, foi literalmente de arrepiar. Assim, novamente, no anúncio do terceiro filme, eu me preparei com cuidado para vê-lo no cinema.
Os dois filmes anteriores trouxeram despedidas, mas o foco foi o encontro e reencontro. em Antes da Meia-Noite, o afastamento tem maior destaque. Mas, como anteriormente, ele traz personagens e sentimentos quase palpáveis de tão reais para mim. Essa proximidade, porém, também é difícil. Dói. E assim não consegui ver o filme novamente, como os anteriores. Mas eu o amei imensamente.
Com as crianças, desde maio vimos Reino Escondido (Epic, 2013) é fofo, mesmo que o mais fraco de todos a que assistimos nesse período - não falo muito dele porque, de verdade, já não lembro muito mais, rs. Universidade Monstros (Monsters University, 2013) é legal por vermos os personagens queridos de Monstros S.A. Mas o filme não tem ritmo e consegue se tornar monótono em alguns momentos - esse é o problema de se construir um filme com personagens ou histórias já conhecidas, a preguiça que vem do que já está garantido.
PS: Em 2001, talvez antes mesmo antes de pensar em uma continuação para Antes do Amanhecer, Richard Linklater apresentou Celine e Jesse juntos em Waking Life, animação que não pode ser vista com muita racionalidade também. Assim, para quem já os conhecia, surge uma resposta sobre se eles teriam se reencontrado... no entanto, em 2004, a história muda em Antes do Por-do-Sol. Mas é curioso ver o envolvimento do diretor com seus personagens e que transparece nos seus três Before...
PPS: Os livros de maio até agora aparecerão em outro post... este já está gigante o suficiente! Santo atraso, Batman.